Por inerência da minha profissão, lido com adolescentes todos os dias. Sou professora de Filosofia e Psicologia e lecciono no ensino público há mais de vinte anos. Sei que sou suspeita para o afirmar, mas acho que sempre tive facilidade em lidar com esta faixa etária.
Crio facilmente com os meus alunos uma relação de empatia, confiança, autoridade e cumplicidade. Sei ouvi-los, compreendê-los, estou atenta às diferenças individuais e às fragilidades tão usuais nestas idades. Mas o problema da minha filha, reconheço, tornou muito mais difícil a minha relação com os meus alunos. Não tenhamos ilusões: qualquer actividade profissional é afectada pela nossa fragilidade emocional, pela simples razão que não conseguimos dissociar as várias componentes que nos caracterizam.
É impossível entrar na sala de aula e deixar à porta os valores em que acredito, as minhas convicções e as minhas emoções.

Link para o primeiro capítulo.