Terça-feira, 12 de Janeiro, 2010


Ando com pavio curto e diminutivo fácil para esta camada de analistas de aviário, a quem os números e os juízos de valor escorrem como verbo fácil. Pedro Adão e Silva é desta estirpe, 3ª via blairiana bem engomada, com um horror epidérmico a tudo o que lhe cheire a não sei quê. O texto tem logo um título à maneira (espero a próxima crónica “A factura das Universidades”), para quem até é professor, só que superior, iscteano.

A factura dos professores

Deixo assumidamente de lado a dimensão pedagógica da avaliação para sublinhar dois aspectos: os professores gozam de uma carreira excepcional no contexto da função pública e a sua massa salarial corresponde a cerca de 3% do PIB e consome 80% do orçamento da política educativa.

(…)

Este acordo coloca-nos numa situação melhor do que a de 2005: passa a existir uma avaliação com consequências, que diferencia, sendo que o Ministério não prescindiu das quotas e de vagas fechadas em dois escalões. Contudo, coloca-nos também numa situação pior do que a que decorria do “modelo” Maria de Lurdes Rodrigues: as condições de progressão são bem mais favoráveis e há uma autêntica bomba orçamental ao retardador, tendo em conta que os professores que não progridem acumulam bonificações que, em última análise, acabam por lhes garantir a ascensão na carreira. Claro que devemos agora esperar que as escolas, uma vez acordado um modelo, passem a diferenciar as notas, em lugar da pornográfica generalização de bons, muito bons e excelentes actualmente existente.

No fim, fica uma certeza: da mesma forma que o país tem na factura energética uma das principais causas do endividamento externo, tem na factura dos professores uma das causas do crescimento da despesa orçamental.

Ficamos a saber que Pedro Adão e Silva acha que a carreira de docente do ensino básico e secundário é excepcional (não sei por por que razão a não escolheu e preferiu ir para junto dos amigos superiores) e este modelo de avaliação é brilhante porque contém a despesa pública, não porque promove a qualidade do ensino.

Ficamos ainda a saber que os custos com os professores estão no mesmo plano do endividamento externo por via da factura energética. Como demagogia é difícil encontrar melhor.

Como Pedro Adão e Silva entra por uma prosa onde assoma o termo pornografia, eu ousaria contraditar que é obscena a sua ignorância prática em questões do ensino não-superior – ainda perdia algum tempo do surf a informar-se – e que a sua postura planante sobre esta questão demonstra mais de servilismo ao poder dos tempos do que um pensamento próprio que lhe poderia descompor a postura e os botões de punho.

Pedro Adão e Silva não tem culpa por achar o que acha pois, no fundo, acha o que lhe fica bem achar neste momento. Fosse o acordo diferente acharia outra coisa condizente.

Aliás eu deixo assumidamente de parte a dimensão pedagógica da demonstração dos erros de Pedro Adão e Silva nesta matéria porque acredito, com o mais fundo do meu âmago, que seria inútil o esforço, pois a ele já chegou a vulgata com a palavra socrática a espalhar nesta matéria pelos ignaros.

Isabel Alçada dizia que 1% de massa salarial dos professores é muito dinheiro. A serem bons os 3% do PIB de Pedro Adão e Silva, aquele número significa 0,03% do nosso PIB, um valor verdadeiramente astronómico na escala das prioridades de investimento no nosso país.

Esta situação chegou-me por mail há um par de dias por mail, pedindo eu autorização para a divulgar, algo fui atrasando por causa das outras novidades:

Embora este possa ser considerado um caso pessoal, haverá outras situações semelhantes.
Tive o azar de ser apanhado por um avaliador, escolha política do PS, figura influente no meio social e arredores, que considerou obrigatória a definiçã0 de OI e que estabeleceu e fez cumprir um calendário elaborado à luz de uma leitura totalmente obediente e colada às regras dos diplomas mais contestados. Daí que em 15 de Julho de 2009 o processo estivesse completamente encerrado.
Classificação: Regular – sem apelo, visto o não cumprimento de uma disposição “obrigatória”.
É certo que o 11/2008 e o último ponto do acordo agora firmado, salvaguardam a hipótese de alguém ter obtido INS. ou REG. e, no meu caso pessoal, tudo se irá resolver. Mas considero um derrota pessoal a luta contra os OI que, afinal, apenas prejudicou os “heróis” como eu, que não tive a sorte de estar numa escola em que o processo só tenha sido encerrado depois das eleições ou ainda não tenha sido encerraado, como sabemos ainda haver.

E no acordo nada foi estabelecido em relação à avaliação de quem não entregou OI, independentemente da classificação obtida. Não sei se é legítimo, mas constitui mais uma flagrante injustiça, constitui.

C.

Dado que o assunto das questões “acordadas”  na sexta-feira na 5 de Outubro passou a ser muito sério (isto é, as vicissitudes em torno das negociações sindicatos /ME já não servem para distrair ninguém da gravidade do que se preparou e congeminou ao longo de três meses e se concluiu nesse dia), parece-me que é chegada a altura de encarar de frente a dura realidade, a saber: nas ditas negociações o Governo conseguiu praticamente tudo o queria (este “tudo” não envolve naturalmente a totalidade dos pontos contidos nos documentos preparatórios do ME, uma vez que havia que encenar “cedências”) e os oito sindicatos signatários apenas conseguiram ser reconhecidos como “parceiros”, mais nada (basta ver que, enquanto o Ministério só teve de ceder em três ou quatro propostas, os sindicatos abdicaram de quase tudo o que, nos seus documentos preparatórios, afirmavam ser pontos “inegociáveis”). Para além disso, o ME conseguiu ver-se livre de alguns e importantes empecilhos (o “simplex”, a divisão entre “titulares” e “não titulares”, por exemplo) e viu legitimado na sua totalidade, pelas organizações sindicais signatárias,  o chamado “primeiro ciclo avaliativo”, legitimação que, como é bom de ver, se reveste de um alto valor simbólico.

No “post” que me levou a escrever este texto, o Paulo Guinote referindo-se a “o que faz mesmo falta”, diz que é preciso clarificar e afinar algumas questões que terão sido tratadas com pouco cuidado na noite de 5ª para 6ª feira. Sucede no entanto que, nas questões concretas que refere, não há nada a clarificar ou a melhorar, pela simples razão de que o “simplex” e o “primeiro ciclo avaliativo” são aquilo, ou seja, foi tudo aquilo o que os sindicatos signatários do “acordo de princípios” deram como “encerrado” e “pertencente ao passado” nas atitudes que foram tomando (lembra-se de um lamentável artigo de Mário Nogueira no jornal “Público”, escrito, salvo erro, em Outubro passado, no qual defendia precisamente isso?).  No seu texto, o Paulo Guinote diz correctamente que as questões que levanta, relativamente ao “primeiro ciclo avaliativo”, se relacionam com questões de seriedade e de justiça relativa. Mas como se podem corrigir questões desse teor num processo que foi todo ele ausente de seriedade e de justiça? E não são todos os argumentos contra o sistema de vagas e de quotas, o qual foi mantido e até agravado no “acordo de princípios”, precisamente baseados em considerações do tipo das que o Paulo Guinote faz a propósito dos resultados do “primeiro ciclo avaliativo” e respectivas consequências? Como se pode introduzir seriedade e justiça num processo avaliativo e num sistema de progressão na carreira que consagra a arbitrariedade e a injustiça? E como se pode esperar de protagonistas que construiram e avalizaram esse processo e esse sistema, que tomem agora a atitude de pôr em causa os termos em que decorreu e as consequências que resultam do “primeiro ciclo avaliativo”?

Neste momento, os únicos protagonistas que podem lutar pela seriedade e pela justiça nas escolas, são os mesmos que o fizeram nos últimos dois anos, nas lutas que travámos, trazendo a reboque as direcções sindicais. Se se acha que esses são fracos protagonistas, eu direi que, com as suas fraquezas e limitações, são imensamente mais confiáveis do que os que agora se renderam sem luta, quando assinaram o “acordo de princípios”.

Grato pela atenção,

Leopoldo Mesquita

Dêem poder aos professores

Cara Isabel Alçada, já podemos discutir o essencial: retire poder ao ministério; dê poder aos professores.

1. Francisco José Viegas tem toda a razão : o problema do ensino público não está nos professores, mas sim nos pedagogos pós-moderninhos que habitam as catacumbas do ministério. Esta gente transformou a minha geração num gigantesco ratinho de laboratório. Eu e mais um milhão (ou assim) de pessoas servimos de cobaias para experiência pedagógicas arquitectadas por gente que tem mestrados nessa coisa do oculto: “ciências da educação”.

2. Aquilo que mais irritava na antiga ministra da Educação não era a sua teimosia. Governar não é para meninas. A teimosia é necessária, por vezes. Mas a antiga ministra dirigiu a sua determinação contra o alvo errado. Repito: o alvo não deve ser o “professor” que está na escola, mas sim o “pedagogo” do ministério. Foi este “pedagogo” que destruiu literalmente o ensino público, através de teorias pós-moderninhas, que, entre outras coisas, colocaram o aluno a mandar no professor dentro da sala de aula.

3. O resultado de décadas destas experiências está aí à vista de todos: as crianças acabam o liceu sem saber escrever correctamente, e sem uma mínima intimidade com o mais simples cálculo matemático. Cara Isabel Alçada: dê poder aos professores e destrua os ninhos de pedagogos do seu próprio ministério.

… ao preço de mil euros o trabalhador com diploma superior. Vai ser só rir, só rir…

Mais cem milhões de euros para formar cem mil trabalhadores em quatro anos

Um momento de crise económica, como o que se vive, é o ideal para que as pessoas apostem na sua requalificação, defende Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Por isso, nos próximos quatro anos, o Governo quer cem mil activos com diploma do ensino superior. Ao final da tarde, o Governo, as universidades e os politécnicos assinaram um “contrato de confiança”, que para já se traduz num acréscimo de cem milhões de euros no Orçamento de Estado (OE) para este ano.

Coloquemos as coisas desta forma: no ensino superior os acordos são mais caros…

O Ouro, o Menino de Ouro e os Bandidos

O regime socratino tem entre os seus agentes um grupo de servidores – uns avençados, outros a título de voluntariado – que, sob a capa da aparente informação, veiculam meras opiniões comprometidas, fazendo do jornalismo instrumento de propaganda e transformando a comunicação social em mera comunicação socialista…

Têm colunas nos jornais mais influentes e são amiúde convidados para debates radiofónicos e painéis televisivos, sendo arvorados a sábios da Nação com uma presença omnímoda em todos os púlpitos de onde seja possível industriar a populaça e manipular a consciência da ignara multidão. Tais personagens formam um autêntico exército ao serviço do poder, com uma eficácia proporcional à ilusão da independência que conseguem projectar nos leitores, ouvintes ou telespectadores mais incultos ou mais distraídos.

Uma destas personagens dá pelo nome de Teresa de Sousa (“redactora principal” do Público), especializada em, proselitamente, incutir na consciência do povo a visão pueril dos idílicos benefícios da União Europeia, a quem, em boa parte, Portugal deve a sua situação de estreita vizinhança com a catástrofe económica… Madrid – a grande beneficiária da tragédia portuguesa – não ficou indiferente às suas crónicas infantilizantes, graças a cujo acrisolado espanholismo mereceu uma condecoração da Embaixada de Espanha…

É sobretudo nas televisões que, sempre que lhe é facultada a possibilidade de transcorrer sobre a política indígena, descai para o seu profundo socratinismo militante.

Isto foi evidentíssimo no programa “Hora de Fecho”, da RTPN, da passada sexta-feira, onde se percebeu ao que vinha e que mensagens trazia: duas, exactamente sobre as duas temáticas mais obsessivas do engenheiro Sócrates na anterior legislatura: os juízes e os professores, questões que, pasmemo-nos, preocupam muito mais a excelsa Teresa do Sousa do que a crise financeira…, quando o País está somente à beira da bancarrota… de que nem as sua querida Europa nem o elegante Menino de Ouro nos livrarão se os banqueiros internacionais decidirem fechar-nos o crédito…

Sobre os juízes, por comparação, invocou criticamente o que se passou na Itália, quando a Operação Mãos Limpas, que ela verberou, decapitou as lideranças políticas italianas, abrindo as portas, segundo ela, ao Berlusconi. Ficámos a saber que entre Berlusconi e os antigos políticos italianos corruptos ligados à Máfia, ela prefere estes infelizes desalojados do poder por impolutos e corajosos juízes. E o que teme precisamente a senhora Teresa de Sousa? Receia que os juízes portugueses, sem controlo superior…, decapitem politicamente o PS – ou seja Sócrates – abrindo o poder a um outro Berlusconi, português… Fantástica esta senhora jornalista, que vê nos famigerados processos judiciais portugueses uma estratégia dos juízes para decapitarem o PS, do seu Menino de Ouro… Fantástica é a lavandaria socratina, na estratégia de branqueamento de uma certa sujeira por todos conhecida… que vai do Freeport à Face Oculta, passando por tantos outros processos ou simples casos do mesmo jaez…

Quanto aos professores, depois de elogiar Maria de Lurdes Rodrigues e a sua política, açoita severamente a nova Ministra da Educação, por, demolindo a política da antecessora «entregar o ouro aos bandidos», literalmente, sem qualquer figura de estilo e no plural para ser mais claro: «aos bandidos».

O seu ódio figadal aos professores rematou-o atribuindo à classe docente portuguesa a responsabilidade pelo insucesso internacional dos alunos portugueses, esquecendo deliberadamente, claro…, que são exactamente os professores que denunciam a errada política educativa do Ministério da Educação, no seu facilitismo e nos seus processos falseadores de sucesso meramente estatístico…

Sobre o ouro, os meninos de ouro e os bandidos ficámos esclarecidos…

Sobre como trabalham as lavadeiras do regime também não restaram dúvidas…

Mário Rodrigues

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=24974

Ouvir os entre os minutos 24 e 28.

Groove Armada, At the River

É só relax… que o dia é longo…

E hoje é mesmo dia de tratar daquilo do 1% e do défice que já me deram umas pistas.

Página seguinte »