Sábado, 16 de Janeiro, 2010


O artigo de Fernando Lima hoje no Expresso significa que em Belém não se perdoou o episódio das escutas em que S. Bento e o Largo do Rato conseguiram uma vitória final expressiva.

A disponibilidade de Manuel Alegre para ser e novo candidato presidencial que, em outras circunstâncias, seria muito problemática para Sócrates, acaba por ser uma estranha benesse.

A conjugação deste dois factos aponta para um cenário em que Cavaco Silva ou desiste de um segundo mandato ou será derrotado nas urnas por Alegre, à primeira volta, caso a esquerda se una e o PC não invente um candidato que vá mesmo a votos.

Porque, no contexto actual, ou Cavaco Silva tentava reconstituir a sua base de apoio à direita, depois do clamoroso erro estratégico pré-legislativas, e tinha hipóteses de vencer como em 2006, beneficiando da desafeição de boa parte do PS para com Alegre ou de outra parte para com um Gama ou candidato semelhante, ou então a sua reeleição ficaria em jogo.

Neste momento, ao agravar a sua clivagem com o Governo, Cavaco Silva empurra a maior parte do PS na direcção do candidato que – apresentando a bandeira da esquerda – acaba por unir o que estava a ficar dividido.

Isto significa que, mantendo-se estas premissas, Alegre será o próximo Presidente da República e Cavaco Silva o primeiro incumbente chumbado no exame da 2ª época.

Escola Secundária António Sérgio inaugurada por José Sócrates

A nossa intrépida repórter Fátima Freitas estava lá e assinalou para a posteridade a presença:

Do excelentíssimo senhor ministro da Educação Nacional e Tecnológica:

Da digníssima senhora Relações Públicas, por vezes Secretária de Estado para as Negociações Bloqueadas  do Ministério da Educação:

Do sempiterno assessor para cerimónias protocolares, efemérides variadas e traulitada geral ou específica do dito Ministério:

Alegoria do orgasmo

Leituras complementares altamente aconselháveis, embora não tão aconselháveis quanto o método experimental:

José Niza escreveu a letra da canção E Depois do Adeus. Devemos estar-lhe gratos por isso. José Niza também ganhou quatro Festivais da Canção. Não sei se será motivo para enorme gratidão. Depende dos gostos.

Como político José Niza é um fiel seguidor das lideranças do PS. Se não é assim é porque nunca percebi o contrário.

Nos últimos anos, José Niza aderiu de forma alegre e empenhada a tudo e mais alguma coisa que cheire a porrada neles. Recentemente apoiou a decisão de sanear Manuela Moura Guedes em moldes que fazem corar qualquer Santos Silva.

Nas últimas semanas dedicou-se a fazer de segunda linha da nova investida contra a classe docente. Num artigo pré-acordo no jornal O Ribatejo decidiu argumentar (?) que os professores querem é ganhar muito dinheiro e serem avaliados com generosidade.

Escreveu ele que:

Primeiro adopta-se um modelo de avaliação sem consistência, sem credibilidade, e sem obedecer a critérios rigorosos e exigentes que produzam resultados justos e acima de qualquer suspeita. Depois, o que acontece com esta simpática “avaliação”, é uma coisa que não falha: uma incontornável e incomensurável generosidade.

Ou seja, para José Niza, o modelo de ADD foi adoptado pelos professores e não pelo Ministério. Segue dizewndo que os professores, depois de serem considerados bons, muito bons ou excelentes profissionais, querem ganhar dinheiro e progredir na carreira, esses malandros.

Para ele o dinheiro para o salário dos professores (note-se que não se refere a mais nenhuma classe profissional ou caso evidente de desbarato dos dinheiros públicos) deve ser dado aos desempregados, numa passagem do mais demagógico que eu já li a quem quer que seja e olhem que eu sou de História e por defeito da formação já fui obrihgado a ler muita barbaridade, incluindo os programas eleitorais dos partidos políticos.

Escreve então Niza, aproveitando para personificar em Mário Nogueira a sua diabolização dos professores, que:

De um destacado militante comunista – como é o Secretário-Geral da Fenprof, Mário Nogueira – seria de esperar que, em matéria de dinheiros, tivesse mais em conta as necessidades de apoio financeiro e social aos mais de quinhentos mil desempregados, do que engordar os salários de mais de cem mil funcionários públicos, os quais, para além de já ganharem bem, têm ainda a valiosa garantia de não caírem no desemprego.

Termina a prosa com considerandos ao nível do rodapé, confessando escrever antes do acordo e, portanto, no desconhecimento dos seus termos.

Conhecido o acordo, José Niza retoma o assunto, qualificando como mau o acrodo obtido em termos que considero próximos do delírio:

Para se ter uma ideia correcta e completa dos benefícios que os professores já auferem, e daqueles que vão passar a auferir, é necessário ter duas realidades em conta: por um lado, as vantagens que decorrem do acordo agora obtido; por outro, as condições excepcionais de que os professores já desfrutavam ANTES das mais-valias que agora conseguiram.

Mas a parte que entra de forma absolutamente corajosa por territórios do visionarismo mais radical é a seguinte:

Segundo o ministério da educação, 83% dos professores avaliados no ano passado conseguiram a classificação de BOM. E só 0,5% – meio por cento! – foram classificados como Suficientes ou Irregulares. Deduzo que os restantes 16,5% terão obtido a classificação de Muito Bom ou Excelente.

Somos, realmente, os maiores! Um país de super-dotados!

Outro dado da questão foi que, para se obter a classificação de Bom, apenas bastou não faltar às aulas, cumprir o serviço e fazer alguma “formação” (não se sabe qual, nem onde).

Isto é: para se ter Bom, basta estar vivo!

E são estes Bons professores que vão passar a somar 270 euros mensais aos 3.091,82 que já recebiam. Feitas as contas, um vencimento sete vezes superior aos 475 euros do tão regateado salário mínimo.

Fui a correr ver o meu recibo de vencimento, na expectativa de ganhar os tais 3000 e tal euros, só para descobrir que,, limpinhos, me fico pela metade e mesmo em bruto por dois terços do que José Niza pensa. E dou aulas há 20 anos, fiz um mestrado, profissionalização e doutoramento (num período de 10 anos).

Pelo caminho confirmei que estava vivo, ao contrário de alguns cérebros que consideram que não faltar, fazer o seu serviço e frequentar formação é insuficiente para se ser um bom profissional (sendo que foram estes os temros ditados pelo ME e não pelos professores).

Como conclusão só posso considerar que José Niza só pode estar algo ressabiado por, na carreira de comentador político, ter ficado pelo escalão regional, ficando muito aquém do topo da carreira.

Mas percebe-se porquê.

Cassetes acríticas há muitas e há adões muito mais bem apessoados para aparecerem na imprensa de âmbito nacional. Ou rangéis mais intimidatórios pelo porte e dotes bricoleiros.

O deputado laranja Pedro Duarte labora hoje em prosa muito spinada acerca dos ziguezagues do PSD em matéria de suspensão da avaliação do desempenho docente, ao mesmo tempo que procura apresentar-se como uma espécie de papá distante do acordo ME/sindicatos.

A prosa é curta, dá para ler enquanto se faz outra coisa qualquer como ouvir música ou conversar distraidamente sobre futebol.

Público, 16 de Janeiro de 2010

Para desmontar esta versão que Pedro Duarte dá dos factos e intenções – e olhem que eu acabei por achar que a não-suspensão em Novembro nem foi uma completa má ideia – bastaria ir buscar as declarações de uma outra pessoa, um homónimo dele, também Pedro Duarte de sua graça, igualmente deputado da Nação pelo PSD, numa missiva enviada aos movimentos de docentes que, em certo momento, tantas esperanças nele depositaram.

PSD continua a querer suspensão da avaliação dos professores

Em carta a um movimento de docentes, o deputado Pedro Duarte garante que o partido defende a suspensão dos procedimentos relativos ao 2º ciclo de avaliação e a sua substituição por um outro modelo.

Se pudesse recuar, o PSD defendia a “suspensão”

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Pedro Duarte confessa que, se voltasse atrás, incluia a suspensão da avaliação no projecto entregue ao Parlamento.

Jasper Johns, Alvo Verde (1955)