Já o disse há muito tempo. Enquanto lidei com ela, se exceptuar a trigonometria com a qual a relação ainda era mais instintiva do que o habitual, a Matemática sempre se me apresentou clara e objectiva.

Por isso mesmo, acho que é uma das disciplinas onde é mais fácil – desde que exista o hábito e gosto de pensar – conseguirem-se boas notas. Acredito que seja uma mania minha.

Mas ainda hoje me dá algum prazer pedir licença às minhas colegas de Matemática e tentar eu explicar aos alunos ali uma coisa que parece emperrada. Sempre na esperança de ver o clique no olhar deles.

Só que vou assumindo que certas coisas estão adquiridas, desde logo as operações mais básicas da Aritmética.

Engano meu.

Mas mais grave é perceber que essas operações básicas, mesmo se aparentemente indicadas da mesma forma, agora são ensinadas aos miúdos do 1º ciclo de uma forma completamente abstrusa e justificativa dos mais exaltados textos de Nuno Crato, Carlos Fiolhais e muitos outros.

Há uns dias existia um exercício retirado de uma prova de aferição que implicava um cálculo mental simples (45 a dividir por 15). Que nenhum aluno conseguia fazer sem recorrer a um qualquer auxílio. Pediu-se então nque indicassem a conta no caderno e quadro para resolução convencional.

O que se seguiu foi para mim um absoluto momento de horror ao perceber no que transformaram a divisão. Mais grave, cada aluno parecia ter uma opinião diferente sobre como fazer a conta. Mas ainda mais grave é que ninguém conseguia atingir o resultado correcto, fosse qual fosse a abordagem.

A minha colega de Matemática explicou-me então que a Aritmética passou a ser ensinada há uns anos de um modo inovador e que ela própria tinha ficado abismada ao ver as novas abordagens no sentido de facilitar (???) a compreensão dos alunos.

Sendo que na verdade a inovação mos deixou sem:

  • Fazer a operação.
  • Alcançar o resultado.
  • Sentir que é importante fazer as duas coisas acima de forma correcta e, se possível, aos 12-13 anos já de modo automático, mentalmente ou no papel.

Quanto à obra que se segue, comprei-a há uns meses por puro prazer. Fica aqui para todos os colegas que por aqui passem da área da Matemática, com destaque para o Américo Tavares que, por certo, a achará algo elementar. Mas, para mim, destreinado há 30 quase anos da Matemática curricular, já é mais do que suficiente.