Quinta-feira, 28 de Janeiro, 2010


Julian Casablancas, 11th Dimension

Ali a partir dos 46 segundos há uma linha de baixo que eu juro que já ouvi num disco dos New Order…

Alunos da orquestra juvenil de Vialonga têm aulas em casas de banho

A falta de espaço no Centro Comunitário de Vialonga obriga os professores a aproveitar todos os cantinhos para dar aulas individuais aos alunos da orquestra juvenil. Inclusivamente as casas de banho. A câmara diz que estão reunidas as condições mínimas e prevê apenas obras de manutenção.

Há alunos da Orquestra Juvenil de Vialonga a ter aulas em casas de banho. O aumento do número de jovens – de 120 para 160 no presente ano lectivo – levou à ruptura do Centro Comunitário de Vialonga (CCV), local onde diariamente os jovens recebem a instrução musical.

“Os professores já utilizam todo o espaço disponível e cada cantinho existente por aqui. Neste momento há aulas individuais a serem dadas em casas de banho. É uma situação de ruptura e este é um problema sério”, revelou a presidente do Agrupamento de Escolas de Vialonga a O MIRANTE, poucos momentos depois do vereador da educação da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ter entregue novos instrumentos no valor de 10 mil euros à orquestra.

Para Armandina Soares, que é também a grande impulsionadora do projecto da orquestra iniciado em 2004, o centro comunitário precisa de uma intervenção que “o requalifique e reorganize, criando-se espaços mais pequenos, para que todos os alunos possam ter aulas individuais”.

No espaço sobre Educação do jornal The Guardian.

At five, a third of poor boys cannot write their names, report says

Almost three-quarters of boys on free school meals are failing to keep pace with their peers, official figures show

Estou a fazer os possíveis por resistir a escrever que pelas nossas bandas nem aos 10… e não é preciso vir só falar dos carenciados…

É com base nestes quadros dos Orçamentos de Estado para 2009 e 2010 que é possível analisar dois factos interessantes: por um lado as despesas com pessoal sobem, em termos absolutos, 8,1% mas, por outro, o peso dessa rubrica no total do orçamento para o ME desce de 72,6% (não está no quadro de 2009 mas a conta faz-se facilmente) para 72,3%.

O que significa que mesmo em ano de progressão na carreira para muitos milhares de professores congelados desde 2005 e de extensão da escolaridade obrigatória para doze anos, há uma redução das despesas com o pessoal.

O que não deixa de ser curioso, em especial se os analistas não-egoístas conseguissem atingir mais do que a superfície das coisas.

Já o escrevi algures neste blogue: acho Rui Ramos um historiador muito bom, sendo que é raro usar este tipo de apreciação para aqueles que exercem de um ofício em que eu sou mero biscateiro.

Enquanto analista político e social acho-o mediano-quase-bom, mais um fruto da moda do momento do que de outra coisa. Atira assim uns laivos de direita inteligente, que é coisa que nem é assim tão rara como dizem.

O problema é quando ele próprio se acha giro, aí é que borra a pintura toda. Qual MST em início de carreira, Rui Ramos elege como pior momento da governação deste mandato (cf. Visão de hoje, p. 38), o acordo entre o ME e os sindicatos de professores. As opiniões são livres, pelo que respeito a de Rui Ramos. Assim como acho que ele compreende que eu ache que tal opinião é uma parvoíce, em especial a da intransigência egoísta.

Chegou-me por mail amigo, esperando que não por mão aborrecida com o meu reparo, a indicação que os 0,8% surgem daqui (p. 311 do OE para 2010):

MOVIMENTO ESCOLA PÚBLICA
IGUALDADE E DEMOCRACIA

Aqui poderão encontrar e descarregar o documento em aberto que servirá de ponto de partida para a reflexão que se pretende ter no decorrer do II encontro do MEP. Dessa discussão sairá o documento final que ajudará  a orientar a conduta do Movimento no próximo ano.

Link para o DOC.

Link para mais informações sobre o encontro

II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública

O sucesso não são números.
Cem mil é muita gente.
As turmas também.
O governo fecha os olhos.
Autoridade cheira a mofo.
Falta educação.
Fraca é a literacia.
Os professores dão luta.
Os alunos merecem mais.
Há escola para além do acordo.
O dinheiro não manda nela.
Juntos mostramos como.

O movimento escola pública reúne-se para reflectir sobre tudo aquilo por que luta.

30 de Janeiro, Sábado, 14h30
Biblioteca da Escola Secundária de Camões
(Praça José Fontana, Lisboa, Metro Picoas – Entrada pela porta principal)

A  ACTRIZ-DEPUTADA

Consta que a descendente – júnior de um famoso músico da nossa praça teve de sacrificar a sua vida pessoal e familiar para poder fazer um grande “favor” ao país: Ser deputada.

Questiona-se:

Terá sido por não haver em Portugal gente capaz de desempenhar cargo tão absorvente e difícil, só ao alcance de super-humanos?

O problema é que a jovem senhora reside em Paris. De onde, e para onde, tem de se deslocar  todos os fins de semana, com os inevitáveis e adjacentes transtornos: a despesa diária em Lisboa que , segundo parece, ronda os quinhentos  e vinte e oito euros por dia, mais o que tem de desembolsar semanalmente para o avião.

Alguns não entendem porque é que os socialistas foram tão longe desinquietar alguém para ser deputada. São dois mil quilómetros de distância, não são dois mil metros!…

Mas Descartes ensinou-me a cogitar… e …

Descobri duas razões ( podendo haver mais, mas por estas me fico…):

Primeira: a deputada é muito bonita. E, sabe-se como a beleza feminina pode provocar comichão àquela Assembleia maioritariamente masculina, despertando-a do bocejo e do tédio que sente e nos faz sentir a nós próprios.

Segunda: a deputada é actriz. Ora, todos nós percebemos a dificuldade do “novo” P.S. em ter no parlamento alguém que saiba representar tão bem como certos “actores” que saíram de palco ( como Augusto Santos Silva).. Acresce que uma deputada que saiba representar reaviva, um pouco que seja,  aquele grupo  de ventríloquos abandonados que compõem o cenário burlesco da maior parte daquela bancada.

Cunha Ribeiro

Desde ontem que leio e releio as notícias sobre o OE para 2010 e não consigo acreditar em tamanho disparate. Em todos os jornais e revistas se diz que o sector da Educação vai ter um acréscimo de 0,8% em relação ao ano passado.

Mas depois apresentam os seguintes valores (remeto para notícia do Público mas que é similar a diversas outras) para o sector da Educação nos Orçamentos para 2009 e 2010: 6666,7 e 7275, 7 milhões de euros.

O que significa um acréscimo de 609 milhões de euros.

O que é algo como 8,1% na terra onde aprendi a calcular percentagens.

Porque se há coisa que eu desgosto imenso é de se usarem números tão evidentemente errados para defender posições, mesmo que eventualmente correctas.

E neste caso é toda a comunicação social e comentadores a reagirem preguiçosa e pavlovianamente a um qualquer mail da Lusa (como depreendo daqui) ou notícia posta a circular sem qualquer fact-checking.

Absolutamente…

Adenda: Remeto para novo post meu, onde se esclarece a origem dos 0,8%, algo não explicado na generalidade das notícias que li, mas o que levanta o seguinte reparo: então os acertos salariais com os docentes têm tão pouco impacto no OE?

Vampire Weekend, White Sky,

Ainda não encontrei o vídeo – se o há – mas é impossível resistir a esta espécie de Graceland para o novo milénio, agora que o Paul Simon está retirado das lides rítmicas.

Ainda antes de se conhecerem as opções concretas sobre a reforma curricular, já temos um daqueles grupos de trabalho formados sempre pelos mesmos para estudar, debater e torcicolar em torno de uma área que já se percebe que tem lugar cativo nos currículo reformado, restando saber se é para ter a mesma inutilidade de outras áreas similares, frutos da reflexão eduquesa, bem intencionada, politicamente correcta, mas substancialmente boffffff…..

Para além de fazer imensa falta a muita gente é o tema de diversos livros que o Livresco me enviou esta madrugada em formato pdf , um pouco por causa daquela problemática dos rapazes terem sido ultrapassados pelas raparigas no desempenho escolar.

Para além de ter sido tema parcial do meu doutoramento, o domínio da Educação pelo sexo (a palavra género também a uso, mas einfim, acho que é um bocadinho coiso, de quem elabora um pouco mais)  feminino é uma evidência há muito nos países mais desenvolvidos, sendo uma etapa já quase ultrapassada no caminho para um maior domínio das mulheres em todos os planos da sociedade.

Há meia dúzia de anos despertei uma fúria benevolente num encontro com temática feminista quando disse que as mulheres só não dominam o mundo porque demoram demasiado tempo a discutir o assunto em vez de agirem.

Vamos ser francos, os homens só têm a seu favor o poder físico, que a esperteza e inteligência está globalmente mais do lado das mulheres.

Isto não é resultado de um estudo socio-antropo-sociológico aprofundado, é apenas uma evidência empírica.

Mais logo voltarei, e certamente voltaremos, ao tema, numa perspectiva mais acutilante do que fracturante.

Uma greve muito complicada de gerir em termos de opinião pública pela única classe profissional que, para além dos professores, tem mostrado garra na defesa dos seus direitos e da sua dignidade contra um Governo refém dos caprichos jardinescos e sem lobbies de bastidores

Sindicato dos enfermeiros diz que adesão à greve anda pelos 90 por cento

Num primeiro balanço provisório da greve dos enfermeiros que hoje se iniciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) estima que, no turno da manhã, tenham aderido 90 a 95 por cento dos profissionais, disse o presidente da estrutura, José Carlos Martins. Já o Ministério da Saúde diz que a adesão andou pelos 77 por cento.

O actor consumado:

Finanças regionais. Sócrates ameaçou demitir-se

O primeiro-ministro deu a entender a Ferreira Leite que poderia ir embora se a lei da Madeira fosse aprovada tal como está.

Ainda no outro dia comentava com um amigo até que ponto o nosso primeiro é transparente naquelas encenações, só sendo estranho como ainda há quem acredite que é convicção aquilo que é apenas encenação da indignação.

Matisse, Janela Aberta (1905)