Há umas horas uma antiga amiga, que me conhece desde antes do sol posto, dizia-me por mail que quase me desconhecia de tão pacífico (hélas, alguém que o ache…) que eu ando. Há menos horas uma comentadora residente aqui do blogue insistia, igualmente por mail, para que eu não me deixasse ultrapassar pela História, que isto agora é uma indignação que só acaba com a tomada da Bastilha (estou a caricaturar, Reb, eu sei…) e que gostava de me ver .

O problema é que não me apetece ver-me, seja onde for. Estou numa de não me apetecer estar lá. Estou aqui e vou estando. Quanto a pacífico penso que não propriamente e podem perguntar àquele simpático moçoilo que hoje ia arrastando a sola emborrachada dos seus ténes pelo chão do corredor, defronte da minha sala de aula, indo e vindo numa manifestação de liberdade que me estava a cansar um pouco os tímpanos e a desinquietar os jovens que bebiam (a custo…) a minha prelecção sobre a classe dos nomes. À quinta vez que falou, após curta e incisiva interpelação, é que lhe ocorreu a conjugação do verbo desculpar, o que podia ter sanado as coisas ao começarem e assim se prolongaram com evidentes riscos de fricção.

Para além disso a minha religião impede-me de participar em manifestações aos dias úteis da semana, para mais em horário laboral. Prefiro os dias que, por omissão, serão inúteis para me manifestar.

Quanto à indignação, já tem um pai, ou avô, ou o que seja, na forma de Soares, o Mário, pelo que não precisam de mais nenhuma rotundidade a indignar-se por Lisboa.

Opto por deixar a podridão seguir o seu curso. Que deve ter diploma a um domingo. Em papel timbrado. E cairá, isso certamente cairá. Por força da gravidade.

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