A ministra Gabriela Canavilhas procurou fazer hoje o elogio da I República, em cerimónia destinada a apresentar as iniciativas destinadas a comemorar o centenário do fim da Monarquia e instauração da República.

Nada contra, se exceptuarmos o pontapé no rigor histórico, quando é afirmado o seguinte:

“Se mais não houvesse, bastava o sufrágio universal e a ética republicana para que se justificasse esta celebração“, justificou Gabriela Canavilhas.

Sobre a ética republicana muito se poderia escrever, desde as práticas de então até às actuais.

Mas, mais importante, há um erro enorme na afirmação da ministra: a República instituiu o sufrágio universal masculino, deixando de fora mais de metade da população, ou seja, todo o sexo feminino. Aliás, se uma primeira leitura das regras do jogo político republicano poderiam deixar algumas dúvidas, o episódio despoletado por Carolina Beatriz Ângelo deixaria tudo muito claro quanto à natureza exclusivamente masculina da democracia republicana de então. O que, penso eu de que…, é uma forma amputada de democracia.

Que seja uma mulher a esquecê-lo, ignorá-lo ou achar pouco relevante é apenas um pormaior.