Quinta-feira, 15 de Abril, 2010


Get Smart

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Na terça-feira a ficha de trabalho sobre sujeito e predicado ia sendo feita em clima calmo e ameno, depois de eu explicar que faltam três semanas para a prova de aferição e que a equipa precisa estar afinada.

Enquanto iam resolvendo os exercícios foi surgindo a conversa em tom sereno (turma bastante reduzida de PCA), à laia de comentário sobre as ocorrências do fim de semana.

Um punhado de assaltos a minimercados e lojas lá pela terra, bairro aqui, bairro ali. Dois mortos em tiroteio entre grupos; um morto na sequência de um assalto junto ao multibanco, por não dar o código do cartão. Umas montras partidas.  Um roubo no salão de cabeleireira da rua. Umas idas da polícia a casas de parentes ou amigos, suspeitos de envolvimento. Mas não era o caso.

Troca de impressões sobre os detalhes dos assaltos, um muito violento com agressão à empregada que tentou fechar as portas. Risos em relação a furtos e roubos por gente conhecida. Indignação perante o vidro partido  – por motivo nenhum – da loja de uns senhores velhotes, figuras apreciadas na vizinhança. Um ex-aluno que pediu um frango assado na churrasqueira e fugiu em corrida com ele, um roubo de fruta de uma carrinha ou algo assim, que não ouvi bem.

Tudo em tom natural de quotidiano conhecido.

Avaliação da facilidade relativa de roubar em super ou minimercados. Um que está mais vazio e não tem câmaras. Que as tem, estão é naqueles espelhos, vocês não sabem, diz uma aluna.

Eu não roubo desde que em pequenina a minha mãe me bateu sem parar nas mãos quando soube que eu tinha roubado qualquer coisa, esclarece apressadamente.

Eu fui olhando, não interferindo, ouvindo quase só, inquirindo um ou outro detalhe, local, nome. Deixei-os ir desfiando a vida.

Não são coisas que já me choquem, é terreno conhecido de uma forma ou outra desde a minha adolescência em zona regularmente fustigada pela crise que mal parece afastada, volta apressada.

Mas outrora eu ouvia as histórias de conhecidos, colegas, por vezes amigos, como algo emocional, feito como excepção, recurso fortuito.

Agora tudo parece encarado com(o) uma imensa normalidade.

Há ainda traços de reprovação moral nestes miúdos, mas ao mesmo tempo uma resignação que não chega a sê-la porque nunca conheceram outra coisa.

É a vida em redor deles.

A escola, no caso destes, felizmente, ainda é uma espécie de refúgio que não renegam. Certamente, apesar de alguns episódios, um mundo bem mais calmo do que aqueloutro para além dos prédios e ruas.

Mas, excepto em alguns casos, não eu que passo 4 das horas daquele dia com eles percebo bem o que ainda encontram na Escola para além da obrigação de a frequentar. O que esperam eles da vida?  Que projectos acalentam aos 12, 13,14 anos perante o descalabro que os rodeia?

Não me é fácil, perante este cenário, adoptar uma postura de paternalismo e um discurso politicamente correcto, daquele redondinho que exalta as virtudes salvíficas da Educação.

Espero que as raparigas não engravidem em plena adolescência e que os rapazes não cedam à facilidade do pequeno roubo que os familizariza com amizades que os conduzem a outros actos.

O que tem a nossa sociedade a oferecer a estes miúdos ao fim de 12 anos de escolaridade, aos sobreviventes deste quotidiano.

Eles próprios não procuram  conselho, chega-lhes que o diálogo vá fluindo por entre um sujeito composto e outro subentendido, enquanto o professor não exercita os dotes vocais no desânimo perante as falhas repetidas.

Se isto é uma aula convencional ou inovadora não me interessa, aliás, não interessa a nenhum dos presentes. São 90 minutos (85 ou 80 ou 75, depende da hora em que entram com a sua sandes recebida graças ao SASE de que todos ou quase usufruem) que se passam de um modo pacífico, mais boca, menos boca aos colegas, mais observação irónica, menos observação mais irada do professor.

Não custa nada ouvi-los e prescindir de 15 minutos de matéria ou mesmo mais. Custa imaginar aquelas vidas, já assim.

Amanhã, 6ª feira, é dia de complemento directo e, se tudo correr pelo melhor, também do indirecto.

Excelente peça na Visão desta semana.

Retratos da fome em Portugal

Na sua maioria, os casos de novos pobres são de famílias que até há pouco tempo pertenciam à classe média e que nunca imaginaram ter de fazer contas à vida. Conheça aqui a história de António e de Cristina e leia na edição desta semana uma reportagem completa sobre o problema da fome em Portugal.

É o que me sopram de campo neutro. Porque nada disto imPECa custos. Mas a aplicação fica na mesma. Porque o campo maroto não será usado este ano, mas fica pronto para…

Mas isto são só boatos, rumores.

Entretanto, é necessário que a dança continue com os passos certos.

É que isto é, em termos técnicos, muito parvo pois a medida de não contarem a avaliação para graduação final nem sequer implica custos porque um professor contratado ganha o mesmo com mais ou menos um Excelente.

Mas, pelo contrário, podem criar-se injustiças na seriação dos candidatos que depois será difícil reverter.

Concurso de professores ainda pode sofrer adaptações

Os docentes, que desde segunda-feira se podem candidatar, ainda não sabem se será ou não contabilizada a sua avaliação de desempenho.

A culpa foi da Dona [sic] Maria de Lurdes Rodrigues. Ficou tão bem feito que ao fim de três meses ainda não conseguimos que prorrogassem uma medida que a própria MLR tomou (suspensão da avaliação para efeitos de graduação no concurso dos contratados nos anos anteriores.

Eu acho que sabemos todos (o quase) que a explicação não é bem essa, mas para a populaça esta versão serve e sempre iliba de responsabilidades a actual equipa ministerial.

O bloqueio, é certo e sabido, localiza-se mais acima…

Passei parte da manhã na agradabilíssima companhia de Henrique Medina Carreira, Mário Crespo e Nuno Crato a gravar um Plano Inclinado que penso venha a ser transmitido este fim de semana.

O pretexto imediato era a indisciplina nas escolas, mas a conversa fluiu.

Deu para aquecer as turbinas. Numa posterior oportunidade logo se levanta mesmo voo.

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