Sábado, 10 de Abril, 2010


Porque isto é muito à frente, muito à frente… sem segundos sentidos, ok?

Programas de educação sexual incluem noções de corpo, gravidez e aborto

Conhecer o corpo, perceber as diferenças entre os rapazes e as raparigas e reflectir sobre o significado da gravidez e do aborto são alguns dos objectivos dos conteúdos curriculares da educação sexual em meio escolar, publicados ontem em Diário da República. O diploma, que separa as matérias de acordo com os anos escolares, estabelece ainda que “pais e encarregados de educação” devem ser “ouvidos em todas as fases” do processo.

A portaria 196-A/2010 fica aqui (Portaria 196Ade2010), destacando eu, com evidente sorriso, o destaque dado à dimensão ética da sexualidade humana.

Ficou de fora algo quase tão importante quanto as regras de civilidade e etiqueta durante a aproximação e consumação do acto outrora conhecido por sexo. Do tipo: «após o acto, o elemento de qualquer género sujeito a uma qualquer forma de penetração deve incentivar o indivíduo do género que praticou o acto penetrante a remover o seu pénes, outra parte do seu corpo ou acessório auxiliar e a ir banhar-se em água de pétalas de rosa antes de pretender iniciar outra actividade, com dimensão ética, de sexualidade humana, tudo numa perspectiva de respeito pela individualidade de género, raça, estatuto social e convicção religiosa dos envolvidos».

Mas ainda há quem ache que devem ser eles a continuar a pagar a crise…

Função pública portuguesa foi das que mais perderam poder de compra

Os funcionários públicos portugueses estão entre os que mais perderam poder de compra nos últimos anos. Entre 2004 e 2008, os trabalhadores do Estado viram os seus salários encolher perto de 0,7 por cento face à evolução do custo de vida. Em pior situação só se encontravam os funcionários públicos da Eslovénia e do Chipre, enquanto na União Europeia os salários tiveram, em média, um ganho real de 3,1 por cento.

… em que os galegos vinham para Portugal e em especial para Lisboa, no final do século XIX, para servirem como aguadeiros, carvoeiros e assegurarem outras funções menores por terem ainda menos hipóteses de prosperar na sua terra natal.

15 mil portugueses procuram saúde e trabalho na Galiza

Governo Regional da Galiza diz que milhares de portugueses mudaram a residência nos concelhos perto da fronteira. 20% da população estrangeira desta região é de Portugal

O Governo Regional da Galiza estima que nos últimos anos mais de 15 mil portugueses alteraram a residência, em concelhos da fronteira portuguesa, para aquela região autónoma. Continuam perto da casa “familiar”, mas com acesso a melhores condições de trabalho e de saúde.

A título de exemplo, dos cinco concelhos minhotos que fazem fronteira com a Galiza, apenas um tem agora um serviço de urgências nocturno (Monção). Fruto das diferenças económicas e salariais entre os dois países, para muitos a solução passa por mudar para o outro lado da fronteira onde quase tudo é diferente. Os portugueses representam 20% do total de população estrangeira na Galiza.

Se sou profundamente anti-iberista, já o não sou em relação à Galiza que será região mais naturalmente próxima das nossas origens portucalenses com a qual não me choca qualquer tipo de unificação da faixa ocidental da Península.

Aliás se um erro foi cometido pelos habitantes de Valença foi terem usado a bandeira errada na sua manifestação de revolta, porque o apoio que recebem do lado de lá da fronteira não é propriamente de Madrid.

… que fiz uma conferência de imprensa em prime-time para falar de um requebro do Estatuto dos Açores e me encrespei muito com o casamento gay e mais umas formalidades, enquanto promulguei e validei tudo o resto que o anterior Governo fez pelo meio de uns discursos vagos, crípticos e uns quantos remoques que enfim…

Cavaco Silva. O país vive situação “insustentável” sem plano “claro e credível”

A entrevista deixa-me uma sensação híbrida, entre a constatação do óbvio, algumas indicações úteis, a derrapagem para a desculpabilização sistemática dos agressores e a velada crítica à vitimização.

Passando para a actualidade. Existe de facto bullying em Portugal?

Claro. Como sempre existiu. O bullying é uma violência caracterizada por comportamentos de humilhação e de provocação em relação ao aluno. Nos anos 60, estava no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, e havia bullying. Mas não se estudavam essas questões e não se valorizava. Havia a noção de que as pessoas tinham de se desenrascar. Lembro-me de um jovem homossexual que era vítima de humilhações sistemáticas na casa de banho e no pátio. Hoje, felizmente, acha-se que as pessoas frágeis devem ser protegidas. Porque violência sempre haverá na escola. Isso é uma utopia dos anos 60.

Mas não faz parte do crescimento aprender a lidar com as dificuldades?

É verdade.

Então qual é o limite?

Há uma diferença entre um comportamento que pode ser episodicamente violento – que até é saudável, porque é importante que as pessoas aprendam a desembaraçar-se – e um comportamento de humilhação e provocação sistemático.

Há quem defenda que superar situações de provocação pode fazer da vítima um adulto mais forte.

Isso tem a ver com o perfil da vítima. Há quem saiba reagir e quem se vitimize: pessoas depressivas, inseguras. Mas os agressores também precisam de ajuda. É errado pensar que o problema se resolve punindo os agressores.

Nos EUA, nove jovens estão a ser investigados no caso de uma adolescente que se suicidou-se por ser vítima de bullying.

Isso nunca é bem assim. A pessoa nunca se suicida só porque é vítima de bullying. Há múltiplas causas que num determinado momento se somam. Por exemplo, temos a escola de Fitares e o professor que se suicidou, vítima – escreveram indecentemente os seus colegas do “Público” – da turma do 9.oB. Não se pode escrever isto. Primeiro porque houve pessoas da turma do 9.oB que não tiveram nada a ver com isso. Depois, o professor – que de certeza que sofria muita pressão dos alunos, ao ponto de escrever isso no computador – era doente psiquiátrico, estava em depressão, tinha 50 e tal anos e vivia com os pais.

Esta última parte é estranha na boca de um psiquiatra. Muito estranha. Nem me apetece comentá-la porque poderia escrever algo semelhante ao que Daniel Sampaio diz dos jornalistas do Público.

Jean Claude Forest, Barbarella

(isto é mesmo a provocar o Gundisalbus…)

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