Domingo, 31 de Janeiro, 2010


O título e a ideia, só por si, são polémicos.

E verdade se diga que o objectivo também é algo provocatório, em tempo de muitas queixas.

Vejamos: muitos de nós, eu incluído, nos queixamos da desautorização com que o ME e a sua corte de estudiosos eduqueses têm provocado a erosão dom papel do professor. Assim como há múltiplas queixas relativamente ao peso burocrático existente na Escola Pública, a má orientação pedagógica e metodológica dos programas, da organização curricular, etc, etc.

Em contrapartida, há uma relação de admiração-ódio quanto ao ensino privado, em particular aos bons exemplos, que apresentam resultados e não é raro dizermos que isso se deve à forma como eles gerem de modo autónomo o seu funcionamento. E não falo apenas dos critérios selectivos na admissão, mas em especial dos métodos e hábitos de trabalho, que privilegiam o rigor e bloqueiam os facilitismos que a 5 de Outubro impõe nas escolas públicas.

Perante isso, acho que um dos caminhos – que entre nós quase não é trilhado e quando o é nem sempre é da forma mais correcta – para a demonstração da razão que assiste a muitos professores seria a criação de escolas de tipo cooperativo por parte de grupos de professores que partilhassem um mesmo modelo de ensino, não ditado apenas pelo negócio.

Claro que não é algo fácil de erguer perante a concorrência existente, a burocracia ministerial – pelos vistos só na oferta de pré-escolar é que se deu uma espécie de boom selvagem há uns anos atrás – e os meios financeiros que é necessário mobilizar.

Claro que não estou a falar em projectos que assentem na utilização de mão-de-obra barata ao serviço de quem depois acumule o lugar de professor no ensino público e funções, em acumulação formal ou disfarçada, no sector privado.

Falo mesmo em projectos criados de raíz, com uma identidade própria, um corpo docente coerente na sua visão do ensino e objectivos claros.

É óbvio que já existem projectos deste tipo. Mas a verdade é que a oferta é algo reduzida, em especial a partir dos 2º e 3º CEB, fora dos grandes centros urbanos. E muito menos em zonas problemáticas.

Não me estou a oferecer para algo do género, pois ainda acredito que é possível regenerar a Escola Pública a partir de dentro. Mas quem já disso desacreditou e considera que tem ideias mais válidas, que nunca serão colocadas em prática na directa dependência do ME, esta seria uma boa forma de demonstrarem a sua razão.

É por isso que me agradam, ao contrário da ideia do cheque-ensino, as propostas que pretendem que o sistema público de ensino contemple sempre que a procura o justifique escolas com gestão privada mas com contratos de serviço público com o Estado, um pouco à moda das charter-schools.

  • Como o ensino privado pode provar que os docentes têm razão.
  • O que realmente falta nas escolas para que os professores façam um melhor trabalho.
  • Como o modelo ministerial de ADD pode servir o mau corporativismo docente.

Franklin Spear, Manhã de Domingo (a data queria eu saber…)

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