Domingo, 24 de Janeiro, 2010


7,5€ e 5€, respectivamente. Aceita-se…

Sócrates defende que requalificação das escolas é uma forma de combater a crise

O primeiro-ministro defendeu este sábado que o investimento público que está a ser feito na requalificação do parque escolar é uma forma de combater a crise e aumentar o número de postos de trabalho. José Sócrates convidou mesmo os portugueses a visitar as escolas.

Então vamos lá a isso:

“Garcia da Orta” cai aos pedaços

Tombaram tectos e portas na escola renovada

Queda de tectos, fugas de gás e infiltrações de água estão a assustar os alunos da Escola Secundária Garcia de Orta, no Porto. Os incidentes sucedem-se, em pavilhões inaugurados no ano passado, e a Parque Escolar anunciou uma auditoria externa.

A descrição de tudo o que tem acontecido nos pavilhões estreados este ano lectivo ocupa meia folha A4 e, para a Associação de Pais de Pais e Encarregados de Educação da Garcia (APGO), que ontem promoveu uma conferência de Imprensa à porta da escola, o que está a acontecer “não tem explicação e são falhas gravíssimas num equipamento novo”.

Curto-circuito encerra escola na Guarda

A Escola Secundária Afonso Albuquerque, na Guarda, foi evacuada esta sexta-feira de manhã devido ao risco de incêndio que teve origem numa avaria nos quadros eléctricos da escola.

Em declarações à Lusa, o coordenador do serviço municipal de Protecção Civil, Granja de Sousa, afirmou que a evacuação ocorreu com normalidade e que se prevê “que ainda hoje o problema fique resolvido pela EDP, ao nível  do exterior, e pela escola, na parte interior, ao nível dos quadros eléctricos  que colapsaram”.

(…)

A escola está em obras ao abrigo do Programa de Requalificação do Parque Escolar, que engloba a construção de dois novos blocos e de um pavilhão desportivo, bem como a recuperação dos edifícios já existentes.

Soares dos Reis precisa de material

(…)

É o subdirector da instituição, José António Fundo, que denuncia a situação, ao JN, explicando que é preciso os professores “fazerem das tripas coração” para conseguirem dar aulas. Em causa, segundo o docente, está “a responsabilidade da Parque Escolar que, unicamente, requalificou e modernizou a antiga escola secundária Oliveira Martins”.

“Por mais que a parceria com a Parque Escolar tenha sido essencial para a mudança da escola da Rua da Firmeza, esta não é responsável pelos equipamentos”, afirmou José António Fundo. “Embora a escola tenha uma reggie com os materiais mais modernos, os alunos têm apenas à disposição uma única câmara de vídeo”.

Gil Vicente com projecto estranho, má construção e fiscalização nula

Secundária da Graça foi abrangida pelo programa de modernização, mas a comunidade escolar sente-se defraudada com a qualidade dos trabalhos.

Ninguém assume a responsabilidade, pelo que é exposto, por péssimos projectos e construção, iniciada em Julho de 2008. A dona da obra é a Parque Escolar, sociedade de capitais públicos constituída para coordenar a renovação das escolas, que até 2011 abrangerá mais de 200 obras e gastará 1200 milhões de euros. A fiscalização compete ao Ministério da Educação, que até agora, segundo o conselho geral do Gil Vicente, nada fez.

Sempre que chove, a água cai nos soalhos de um dos novos edifícios já em utilização na escola secundária com 2º e 3º ciclos de Gil Vicente, na estreita Rua da Verónica, que sobe desde o Campo de Santa Clara até ao Largo da Graça, em Lisboa. A comunidade escolar sente-se incomodada e os corpos directivos e o conselho geral dizem-se impotentes para resolver a situação. Esta, e muitas outras, pois o rol das queixas escorre em 12 páginas. Vai assinado pela direcção, conselho geral, associações de pais e estudantes. Inclusivamente, já foi apresentado no Parlamento pelo PCP.

Mas há mais…

Se espiolharem bem, é mais grave do que o Magalhães

O Livresco está a tentar reanimar aquele meu velho disco moribundo. Parece que não está morto e até respira, mas está pouco cooperante.

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES

Continuando a temática na ordem do dia e a gerar posicionamentos divergentes entre os diversos actores envolvidos, ocorreu-me fazer algumas considerações relativamente à avaliação de professores.

Os professores desejam a avaliação, mas desejam sobretudo que essa avaliação seja um momento de dignificação do acto educativo e do educador, enquanto pessoa e profissional!

Para que a avaliação seja direccionada nesse sentido é indispensável expurgá-la, não apenas de aspectos excessivamente burocráticos, mas, acima de tudo, de todo e qualquer mecanismo de natureza discricionária que possa conduzir à arbitrariedade, que permita situações de favorecimento pessoal associados à luta de poder existente nas escolas. A avaliação não pode ficar prisioneira dessas querelas e ser usada como instrumento gratificador ou penalizador dos docentes.

Nesse sentido, com ou sem objectivos individuais, com ou sem aulas assistidas, é fundamental encontrar uma fórmula que garanta que a avaliação dos professores é efectivamente um mecanismo de promoção da qualidade e do mérito, em prol de um ensino público de qualidade.

Para que tal aconteça, é necessário despir o processo avaliativo de critérios de subjectividade e dotá-lo de instrumentos que garantam total isenção.

Aqui surge a questão de quem vai avaliar os professores. Seria de todo interesse que a avaliação fosse levada a cabo, na minha perspectiva, por uma comissão constituída por um elemento especializado, externo à escola e nomeado pelo ME, uma elemento indicado pelo Conselho Pedagógico e um professor escolhido pelo docente avaliado e conhecedor do trabalho por este desenvolvido. Penso que assim estaria encontrada uma fórmula equilibrada com efectivas garantias de qualidade e isenção da avaliação dos professores.

Havendo justiça no processo, haverá paz nas escolas!

Henrique Monteiro

* – A confirmar. Se confirmarem, é adequado pensar-se que será em conjunto.

Primeiro objectivo cumprido: usar prolegómeno no título de um post.

Agora as coisas mais sérias.

Sobre a reforma curricular, antes da definição de cargas horárias ou mesmo dos conteúdos programáticos (e tenham em atenção que não é compreensível definir-se um programa sem se saber quantas horas existirão para ele ser leccionado…) há que tomar uma opção de fundo relativa à filosofia da reforma que se pretende.

Há duas hipóteses básicas:

  • A reforma modernaça, toda adepta das teorias em voga nos anos 90 e já novo milénio, em que aquilo que mais interessa sãos as transversalidades, interdisciplinaridades e articulações variadas, traduzindo-se essa perspectiva na irrupção de Áreas e Educações para todas as cores e sabores no currículo, de preferência com uma avaliação soft de tipo qualitativo e pouco formal, melhor ainda se for sem efeitos na (não) progressão dos alunos. É o tipo de reforma em que à excepção da Língua Portuguesa, Matemática – por causa dos exames internacionais – todas as áreas ditas tradicionais perdem horas em favor das Educações para a Saúde (que entra pelas Ciências Naturais dentro) ou para a Cidadania (que destrona a História), assim como para aqueloutras coisas que dão pelo nome exemplar de áreas curriculares não disciplinares. É aqinda o tipo de reforma que traz consigo uma imensa carga ideológica vocacionada para o sucesso, em que as TIC entram como se fossem chave-mestra e panaceia para todos os males, como se fosse possível aprender apenas googlando, escrever e calcular porque se conhecem as funções do Word e Excel, criar e conceber um trabalho porque se é exímio nos efeitos do Powerpoint, Moviemaker ou Photoshop. Em que, se a coisa for bem pensada, jogar Sims substitui a Geografia. É uma reforma curricular em que se defende a existência de grandes áreas do saber e em que, dessa forma, recuamos uns milhares de anos na diferenciação disciplinar, preterida pela ideologia da indiferenciação do conhecimento. É o tipo de reforma que, em defesa da modernidade pós-pós-moderna, se esquece que o presente e o futuro próximo exigem polivalência do trabalhador raso, mas uma cada vez maior especializaçção do trabalhao qualificado. É uma reforma curricular destinada a desenvolver competências primárias, transmitir conhecimentos ultrabásicos e em que os alunos ficam preparados para um pouco de tudo e em especial para nada.
  • A reforma mais conservadora, que combate a fragmentação disciplinar existente por exemplo no 3º ciclo com o reforço das disciplinas nucleares e fundamentais na formação do indivíduo (Línguas, Matemática, Ciências Naturais e Ciências Sociais e Humanas, Artes), na base de programas adequados a uma carga horária condigna, deixando para o plano da frequência voluntária as tais áreas transversais, que os alunos poderiam escolher de acordo com os seus interesses. Seria uma reforma menos adepta da modernidade, mas em que o currículo seria mais flexível e em que as escolas poderiam escolher a composição de pelo menos 20% de um currículo que, no 3º ciclo, poderia ter 7 a 8 disciplinas obrigatórias e 2 a 3 opcionais de um leque de 5 ou 6, podendo os alunos frequentar livremente aquelas que entendessem, desde que existissem condições para isso. Em que poderia funcionar, nessas áreas de tipo opcional, um sistema de créditos. Claro que, como defendo há algum tempo, acho que este tipo de reforma deveria abranger um ciclo de escolaridade mais longo, que agregasse os 2º e 3º ciclos do ensino básico. Em que a estrutura dos 12 anos de escolaridade obrigatória fosse de 4+5+3, 4+4+4 ou uma configuração similar (talvez mesmo 5+5+2) que resguardasse um primeiro ciclo de iniciação não excessivamente alongado, um segundo ciclo de aprofundamento e diversificação dos conhecimentos e um terceiro (o actual secundário) de especialização em áreas de encaminhamento pré-universitário (neste caso o modelo mais adequado até seria o de 5+5+2).

Sei que nenhuma opção é a ideal, mas julgo que as coisas andariam (andarão?) mal, muito mal, se a ideia vencedora for a do alongamento do primeiro ciclo para seis anos numa lógica de alongamento do que já existe, comprimindo-se um segundo ciclo de estudos (que substituiria a lógica dos actuais 2º e 3º CEB) para três anos com predomínio da ideologia das grandes áreas do saber e um terceiro ciclo (actual secundário) que pouco adiantaria em termos de preparação pré-universitária. É verdade que tudo, desde o alastramento da lógica dos planos de recuperação e das variadas medidas paliativas contra o insucesso aos actuais 10º a 12º ano até à proliferação dos cursos ditos técnico-profissionais com uma avaliação maneirinha, indica que a solução será por uma escolaridade obrigatória fast-lane para exibir sucesso na Europa e pseudo-qualificações estatísticas.

Seria mau, muito mau que assim fosse. Seria a tentativa de queimar etapas num percurso educacional que deveríamos fazer de forma sustentada e com alicerces fortes, sem querer começar por pintar a casa e colocar o telhado quando ninguém sabe se a instalação eléctrica e as canalizações funcionam. E, mais grave, sem que se saiba se há alguém para as colocar em funcionamento.

Caro Paulo,
Tendo em conta os novos programas de Português para o ensino básico, os resultados dos estudos nacionais e internacionais sobre o ensino da Língua Materna e da Matemática, há muito que tenho reflectido sobre uma eventual e necessária mudança a curto prazo da matriz curricular para este grau de ensino.
Segue em anexo uma proposta.

Atenciosamente,

Cristina F


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