Que alguns associam de forma exclusiva, e erradamente, à existência de uma ordem dos professores. Mas que poderia ser um Conselho Superior das Profissões da Educação. Alargado a outras profissões ligadas à Educação.

Mas não é isso que me interessa agora mais.

Estou mais ocupado com a constatação – óbvia – de ser essa uma função que existe principalmente no mundo anglo-saxónico. Os códigos de ética e deontologia da prática docente são muito mais frequentes nos EUA, na Inglaterra, Austrália, no Canadá.

Podemos associar isso a um peso maior da iniciativa privada e ao facto de nesses países muitos professores estarem mais próximos de exercer uma profissão liberal.

Mas se observarmos por outro prisma, também verificaremos que essa tradição de auto-regulação está mais presente em países com uma religiosidade herdeira do movimento da Reforma. Que, ao contrário do catolicismo – lá estou eu a ir beber à teoria clássica de Weber que muito estimo – coloca muito ênfase na responsabilidade individual pelo comportamento de cada um, da vida privada à profissional. O que está de acordo com a tese do livre arbítrio.

Ou seja, mais do que a uma moral que deve ser seguida porque imposta por Deus, a tradição da religiosidade reformada insiste mais no plano ético, imanente, de cada indivíduo.

Pelo que os conceitos de auto-disciplina, auto-controle, auto-regulação estão inscritos de forma secular nas mentalidades, enquanto a tendência católica é a da desresponsabilização individual, resultante da crença numa divindade que tudo regula e nuns artifícios confessionais que tudo redimem.

Nada de novo, eu sei, mas não menos correcto.

Também ajuda a explicar que pelo sul católico se adira com mais facilidade à ideia que existem homens providenciais e que historicamente tenha sido mais fácil impor ditaduras duradouras do que nos países anglo-saxónicos ou do norte da Europa.