Quinta-feira, 1 de Abril, 2010


Norah Jones, Even Though

Já tinha este texto em papel desde sábado, mas não arranjei tempo para o digitalizar, até porque o material informático sofreu alguns acidentes por estes dias (calma, tudo ficou de novo em ordem, em tempo útil). Está finalmente online e foi-me enviado o link para a prosa em que, por fim, Henrique Monteiro, director do Expresso, abandonou o manto de comendador para escrever um texto a sério e que merece tantas palmas quantas as críticas que lhe dirigi quando escreveu mal sobre Educação.

O texto é absolutamente demolidor para qualquer visado a quem restasse uma pinguinha de vergonha, algures.

A propósito de um falso desmentido de Sócrates

O director do Expresso responde ao primeiro-ministro, que em entrevista ao “Jornal de Notícias” o acusou de não ter falado verdade aos deputados.

No DN pergunta-se num inquérito se está certa a fusão entre disciplinas como História e Geografia (pressupõe-se que no 3º ciclo do Ensino Básico). Felizmente o bom senso tem imperado e mais de 75% discorda.

Aqui farei também uma sondagem desse tipo mas, para não ser acusado de plágio objectivo, deixo aqui outra, referindo que os pressupostos se aplicam aos 2º e 3º CEB e que, também em princípio, se aplicam às disciplinas que têm tradicionalmente feito parte do núcleo duro (mesmo se em perda progressiva, como é o caso da História) do currículo.

Não estou com muita vontade de fazer o longo post que o assunto merece, até porque não conheço a proposta que tanto parece entusiasmar tanta gente.

Julgo mesmo que no próximo dia 28 de Abril vai surgir uma coligação de “Esquerda” pronta a criar um documento que irá fazer desesperar todos aqueles que tiveram esperança em que do actual momento de debate público nascesse algo mais do que uma peça de retórica (e prática) do eduquês político mais comum.

Com o argumento – válido – de que as propostas da “Direita” (leia-se CDS) trazem um elemento potencialmente discriminatório das famílias mais carenciadas, pois só contemplam a penalização através dos mecanismos de apoio do Estado de que não dependem os agregados familiares menos desfavorecidos, deverá sair uma proposta mais ou menos consensual do lado canhoto do Parlamento no sentido de tudo mudar para ficar na mesma ou pior.

As tiradas que se foram ouvindo e lendo – em especial da equipa do ME e dos representantes da Fenprof, mas não só, que continuam num idílio semanalmente renovado por todo e qualquer pretexto de fazer inveja a qualquer par de enamorados – levam-me a esperar o pior.

Os únicos protestos têm origem – natural – na Plataforma de Estudantes liderada por Pedro Feijó que parece não perceber que um estatuto não contém apenas direitos e que há actos que – por muito que pareça politicamente incorrecto – merecem mesmo punição por constituírem desrespeito objectivo pelas regras de convivência em sociedade.

Mas, excepção feita à possibilidade do pessoal não-docente poder aplicar com rapidez medidas correctivas (resta saber como colocar isso em prática…), as alterações que antevejo não são no sentido de tornar este documento melhor do que está.

Mesmo a eliminação esperada das provas de recuperação é capaz de trazer um presente envenenado bem disfarçado.

Isto parta não falar desta negociação ter aberto por completo a porta para, em conjunto com os reajustamentos curriculares, desaparecerem por decreto as repetências do Ensino Básico.

Sei que não é uma regulamentação disciplinar que resolve todos os problemas e perturbações nas escolas, mas a mensagem geral que se transmite é muito importante.

E neste momento parece-me que tudo se encaminha para uma aliança de todos os protagonistas da coreografia negocial em torno da ideologia bem-pensante que já produziu os documentos catastróficos de 1998 e 2008.

Há quem não aprenda mesmo com o passado mais ou menos recente! Deve ser por causa disso que acham a História se pode ensinar às metades de ano lectivo.

E o interessante é que sobre estas matérias há quem não lavre nenhum protesto enérgico, apenas se preocupando em não terem aparecido na televisão.

Pela minha parte, fico à espera do texto das propostas para demonstrar de que forma eles representam um avanço ou um retrocesso em relação ao que existe e já existiu.

Não vou revelar o conteúdo que me chegou de alguém que conhece de perto o inspector em causa (eu não o conheço de lado nenhum). Com os elementos que fiquei a conhecer, apenas poderei dizer que prefiro um inspector novato com muita experiência de trabalho nas escolas do que um tarimbado que já se esqueceu do que é lidar com alunos e professores no seu quuotidiano diário.

É curioso que na notícia se omitam – ou esqueçam – referências à idade e experiência profissional anterior quando, por exemplo, no caso do Leandro ninguém colocou em causa a idoneidade dos profissionais (não interessa sequer quais) que rapidamente apresentaram a tese do não suicídio.

O mais interessante é que quem me facultou as informações, deixando ao meu juízo divulgá-las ou não, me disse que fazer aqui a defesa do inspector em causa poderia levar a que lhe retirassem o processo das mãos, alegando a razão atirada para a imprensa.

Agora pensem…

Novato investiga docente suicida

Manuel Garrinhas foi o escolhido pela Inspecção-Geral da Educação (IGE) para investigar o caso do professor de Música que se suicidou alguns dias após ter sido nomeado inspector.

Depois de fazer o estágio em 2009 e de cumprir o período experimental, Garrinhas foi integrado no mapa de pessoal da IGE, como inspector de carreira, a 1 de Março. A 12 de Março foi-lhe entregue o processo de Luís Vaz do Carmo, docente da EB 2,3 de Fitares (Sintra) que se atirou da ponte 25 de Abril a 9 de Fevereiro. “Deve ser o primeiro processo dele e a sua falta de experiência salta à vista”, acusa uma professora, que solicitou anonimato.

Aliás, nunca repararam que a esta variável está directamente associada a vaidade ostensiva, os decibéis do tom da voz numa conversa e a arrogância em muitas situações do quotidiano?

Sei que posso estar a generalizar um tanto ou quanto abusivamente e que existe um número razoável de excepções, mas como é normalmente dessas paragens chico-espertas que sopram aqueles ventos mesquinhos que gostam de aviltar os professores, nada como não dar a outra face e devolver na mesma moeda.

Qualificação dos patrões é bastante inferior à dos trabalhadores

Nunca a pena de morte ou mesmo pena perpétua. Mas tenho muita dificuldade em aceitar que nestes casos se atire sobre o homicida o manto desculpabilizador da idade, quando os actos foram praticados de forma tão metódica.

Lamento, serei pré-cro-magnon, mas certamente não consigo ser tão pós-moderno que relativize isto até ao ponto da inocuidade.

Jordan matou, mas não passa de um miúdo

Por mero espírito de contradição, não me apetece inventar nada. A realidade já é bem rica a esse respeito. Aliás, acho que a melhor mentira foi aquela de estarem todos satisfeitos uns com os outros acerca das mudanças que querem introduzir no Estatuto do Aluno. Que não são divulgadas, mas meramente aludidas, assim como quem cospe para o ar para ver o sentido do vento e, na ausência do dito, vai acabar por…

Mas há alguém que queira ou tenha esse poder, sem ser o próprio Governo?

Governo não quer baixar subsídio de desemprego

A isto chama-se a completa não-notícia. É uma forma de apresentar a ausência de acção como umaq acção positiva, quase como de resistência à vontade de alguém que não existe.

É preciso que façam melhor do que isto, porque quem seja tão ingénuo ou ignorante para acreditar nisto nem olha para os títulos do Diário Económico.

Quando a violência entra na sala de aula

Eu depois tento colocar o vídeo directamente…

Milton Caniff, Male Call

Gundisalbus, atenção que o Caniff é uma espécie de Deus por aqui, ok…

😉