Segunda-feira, 4 de Janeiro, 2010


The XX, Islands

Camera Obscura, Lloyd, I’m Ready to be Heartbroken

À conta daquele comentário de ontem…

Acabo de ter conhecimento de uma avaliação do desempenho com classificação até às milésimas. Não tenho autorização para divulgar essa, mas amanhã devo ter novidades de outr(a)s do mesmo calibre.

E depois o problema do défice são os encargos com os professores…

Lisnave. Estado “camuflou despesa” de 214 milhões de euros

O Tribunal de Contas diz que a despesa de aquisição aos bancos, realizada em 2008, foi “camuflada” como encargo de dívida pública. Em causa está o atraso no desenvolvimento imobiliário da antiga Lisnave, em Almada.

Sent: Monday, January 04, 2010 6:43 PM
Subject: Avaliação do Desempenho Docente
Colegas,
Como é sabido o modelo de avaliação do desempenho docente está a ser negociado com os sindicatos, aguardando-se, a todo o momento, indicações sobre os novos procedimentos a adoptar.
Assim sendo, a apresentação dos objectivos individuais fica adiada por mais um mês, se até lá não surgirem outras instruções.
Saudações

Inês Castro

O MAT fez-me uma espécie de entrevista-desafio num comentário. Sorte dele que por acaso passei com alguma atenção por essa caixa de comentários, o que nem sempre é possível após um dia pleno de actividades lectivas.

Embora eu ache que não tenho sido nada confuso, nem sequer lacónico, acerca destas questões, vou responder-lhe aqui a todas as questões, recordando, à laia de introdução, que dei o meu benefício da dúvida a esta equipa ministerial (leia-se ministra, que um secretário de estado não sei se existe e o outro já se viu que é porta-voz do ministério das Finanças), até perceber que as actuais propostas são piores em alguns aspectos do que o ECD em vigor e que isso não se alterou em mais de um mês de negociações.

Paulo,

Confesso que ando um pouco baralhado com a sua posição em relação a estas negociações do ECD/ADD.

Por isso coloco-lhe algumas questões que agradecia, se achar pertinente, que respondesse:

1. Quais os pontos positivos que vê na proposta que o ME? Respondem ou não às principais reivindicações dos professores nas manifestações de há 1 ano atrás?

Só respondem parcialmente às reivindicações em termos de modelo de avaliação do desempenho, nomeadamente na relativa desburocratização do processo. quanto à carreira, as cedências são ilusórias e meramente formais, agravando alguns aspectos em matéria de progressão.

2. O que falta para se conseguir um acordo satisfatório?

Falta – principalmente – que a estrutura da carreira não seja feita em patamares de acesso sujeito a contingentações arbitrárias e que são mais gravosas para os professores em início de carreira do que a divisão entre titulares e professores rasos.

3. Não acha que seria um bom acordo se fosse possível renegociar o fim de um dos contingentes, a alteração da periodicidade dos ciclos de avaliação e o fim da prova de ingresso? Não seria isso suficiente?

Seria um bom acordo se desaparecessem, no mínimo, dois dos contingentes. Desaparecer apenas um contingente é recuar em relação ao actual Estatuto. Porque a eliminação da divisão na carreira não pode ser trocada por um modelo de carreira ainda pior.

4. Será possível obter um acordo com o ME sem que isso implique um aumento da despesa pública? Será admissível, dada a situação do país, que se sacrifique as contas públicas em favor de uma progressão garantida para todos os professores?

As contas públicas não são sacrificadas pelos pagamentos aos professores. Isso está por demonstrar porque o ME não divulga os números das poupanças que a sua proposta acarreta. E não o faz porque se o divulgasse isso prestar-se-ia a comparações que demonstrariam até que ponto há outros gastos muito mais supérfluos do que os acarretados pela progressão da maioria dos professores. Num contexto de alargamento da escolaridade para 12 anos é ridículo querer conter o défice com base na redução do horizonte de progressão dos docentes.

5. Os professores querem ou não uma ADD que valha a pena, que diferencie os desempenhos e que regule a progressão na carreira? Porque é que agora já ninguém fala no modelo de ADD e anda tudo preocupado com os contingentes e afins? Porque é que o modelo de ADD já não é problema?

O modelo de ADD já não é um grande problema, porque desde sempre a grande discordância se centrava no modelo da carreira. O modelo de ADD mais não é do que um mecanismo de operacionalização e instrumentalização de uma progressão condicionada e limitada dos docentes.

6. Será possível garantir que sem a existência de quotas é possível haver uma diferenciação justa dos desempenhos e das classificações? Conhece-se alguns exemplos, em avaliação feito por pares, onde isso acontece?

Eu inverteria a lógica da pergunta: há alguma garantia que o modelo proposto pelo ME permita diferenciar o mérito e não recompensar as cliques particulares de alguns(mas) directore(a)s?

Ou mais importante: será que o ME não confia na capacidade avaliadora daqueles que designou como avaliadores-mores no seu modelo de ADD? Porque se confia, não precisa de quotas para forçar os directores a distinguir quem merece de quem não merece progredir mais rapidamente.

E já agora: há casos concretos e demonstráveis em que o modelo proposto pelo ME – de quotas e etc – se tenha verificado factor de melhoria do desempenho de docentes e alunos?

7. O que explica que se defenda o fim das quotas e dos contingentes para a carreira de professor quando isso acontece em todas as outras carreiras da função pública?

O que acontece com as restantes carreiras não é uma preocupação minha. O facto de na Turquia ou Índia os comboios chocarem com muita frequência não significa que devemos ficar preocupados porque os nossos chocam menos.  O mal dos outros não deve ser panaceia para os meus. O facto de alguém ter perdido os dois olhos num acidente não me deve consolar por ter perdido apenas um. Mais a sério, eu diria que se existem carreiras especiais com um estatuto próprio decorrente da natureza específica dessa mesma carreira e da função desempenhada pelos respectivos profissionais, então é natural – e mesmo lógico e quase indispensável – que essas carreiras tenham regras próprias na sua estrutura, forma de progressão e modelo de avaliação.

Abraço.

p.s Já agora recordo-lhe um dos seus post´s anteriores às negociações….

https://educar.wordpress.com/2009/10/25/aclarando-posicoes/

Recordei e confirmo o que lá estava, sublinhando que o fim da divisão da carreira em duas categorias não compensa a transformação dessa carreira em quatro subcarreiras.

Portugueses no Luxemburgo são os campeões do abandono escolar

Um em cada quatro alunos que abandona a escola secundária no Luxemburgo é português, revela um estudo do Ministério da Educação luxemburguês, acrescentando que no último ano lectivo deixaram os bancos da escola 454 estudantes portugueses.

De acordo com o documento, os alunos portugueses, que representam 19,1 por cento da população estudantil, são os que apresentam a maior taxa de abandono escolar entre os estrangeiros: 23,5 por cento do total de estudantes que abandonam a escola.

Logo a seguir surgem os ex-jugoslavos, com 61 alunos a abandonar a escola (3,2 por cento do total), os franceses com 55 (2,9 por cento do total), os italianos com 54 (2,8 por cento), os belgas com 28 (1,5 por cento), os cabo-verdianos com 25 (1,3 por cento) e os alemães com 15 (0,8 por cento). Entre os luxemburgueses, 1,097 estudantes deixaram a escola no ano lectivo de 2008/2009, representando 56,9 por cento do total.

O PROFESSOR POLIVALENTE

A intervenção do Paulo na TVI, certeira na crítica ao reatado separatismo sindical, e a navegar nas águas tranquilas do bom senso e da objectividade, sugeriu-me esta reflexão que gostaria de partilhar com o universo umbiguista.

O argumento que salta da boca de quem está fora do sistema educativo é o de que, “se nas empresas há avaliação selectiva, também na escola terá de haver…”.

Quem ousa comparar o sistema empresarial com o sistema educativo, talvez também não se importe de comparar  “alhos com bugalhos”, fazendo da lógica gato sapato.

Senão vejamos:

Numa empresa (como, por exemplo, uma fábrica de queijo) há diversos grupos de trabalhadores, distintos por aquilo que fazem ( o grupo dos que recolhem a matéria prima -o leite; o grupo dos que transformam o leite no seu derivado – o queijo; o dos que colocam os diversos queijos em embalagens; o grupo que as vai distribuir; e, naturalmente, os grupos dos chefes ,subchefes e directores.). E é essa diferença de competências, que também se reflecte nos salários dos trabalhadores. É claro que , normalmente, o que acontece é os empresários fazerem com que se reflictam as várias competências dos trabalhadores nos diversos patamares salariais. Não há competências iguais,  logo não há  salários iguais. E assim se organizam os escalões remuneratórios numa empresa .

Na Escola ( Sistema edudativo), salvo o devido respeito, não é, nem deve ser, assim.

E porquê?

Por que na Escola não existe o grupo de professores que vai recolher o saber ( que é a matéria prima de que se servem para ensinar). É que esse trabalho, curiosamente, foi previamente feito por eles, os professores ( com custos pessoais , e sem retorno remuneratório);

Na Escola, também não há um grupo específico que transforme a matéria prima em derivados. Na Escola, ao contrário do que se passa numa empresa, são todos os professores que transformam o seu saber pessoal, no saber colectivo dos seus alunos;

Na Escola, não há um grupo restrito que distribua em “embalagens de saberes e de competências”, o trabalho feito por outros. Na Escola também é o professor que distribui o seu saber pelas turmas, pelos alunos.

O Professor é alguém que faz tudo. Um polivalente do mundo do trabalho. Por isso, o seu estatuto remuneratório deve ser específico tendo em conta a sua homogeneidade científica e pedagógica, sem esquecer que é uma classe profissional entre outras, devendo ser, por via disso, equitativamente integrado nas várias estruturas que formam o tecido laboral português. É o professor, e mais ninguém, que vai à origem do saber, buscá-lo (e demora anos nessa busca e nessa recolha); Depois, tem ainda o enorme trabalho de reelaborar essa recolha (ou aprendizagem)  numa nova matéria (de ensino ); finalmente, distribui essa reconstrução por quem dela precisa (os seus alunos).

Não entender isto e ter responsabilidades políticas na avaliação, selecção e organização estatutária dos professores, é como organizar a volta a Portugal em bicicleta, fornecendo  bicicletas a umas equipas, e motos ou triciclos  a outras.

Cunha Ribeiro

Devo Dar Um Magalhães ao Meu Filho?

Mais do mesmo… já lá vão 6 anos!

Agrupamento Vertical de Escolas de Lagos

Ano lectivo 2009/2010

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE

Despacho nº2

1-      Data para a entrega dos objectivos individuais – 8 de Janeiro de 2010,

2-      Entrega de objectivos nos serviços administração escolar, ao gestor do docente,

3-      Pedido de observação de aulas, entregue pelo docente nos serviços de administração escolar, até 8 de Janeiro de 2010.

Lagos, 4 de Janeiro de 2010

Graça Cabrita

Directora

Não resistiu à falta de carência blogosférica:

Sexta 13

O design é um bocado a modos que… bonito mas fracturante.

… que por Sines a ADD continua como se tudo estivesse em 2008, com reuniões entre avaliadores e avaliados e tudo. Como disse a minha fonte «Quando me lembro, que em tempos o Alentejo era vermelho, até fico verde».

Afinal foi de lá que veio o acordo PS/PSD para o nque se está a passar… E como a equipa do ME demonstra uma confrangedora falta de autonomia nas negociações…

Fenprof admite recorrer ao Parlamento já na 6.ª-feira

Sindicatos apontam 5.ª-feira como prazo para acordo sobre carreiras e avaliação

O líder da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) admitiu ontem ao DN a possibilidade de avançar já na sexta-feira para a Assembleia da República. Isto caso não se chegue a um princípio de acordo sobre a avaliação e a carreira docente na reunião que terá lugar na véspera, no Ministério da Educação

“Se a reunião é quinta, não havendo acordo é natural que já na sexta-feira estejamos em condições de recorrer à Comissão de Educação”, disse Mário Nogueira, acrescentando que uma primeira abordagem à Assembleia da República consistirá “na entrega de um dossiê com as propostas do Ministério e as contrapropostas dos sindicatos, para que os deputados compreendam o que separa as partes”.

Magritte, A Condição Humana (1933)