Estamos num momento de acalmia e amolecimento relativo. O acordo, em conjunto com um novo processo negocial distendido no tempo (agora já não há urgência em reunir todas as semanas até de madrugada)  tinha, entre diversos outros, esse objectivo de anestesiar um pouco o clima nas escolas.

Não se vislumbra no horizonte próximo nenhuma convergência massiva de descontentes para lado nenhum – e não será dia 5 que vai acontecer, digamos o que dissermos – e, por isso mesmo, é talvez altura de se pensar com alguma serenidade para que (também) serve este espaço novo de debate e circulação de informação que é a blogosfera.

  • Devem os blogues animados por professores e com temáticas mais politicamente empenhadas nas questões educativas, numa perspectiva mais próxima dos docentes, continuar apenas ou predominantemente a tratar de questões relativas à luta? Entrar – ou continuar – numa fase de piloto automático, em que se procuram tocar de forma repetida os pontos sensíveis e estimulantes de quem está mais motivado para a contestação e crítica do que chega de cima?
  • Ou devem os blogues substituir ou complementar esse tipo de intervenção, com uma acção de um tipo reflexivo diferente, lançando outros temas para discussão, apresentando elementos para uma compreensão mais alargada das questões que constituem e envolvem o processo educativo?

A resposta de curto prazo, de quem prefere colher os louros da contestação permanente é a de se continuar com mais do mesmo, disparando sobre tudo o que mexe e repetir ad nauseum o mesmo argumentário, secundarizando todas as outras temáticas e tornando-se uma espécie de câmara de eco dos espaços específicos do movimento sindical ou aparentado?

A resposta que olha para médio e longo prazo, mesmo que à custa da diminuição (aparente, por vezes só aparente) das audiências e comentários inflamados, é a que aposta na discussão de temas que farão, obrigatoriamente, parte da agenda educativa dos próximos anos: a discussão em redor da configuração do sistema educativo, não apenas quanto à reorganização curricular, mas igualmente em relação ao necessário aperfeiçoamento do modelo de gestão escolar, à conjugação entre sector público e privado, à formação (inicial e contínua) dos docentes, aos modelos pedagógicos dominantes em cada área disciplinar/científica, à incorporação das novas tecnologias de um modo eficaz na sala de aula.