O Ouro, o Menino de Ouro e os Bandidos

O regime socratino tem entre os seus agentes um grupo de servidores – uns avençados, outros a título de voluntariado – que, sob a capa da aparente informação, veiculam meras opiniões comprometidas, fazendo do jornalismo instrumento de propaganda e transformando a comunicação social em mera comunicação socialista…

Têm colunas nos jornais mais influentes e são amiúde convidados para debates radiofónicos e painéis televisivos, sendo arvorados a sábios da Nação com uma presença omnímoda em todos os púlpitos de onde seja possível industriar a populaça e manipular a consciência da ignara multidão. Tais personagens formam um autêntico exército ao serviço do poder, com uma eficácia proporcional à ilusão da independência que conseguem projectar nos leitores, ouvintes ou telespectadores mais incultos ou mais distraídos.

Uma destas personagens dá pelo nome de Teresa de Sousa (“redactora principal” do Público), especializada em, proselitamente, incutir na consciência do povo a visão pueril dos idílicos benefícios da União Europeia, a quem, em boa parte, Portugal deve a sua situação de estreita vizinhança com a catástrofe económica… Madrid – a grande beneficiária da tragédia portuguesa – não ficou indiferente às suas crónicas infantilizantes, graças a cujo acrisolado espanholismo mereceu uma condecoração da Embaixada de Espanha…

É sobretudo nas televisões que, sempre que lhe é facultada a possibilidade de transcorrer sobre a política indígena, descai para o seu profundo socratinismo militante.

Isto foi evidentíssimo no programa “Hora de Fecho”, da RTPN, da passada sexta-feira, onde se percebeu ao que vinha e que mensagens trazia: duas, exactamente sobre as duas temáticas mais obsessivas do engenheiro Sócrates na anterior legislatura: os juízes e os professores, questões que, pasmemo-nos, preocupam muito mais a excelsa Teresa do Sousa do que a crise financeira…, quando o País está somente à beira da bancarrota… de que nem as sua querida Europa nem o elegante Menino de Ouro nos livrarão se os banqueiros internacionais decidirem fechar-nos o crédito…

Sobre os juízes, por comparação, invocou criticamente o que se passou na Itália, quando a Operação Mãos Limpas, que ela verberou, decapitou as lideranças políticas italianas, abrindo as portas, segundo ela, ao Berlusconi. Ficámos a saber que entre Berlusconi e os antigos políticos italianos corruptos ligados à Máfia, ela prefere estes infelizes desalojados do poder por impolutos e corajosos juízes. E o que teme precisamente a senhora Teresa de Sousa? Receia que os juízes portugueses, sem controlo superior…, decapitem politicamente o PS – ou seja Sócrates – abrindo o poder a um outro Berlusconi, português… Fantástica esta senhora jornalista, que vê nos famigerados processos judiciais portugueses uma estratégia dos juízes para decapitarem o PS, do seu Menino de Ouro… Fantástica é a lavandaria socratina, na estratégia de branqueamento de uma certa sujeira por todos conhecida… que vai do Freeport à Face Oculta, passando por tantos outros processos ou simples casos do mesmo jaez…

Quanto aos professores, depois de elogiar Maria de Lurdes Rodrigues e a sua política, açoita severamente a nova Ministra da Educação, por, demolindo a política da antecessora «entregar o ouro aos bandidos», literalmente, sem qualquer figura de estilo e no plural para ser mais claro: «aos bandidos».

O seu ódio figadal aos professores rematou-o atribuindo à classe docente portuguesa a responsabilidade pelo insucesso internacional dos alunos portugueses, esquecendo deliberadamente, claro…, que são exactamente os professores que denunciam a errada política educativa do Ministério da Educação, no seu facilitismo e nos seus processos falseadores de sucesso meramente estatístico…

Sobre o ouro, os meninos de ouro e os bandidos ficámos esclarecidos…

Sobre como trabalham as lavadeiras do regime também não restaram dúvidas…

Mário Rodrigues

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=24974

Ouvir os entre os minutos 24 e 28.