Em comentário a um post anterior, o kafkazul escreve que entre os professores em exercício nas escolas não é possível colher uma opinião unânime sobre a orientação de qualquer reforma curricular.

Eu concordaria quanto ao unanimismo, mas discordaria quanto à possibilidade de conseguir consensos muito alargados. Claro que sempre com descontentes, mas muito alargados.

No meu comentário em resposta adiantava que é possível encontrar esse tipo de consensos amplos, na ordem dos 70-80%. Garanto que não tinha ainda espreitado os resultados globais da sondagem de ontem sobre a duração preferida para as aulas nos 2º e 3º CEB.

Há poucos minutos eram os seguintes:

Como é fácil perceber-se, a alteração da duração das aulas – feita com base num projecto inicialmente pensado para o Ensino Secundário – foi feita sem grande concordância dos professores e, apesar dos anos já passados, a maior parte não parece convencido da bondade da experiência.

Falando por experiência própria, enquanto professor de LP, HGP e TIC, eu diria que a experiência só reulta razoavelmente nas aulas de TIC. Quanto a Língua Portuguesa, considero que 50+50, com intervalo, é uma solução muito melhor. E quanto a HGP discordo que, com a actual carga horária (90+45 ou apenas 90 num dos anos do 3º CEB), a opção pelos 90 minutos seja útil.

Esquece-se tantas vezes que os miúdos entre os 10 e os 12-13 anos têm um atention span que não se compadece com blocos de 90 minutos e que o trabalho numa disciplina teórica nem sempre pode ser fragmentado de um modo que acabe por reduzir uma aula de 90 minutos a uma parte verdadeiramente significativa em termos de aprendizagens de apenas 30 ou mesmo 40. Não vale a pena dizer-se que se podem fazer fichas, pintar mapas, etc, etc. Isso será verdade, mas não é menos verdade que dessa forma se torna quase impossível cumprir minimamente qualquer programa disciplinar.

Mas não é só quanto à duração das aulas que se podem encontrar consensos. A redução das ACND também é algo quase pacífico, mas sobre isso se seguirá, do mesmo modo, uma sondagem, assim como sobre temas eventualmente menos consensuais como a transformação de certas áreas transversais em espaços curriculares creditados.