Sexta-feira, 29 de Janeiro, 2010


All Saints, Black Coffee

Embora já seja de 1998, sempre é da Harvard Business Review:

Six dangerous myths about pay

(…)
Many organizations devote enormous amounts of time and energy to their pay systems, but people, from senior managers to hourly workers, remain unhappy with them.
Organizations are trapped in unproductive ways of approaching pay, which they find difficult to escape. The reason, I would suggest, is that people are afraid to challenge the myths about compensation. It’s easier and less controversial to see what everyone else is doing and then to do the same. In fact, when I talk to executives at companies about installing pay systems that actually work, I usually hear, “But that’s different from what most other companies are saying and doing.”
It must certainly be the case that a company cannot earn “abnormal” returns by following the crowd. That’s true about marketplace strategies, and it’s true about compensation. Companies that are truly exceptional are not trapped by convention but instead see and pursue a better business model.
Companies that have successfully transcended the myths about pay know that pay cannot substitute for a working environment high on trust, fun, and meaningful work. They also know that it is more important to worry about what people do than what they cost, and that zero-sum pay plans can set off internal competition that makes learning from others, teamwork, and cross-functional cooperation a dream rather than the way the place works on an everyday basis.
There is an interesting paradox in achieving high organizational performance through innovative pay practices–if it were easy to do, it wouldn’t provide as much competitive leverage as it actually does. So while I can review the logic and evidence and offer some alternative ways of thinking about pay, it is the job of leaders to exercise both the judgment and the courage necessary to break with common practice. Those who do will develop organizations in which pay practices actually contribute rather than detract from building high-performance management systems. Those who are stuck in the past are probably doomed to endless tinkering with pay; at the end of the day, they won’t have accomplished much, but they will have expended a lot of time and money doing it.

Ainda do mesmo relatório citando abaixo, os resultados comparativos entre as charter schools e a rede pública tradicional em termos de leitura e cálculo.

Como já também escrevi, isto não é um ataque ou uma defesa, é uma mera apresentação de factos apurados na terra mãe de todo o liberalismo educativo que indicam que as soluções mágicas não existem.

O que muitas vezes acontece é uma apresentação parcial desses mesmos factos.

Em termos particulares há experiências boas e experiências más. Em termos globais a variação é quase nula, para não se dizer que é residualmente negativa.

Em termos práticos e em terminologia técnica isto designa-se por TANTO FAZ.

Um relatório recente, de uma organização favorável à solução, revela algo que não deixa de ser curioso: se é verdade que as melhores experiências são boas, não é menos verdade que, globalmente, as charter schools não revelam ganhos significativos em relação à rede escolar pública tradicional, estando mesmo os resultados abaixo da média.

A score of “0” means there is no difference between the charter school performance and that of their TPS comparison group. More positive values indicate increasingly better performance of charters relative to traditional public school effects and negative values indicate that charter school effects are worse than what was observed for the traditional public school effects.

Esteve hoje de manhã na Gulbenkian, a apresentar uma conferência com tema apelativo, Paul Pastorek, o superintendente do Louisiana para a Educação que tem tentado implementar um programa ambicioso e a longo prazo de reforma do sistema educativo estadual.

É um programa que, goste-se ou não, tem princípios coerentes e está ser desenvolvido numa perspectiva de médio-longo prazo, com todo um aparato de ferramentas e materiais que revelam uma adequada preparação e implementação. Claro que se baseia na definição de objectivos claros para o que se pretende dos alunos no final dos ciclos de estudos e do que se quer dos professores (que os alunos a seu cargo melhorem os resultados), tudo envolvido num sistema de aferição e exames que está a léguas-luz das nossas práticas ditadas por modas e calendários eleitorais.

O problema é que há quem por cá não tenha percebido que este é um programa público para melhorar o desempenho do sistema público de ensino, mesmo se numa perspectiva americana do que é público (rede tradicional e rede de charter schools).

O que é algo que merece a nossa atenção e, no mínimo, uma análise atenta.

Não é esse o caso de quem afirma, como estandarte da acção de Pastorek, que «o Estado da Louisiana (EUA), onde existe liberdade de educação, tem investido em sistemas de formação de professores e de avaliação dos seus docentes».

O que está em causa não é a liberdade – no sentido de liberalização ou privatização – da Educação. O que está em causa é a qualidade do sistema educativo, com base numa estrutura coerente de aferição e testagem desse mesmo sistema, que responsabiliza todos os intervenientes, com ênfase nos professores.

O curioso é que há quem, em nome da liberdade da Educação, no sentido da liberalização e aligeiramento do papel do Estado, aponte como farol, alguém que actua de forma bastante assertiva a partir de um cargo público, visando explicitamente as crianças entregues ao sistema público de ensino, como o próprio afirma:

As I tend to the complex issues related to public education, I am guided by one key focus — the 650,000 children enrolled in our public schools and our responsibility to provide them with an educational experience that allows them to thrive throughout their lives.

O que está em causa é a qualidade e como a alcançar, neste caso numa perspectiva até bastante centralista.

Que a solução encontrada para uma melhoria mais rápida dos resultados sejam as charter schools e não os cheques-ensino é um detalhe que muitos por cá tendem a ignorar.

Mas quantos contratos de autonomia estão assinados? Quantos estão em preparação? Em que moldes? Que grau de efectiva autonomia existe, sem ser a que deriva de uma certa modalidade de caciquismo?

Porque a autonomia das escolas é um caminho, mas nem sempre pode ser o único caminho e nada disto pode acontecer sem que existam regras claras e transparentes de funcionamento.

Nada disto pode funcionar aos sacões, com contratos assinados em lotes para efeitos mediáticos. É preciso ter alicerces sólidos e uma cultura de rigor na extensão da autonomia financeira e pedagógica ao maior número possível de agrupamentos e escolas.

E é essencial a tal monitorização – diferente de controle à distância – dos resultados dessa autonomia. Porque, caso contrário, caímos naquela situação dos hospitais com gestão privada, em que não se percebe se a experiência valeu a penas ou não, de tão confusos que são os diagnósticos.

Isabel Alçada assegura que processo de autonomia das escolas continua

Isabel Alçada garantiu-o esta manhã, na Maia, no decorrer do Conselho de Escolas, depois do ex-ministro da Educação o ter pedido durante este fim-de-semana numa conferência na Universidade Católica. Marçal Grilo aludiu à necessidade dos estabelecimentos poderem adoptar o seu próprio projecto educativo sendo, ao mesmo tempo, autónomos da subsidiação estatal.

A ministra fala dum processo que está no caminho certo: “Um processo em que se reforça também a autonomia financeira, administrativa e pedagógica para que haja um maior autocontrolo da produtividade. Há um processo de abertura de novas candidaturas – para celebração de contratos de autonomia – mas, em simultâneo o Conselho de Escolas em colaborarão coma tutela está a organizar formação específica sobre vários domínios relacionados com as diferentes dimensões do trabalho de gestão da direcção das escolas”.

A governante defendeu também a criação de mecanismos de monitorização nas escolas para que seja possível obter melhores resultados de aprendizagem dos alunos. “Os resultados de aprendizagem dos alunos são o essencial da actividade educativa. É indispensável criar mecanismos de monitorização na gestão da aprendizagem dos alunos”.

Na sua opinião é preciso uma escola mais eficaz, com melhores resultados pedagógicos, sendo para isso necessário que se faça uma avaliação de todas as iniciativas e dos esforços realizados.

Não é para tomar partido por nenhum dos lados que se degladiam de forma mais aberta ou dissimulada na praça pública sobre a gravidade da chamada gripe A.

É apenas uma espécie de ponto prévio a qualquer discussão que se queira racional.

Se a real gravidade de uma pandemia se mede pelo número de mortos, como se mede a qualidade da reacção e prevenção contra essa pandemia?

Repito: não tenho conhecimentos para aferir da real gravidade da ameaça que constitui(u) o vírus H1N1 e se essa gravidade foi empolada por laboratórios e grupos económicos para proveito próprio. É óbvio que sei que existem formas diversas para manipular medos e pânicos de massas (lembram-se de uma outra crise mais específica entre nós, há não muito tempo, em torno de uma mão-cheia de casos de morte por meningite?) e que neste mundo muitas coisas acontecem porque as fazem acontecer.

Mas também confesso que prefiro que uma pandemia seja prevenida por excesso do que tenham de morrer muitos milhares de pessoas para se provar da sua efectiva gravidade.

Para equilibrar tudo, até deixo aqui um cartoon sobre o assunto:

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