Eu ando há dias a dar voltas e voltas à ideia de fazer um post mais ou menos elaborado sobre a cartografia das posições sobre o acordo lavrado pela meia noite de 7 para 8 de Janeiro entre Ministério da Educação e sindicatos.

No fundo, as posições são simples: a maior parte dos sindicatos está a favor, assim como a generalidade dos partidos com asssento parlamentar, em conjunto com o Ramiro Marques e os bloggers mais apróximos do movimento sindical e em particular da Fenprof (Francisco Santos, Miguel Pinto). Contra estão os movimentos independentes como a APEDE, o MUP e o PROmova, em especial através do Octávio Gonçalves, e bloggers como o Mário Carneiro. Pelo meio, assim na área da análise dos cinzentos, aceitando o acordo como algo que era necessário como base para posteriores desenvolvimentos, mas criticando várias das suas soluções, parece-me estar o MEP, estou eu e outros elementos da blogosfera, como o Paulo Prudêncio.

Desculpem-se se as referências são poucas, mas é apenas um esboço, não o produto final.

Só que, ao tentar ler o que anda a ser escrito, e felizmente é muito porque eu gosto desta fase em que se parte muita pedra, deparei com uma acusação recorrente que é a de protagonismo.

Não fiz o inventário de todas as referências (nem vou começar aqui a alinhavar links atrás de links), mas é notório que, em especial dos lados mais entrincheirados do debate, um dos epítetos mais usados é aquele.

A partir dos sindicatos acusam-se os líderes dos movimentos independentes de protagonismo, por quererem aparecer a fomentar a insatisfação com muitas das soluções do acordo e a capitalizar o desagrado que existe em muitos docentes.

Do lado dos movimentos há quem acuse os líderes sindicais de terem aceite o acordo para se manterem na ribalta das negociações.

Dos dois lados, conforme a brisa, acusam-se os bloggers, em especial os menos alinhados, de também quererem protagonismo com as suas opiniões.

No meu caso acho que, neste contexto e em outros, não é por aqui que passa nada de muito relevante. Aparecer a gritar que o outro só quer é protagonismo é um acto de protagonismo. Quem não quer protagonismo não tenta ser protagonista, não fala, não age, não nada.

Portanto, somos todos, cada um no seu cantinho, no seu nicho, à sua escala, protagonistas desta peça em exibição já há uns quantos anos e ainda com público.

Se com isso ficam mais satisfeitos e se vos poupo trabalho, vou desde já acusar-me a mim mesmo de protagonismo. Porque se eu não quisesse andar por aí em bicos de pés, desistia de dar opiniões, de responder a perguntas e de escrever aqui no blogue. Porque opque eu quero é protagonismo, que é coisa que dá de comer à descendência, alimenta o ego, faz crescer pêlos nas mãos e é um poderoso afrodisíaco, fora o facto de me ter feito perder mais ou menos meia hora a escrever isto.

(no meu caso é mais o diâmetro…)

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