Na sequência do post que escrevi há uma semana atrás, vou tentar fazer um breve balanço do acordo assinado entre o ME e a maior parte dos sindicatos de docentes no passado dia 7 de Janeiro.

Em jeito de preâmbulo repito o que já escrevi, de forma dispersa, em alguns textos dos últimos dias: foi um acordo apressado, politicamente necessário ao Governo, instrumental para os sindicatos porque parece ter sido condição para aceder a outras negociações, mas algo desanimador para a generalidade da classe docente.

Mas particularizemos:

Estrutura da carreira: foi eliminada a divisão na carreira e a barreira estanque à progressão até aos últimos escalões para mais de um terço dos docentes. Em troca, passou a existir uma progressão mais lenta até ao índice 299, que frustra as expectativas de muitos docentes, em especial em início de carreira. É verdade que as possibilidades de chegar ao topo aumentaram, mas o caminho ficou mais longo para os que lá chegam. Neste aspecto, há uma vitória simbólica, um empate técnico em termos globais e uma derrota concreta para muitos docentes. Classificação: 6 (Regular)

Modelo de avaliação: na prática ficou o que estava, ou seja, o simplex para consumo regular e uma espécie de complex para quem quiser progredir na via rápida. O modelo é muito fraco se pretende efectivamente distinguir o mérito e pode implodir se todos optarem pelo complex. Como sempre achei, o modelo de ADD é uma questão lateral e derivada da estrutura de carreira. O problema reside no mecanismo das quotas para a progressão, falso mecanismo artificial para promover uma ideia peregrina de diferenciação que duas aulas assistidas por ano só numa anedota poderão passar por critério de aferição da excelência. Para mim seria um empate porque, ao contrário de muitos, o modelo de avaliação nunca foi o que mais me incomodou, excepção feita às consequências retroactivas perversas que parecem ter ficado espalhadas naquelas partes que… Classificação: 6 (Regular)

Ingresso na carreira: a prova fica para quem entra, desaparece para quem está. Não é uma boa solução porque assume que quem já tem bicicleta, anda bem, enquanto que quem quer comprar, precisa mostrar que anda bem, apesar de ter carta de condução de velocípedes. Esta é uma solução duplamente preguiçosa: prescinde de uma regulação e fiscalização efectiva dos cursos de formação de professores e toma como aptos todos os professores que já estão em exercício. Governo e sindicatos ganham, cada um protegendo os seus interesses. A Educação nem por isso.  Classificação: 4 (Insuficiente).

Horários e etc: ficam para as rondas complementares de negociação, aquelas que só ficaram previstas depois de ficar garantido que haveria acordo. Pode ser uma das principais vantagens do acordo. Classificação: 8 (Muito Bom)

Classificação Final: 6,0 (Regular). Não progride na carreira por enquanto, precisa de melhorar o seu desempenho no futuro próximo. Talvez dia 20…