Buraco da fechadura

Onde estão os factos da ‘Face Oculta’ na versão ‘atentado ao Estado de Direito’? É simples: durante uma investigação judicial legítima em que Armando Vara e Paulo Penedos são suspeitos de ajudar um empresário aparecem conversas com um administrador da PT que indiciam a manipulação da empresa para comprar e controlar editorialmente a TVI; condicionar a liberdade editorial do ‘Público’; criar um condicionalismo ao Presidente da República, indiciando que Cavaco Silva será vulnerável a alegados negócios a propor a um familiar.

O negócio da PT visaria afastar José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, mas nas conversas entre o dito administrador da PT e o seu assessor jurídico são anunciadas “grandes mudanças na Comunicação Social”. Não será, por si, um crime. O crime pode estar no uso e manipulação de bens públicos, abuso de poder, etc.

Mas seria mais saudável investigar do que abafar. Tal como seria politicamente melhor discutir esta ideia de move-tira-põe-mexe em jornais e televisões que atravessa as conversas dos dois jovens quadros do PS. Mau é reduzi-las a “conversas privadas” e a sua divulgação a “jornalismo de buraco de fechadura”. Isso chama-se desespero porque o que elas evidenciam são negócios de sarjeta ao serviço de uma política de sarjeta cujo escrutínio obrigatoriamente nos interpela.