Sexta-feira, 22 de Janeiro, 2010



Rose Royce, Is It Love You’re After?
Candi Staton, Young Hearts Run Free

Estando o 1º ciclo desta ADD encerrado (teoricamente) do ponto de vista formal, é melhor ficarmos caladinhos, protestar em geral ou demonstrar especificamente onde ela falhou e porque não deve ser tomada em conta para efeitos futuros ou replicada no 2º ciclo?

Inicialmente achei, com outros, que o modelo legislado era mau e impraticável, tendo apelado a que todos optassem por pedir o serviço completo que faria implodir o modelo.

A isso o ME respondeu com simplex sobre simplex.

Foi então que, ao arrepio da posição inicialmente hesitante dos sindicatos, juntamente com muitos colegas s e recorreu ao doutor Garcia Pereira e ao tal parecer que muitos criticaram em que se escrevia que os OI não eram obrigatórios, mas sim a entrega de uma auto-avaliação.

Algo que o ME veio, muitos meses depois, quase um ano, admitir como sendo o que estava correcto.

De acordo com isso, mas também com as minhas convicções, não entreguei OI, nem FAA, mas um relatório crítico e circunstanciado da minha actividade profissional. Algo que sempre disse que faria, porque também sempre disse que não temia qualquer avaliação, não recusava a avaliação, mas contestava o modelo legislado. Fui avaliado com 7,4.

Nada tenho a apontar ao meu órgão de gestão em todo este processo, que sempre actuou com transparência, diálogo, justiça e equidade.

Mas não foi isso que aconteceu em muitos pontos do país, demasiados mesmo. Devemos ignorá-lo? Não devem ser denunciadas essas situações?

Não deve ser exigido a Directora(e)s que fizeram da adesivite um modo de vida que demonstrem o que valem, já que quiseram ser mais papistas em muitos casos do que a outra papisa e os cardeais pretéritos?

Devemos sacrificar aquela(e)s que agiram sempre com correcção e respeito pelos colegas?

Acho que por vezes se perde a noção do que é táctico e do que é estratégico.

O 1º ciclo de ADD correu mal, pior do que transpareceu para a opinião pública.

Não foi o acordo que criou o problema. Foi o ME e depois o Parlamento ao não o suspender. Agora há que saber lidar com isso e, aproveitando o tal clima de diálogo, demonstrar que o 2º ciclo de ADD não pode repetir os erros do passado e muito menos incorporá-los.

Em tempo propus que se fizesse uma troca entre a aceitação das classificações de mérito e a eliminação da penalização de quem não foi avaliado. Poucos apoiaram esta ideia, mas isso não me incomoda muito. Acho que seria uma troca justa em que o destino de algumas centenas ou milhares de colegas que levaram a coerência até ao penúltimo nível compensaria que alguns milhares emoldurassem os Muito Bons e Excelentes.

A outra hipótese é anular, de vez, os efeitos das classificações do 1º ciclo desta ADD e sermos todos iguais. Admito que seja uma hipótese melhor que a minha. Espero, sinceramente, que seja possível. Espero e desejo.

Outro caso. Mais a sul. Que tem dado origem a uma interessante troca de mails, de que retiro parte do penúltimo:

Após a minha última carta, de que te enviei cópia juntamente com o ofício da DRE (…), na 3.ª feira passada lá foram colocadas as fichas nos processos.
Surpresa geral (ou não), toda a gente teve 7 nos mesmos parâmetros. O corpo docente todo avaliado com os pés com copy paste parâmetro a parâmetro.
Tem sido gritaria a toda a hora, com os colegas do costume (infelizmente, aqueles que também iam às reuniões dizer que não entregavam OI’s) a pedirem reunião geral para impugnar a avaliação.
Queres que te mande fichas? Será talvez interessante divulgar a leviandade destes avaliadores.
Abraço
Eis uma das fichas, modelo chapa-7.

Clicar na imagem, embora nem sempre seja muito escalrecedor.

Na zona da Grande Lisboa, em que o despachar da avaliação chapa-7 para os Bons, sem a devida explicação dos critérios, levou a que hoje saísse despacho a anular a avaliação realizada?

Os meus parabéns a quem isso conseguiu pois, é minha modesta opinião, quanto maior a adesivite ao modelo da ADD por parte do órgão de gestão, maior deve ser a pressão por parte dos avaliados para que seja esmiuçada a classificação dos diversos parâmetros.

Porque não é bom e justo avaliador todo aquele que assim se acha e muito menos quem recebeu tal poder de mão beijada.

Adenda: Julgo que se trata da escola também referida no Pérola de Cultura.

Confirmar aqui, aviso publicado há pouco mais de uma semana no DR.

Inquietações

À medida que vão sendo divulgados os pormenores do acordo celebrado recentemente entre algumas organizações sindicais e o ME, aumenta a apreensão dos professores relativamente ao documento assinado!

Cresce e sentimento de que, os professores, foram usados como “moeda de troca” em algo, cujos contornos ainda se desconhecem. Afigura-se, cada vez com maior nitidez, que se tratou de uma “golpada” de baixa política em que os docentes foram tratados como meros “peões de brega” numa refrega que opôs Governo e Sindicatos! Salvaram-se os Sindicatos e o Governo, perderam os professores, os alunos e a Escola. “As aranhas continuam a tecer a teia”! A teia que a todos nos aprisiona.

No que à carreira respeita, já tive oportunidade de manifestar o meu sentir que é, cada vez mais, o sentir de um maior número de professores. Seguem-se negociações com vista ao reajustamento de horários. Vamos ver as surpresas que essas reuniões nos reservam.

Temos, claramente, diferenças nos diversos ciclos em que se estrutura o ensino não superior. Uma das principais é a que respeita ao 1º Ciclo e Pré-Escolar, em que o modelo de ensino assenta na monodocência, o que impede estes professores de usufruírem, a exemplo do 2º, 3º Ciclo e Secundário, de reduções da componente lectiva, em função da antiguidade na carreira. Esta situação é perfeitamente justificada pela natureza desgastante da profissão.

Acontece que esse desgaste acontece igualmente nos dois níveis iniciais do percurso não superior dos nossos alunos. Por essa razão, o anterior estatuto consagrava uma compensação em termos da contagem do tempo de serviço para reforma que visava dar resposta a esse mesmo desgaste no 1º Ciclo e Pré-Escolar. No actual estatuto estes profissionais foram brutalmente prejudicados, quebrando-se a situação de equidade que o anterior estatuto contemplava. Retirou-se-lhes a bonificação em tempo de serviço para aposentação, incluindo-se, na respectiva carreira, dois anos em que os docentes poderiam usufruir de uma dispensa total da componente lectiva. Isto é surrealista!!!

Será um acto de justiça voltar a repor o equilíbrio anteriormente existente entre as diferentes carreiras docentes, sob pena de se estar a tratar com menor consideração profissional e valor social os dois primeiros níveis do percurso escolar dos nossos jovens. Isto não será admissível nem tolerável. Esperemos que as negociações que aí vêm tenham em consideração estes aspectos, sob pena de serem entendidas como um rotundo fracasso do qual jamais os professores se poderão esquecer.

De referir ainda, que durante a vigência do actual estatuto, os professores do 1º Ciclo viram a carga da sua componente lectiva ser aumentada com o Apoio ao Estudo, actividade de enriquecimento curricular tratada como componente não lectiva!!! Isto foi caso único!!!

Já no que à avaliação diz respeito, ela foi “depositada” por completo na “mãos” da figura do Director, nos termos do actual modelo de gestão em vigor. Sabemos como são nomeados os membros do Conselho Pedagógico e quem o preside. Isto não é sério nem justo! E sem justiça e equidade não haverá paz nas escolas e os Sindicatos subscritores do acordo com o ME têm que saber assumir essa co-responsabilidade.

O cepticismo está a apoderar-se da classe docente em função dos últimos desenvolvimentos resultantes das negociações encetadas entre ME e Sindicatos. Esperemos que esse cepticismo não redunde em completa frustração e revolta!

Os sindicatos têm que ter presente que não são donos da vontade dos professores e que há outras formas de organização alternativas ao sindicalismo. O combate que se desenrolou estes últimos anos deu corpo a essas alternativas!

Cumprimentos

Henrique Monteiro

Ficam aqui os elementos oficiais mais recentes da agência europeia para a análise dos sistemas educativos:

Como é fácil constatar, os professores portugueses estão longe de ser os que têm horários mais leves. Aliás, no caso desta tabela, falta para o caso português o cálculo das horas gastas em trabalho extra, pois apenas surgem números para o horário de trabalho legislado e aquele que deve ser passado efectivamente na escola, sendo que neste caso o númro apresentado (22 horas) está abaixo do que efectivamente acontece (26-27 horas).

A beleza é um poder que é preciso aprender a usar. É como ter um Ferrari: se não se sabe manejá-lo, pode-se chocar contra a parede.

Monica Belluci, revista Elle citada pela Sábado

Ou como a inteligência pode ser bela e a beleza inteligente.

Professores portugueses têm dos horários mais carregados

Segundo o relatório ‘Education at a Glance 2009’, da OCDE, professores nacionais passam mais tempo nas escolas do que média da UE e OCDE. Apesar de calendário mais curto.

Os professores do ensino público português dão mais horas de aulas por ano (684 a 855) e passam mais tempo na escola (1261 horas) do que a maioria dos colegas da OCDE e da União Europeia (a 17). Isto, com um calendário escolar mais curto. Ou seja: têm menos dias de trabalho anuais. Mas acabam por fazer mais horas. Os números constam do relatório Education at a Glance 2009, da OCDE, e baseiam-se em dados de 2007.

Mas o debate deveria ser feito para fora da ANP e não apenas para dentro.

Associação Nacional de Professores debate criação de uma Ordem