Sexta-feira, 2 de Abril, 2010


Rilo Kiley, The Moneymaker

Esta tenho de contar, mesmo sendo do foro da demência pessoal.

Estou a aproveitar estes dias para despachar imenso trabalho acumulado, revendo trabalhos de amigos, completando textos encomendados e tentando dar cumprimento a outras promessas feitas.

Entre elas está a revisão e preenchimento de lacunas da transcrição paleográfica de um documento de final do século XV, a pedido de um investigador de História Local do concelho onde vivi mais de três décadas e lecciono.

Foi-me fornecida a transcrição feita até ao momento, em papel e suporte digital, mais cópias em diversas dimensões dos fólios do documento.

Isto aconteceu, salvo erro, lá por Novembro.

Por diversas razões comecei a dita revisão, mas não a completei no tempo aprazado. Há semanas que, envergonhado, evito confessar o incumprimento.

Por estes dias retirei a pasta com o material e decidi que é desta.

Telefona-me hoje o investigador em causa, para meu generalizado engasganço.

E agora? Tento justificar-me… preciso de disposição… nem sempre é fácil perceber bem a grafia a partir das cópias.

Com paciência, sou interrompido.

É-me dito pelo investigador em causa que um amigo comum lhe comunicou que esse documento já foi transcrito por ele e revisto para publicação há mais de 10 anos pelo autor de uma obra sobre a história e património da margem sul do Tejo.

E que está publicado, com uma pequena introdução do dito autor.

Onde, em que obra, de quem, perguntam vós?

Pois, o problema é esse.

O documento está publicado em obra de que sou co-autor, com transcrição revista por mim e a tal introdução de minha lavra.

Que eu me tenha esquecido completamente disso não abona nada em favor da minha sanidade actual, mesmo da pretérita e certamente nadinha mesmo da futura.

Portanto, se alguém ficar sem resposta a algum mail, sms, telefonema ou outro qualquer pedido… não se espante.

Isto já não é o que nunca chegou a ser.

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Com o devido e atrasado agradecimento à Nélia

O problema não está nas gerações jovens de agora, mas nos pseudo-traumas das anteriores que não souberam lidar com a liberdade, que desenvolveram fantasmas em torno do exercício da autoridade e que têm problemas em lidar com ela, oscilando entre a extrema agressividade e a absoluta complacência.

Porque isto é em grande parte o resultado de adultos que não souberam, eles próprios, crescer e estruturar-se de modo a entenderem que o porreirismo não é um valor em si mesmo, uma finalidade. A geração dos pais-irmãos pode achar-se muito cool a si mesma, mas laborou demasiado tempo num erro fundamental: eles são pais dos filhos e devem saber encaminhá-los na vida. A menos que a não tenham descoberto eles próprios e por isso precisem de ajuda na sua tardia descoberta.

Tive a minha conta de nãos ao longo da vida, aprendi a geri-los melhor ou pior, mas não a querer eliminá-los da vida. Porque um mundo de gratificação garantida e quase imediata é um mundo que desaparece no abismo da emoção epidérmica, perde profundidade e o esforço perde sentido.

“Uma geração que não pode ouvir um ‘não’ é manipuladora”

(…)

O excesso de permissividade é prejudicial aos miúdos?

A tentativa de converter em permissividade a presença e a atenção que não tiveram é. Revela deficiência no desenvolvimento da relação entre pais e filhos. E a ideia que os pais às vezes também têm de não quererem reproduzir nos filhos o modelo de educação severa que receberam, quando não é bem medida, também é.

(…)

Às vezes é importante saber dizer “não” ou pode abdicar-se disso?

É muito importante saber dizer não! Por muito difícil que ele seja de dizer e de ouvir. Se não dissermos não, vamos criar uma geração que, na idade adulta, não irá tolerar a frustração. Querer e ter é errado, porque não são coincidentes. E perante esse não, os miúdos não podem exercer o seu poder reivindicativo, manipulatório. Alguns pais pagam uma viagem destas com grande dificuldade por medo que os miúdos possam ser ostracizados por parte dos colegas se não forem. É muito importante saber dizer não. Mas não é um não porque não; é um não explicado. Uma geração incapaz de ouvir um não, que deprime quando o ouve, é uma geração de manipuladores.

De que adianta tipificar, legislar, abrir processos, gastar papel e paciêncoia se tudo tem quase sempre o mesmo destino?

Autoridades arquivam investigação a agressões a Leandro

Ministério Público apurou que os  três jovens envolvidos nas agressões tinham na altura menos de 12 anos.

O que achará o jovem Pedro Feijó destas situações? Achará bem? Ou tem uma qualquer teoria dos tempos em que eu nasci para contextualizar, relativizar, desculpabilizar?

Mais de cem técnicos de apoio a menores excluídos de concurso

Uma certa incredulidade domina o tom das conversas no seio de grande parte das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Os técnicos contratados, em regime de outsourcing, para as reforçar estão a ficar fora do concurso público aberto para os integrar.

Frank Robbins