Esteve hoje de manhã na Gulbenkian, a apresentar uma conferência com tema apelativo, Paul Pastorek, o superintendente do Louisiana para a Educação que tem tentado implementar um programa ambicioso e a longo prazo de reforma do sistema educativo estadual.

É um programa que, goste-se ou não, tem princípios coerentes e está ser desenvolvido numa perspectiva de médio-longo prazo, com todo um aparato de ferramentas e materiais que revelam uma adequada preparação e implementação. Claro que se baseia na definição de objectivos claros para o que se pretende dos alunos no final dos ciclos de estudos e do que se quer dos professores (que os alunos a seu cargo melhorem os resultados), tudo envolvido num sistema de aferição e exames que está a léguas-luz das nossas práticas ditadas por modas e calendários eleitorais.

O problema é que há quem por cá não tenha percebido que este é um programa público para melhorar o desempenho do sistema público de ensino, mesmo se numa perspectiva americana do que é público (rede tradicional e rede de charter schools).

O que é algo que merece a nossa atenção e, no mínimo, uma análise atenta.

Não é esse o caso de quem afirma, como estandarte da acção de Pastorek, que «o Estado da Louisiana (EUA), onde existe liberdade de educação, tem investido em sistemas de formação de professores e de avaliação dos seus docentes».

O que está em causa não é a liberdade – no sentido de liberalização ou privatização – da Educação. O que está em causa é a qualidade do sistema educativo, com base numa estrutura coerente de aferição e testagem desse mesmo sistema, que responsabiliza todos os intervenientes, com ênfase nos professores.

O curioso é que há quem, em nome da liberdade da Educação, no sentido da liberalização e aligeiramento do papel do Estado, aponte como farol, alguém que actua de forma bastante assertiva a partir de um cargo público, visando explicitamente as crianças entregues ao sistema público de ensino, como o próprio afirma:

As I tend to the complex issues related to public education, I am guided by one key focus — the 650,000 children enrolled in our public schools and our responsibility to provide them with an educational experience that allows them to thrive throughout their lives.

O que está em causa é a qualidade e como a alcançar, neste caso numa perspectiva até bastante centralista.

Que a solução encontrada para uma melhoria mais rápida dos resultados sejam as charter schools e não os cheques-ensino é um detalhe que muitos por cá tendem a ignorar.