Domingo, 3 de Janeiro, 2010


Swing Out Sister, Breakout

E tenho muitas mais destas memórias da pop irrelevante dos anos 80 por distribuir…

Já agora, quem não foi enganado(a) por um sorriso que atire a primeira pedra.

Ando a rebuscar os meus velhos cd’s, disquetes, etc, na tentativa de encontrar uma série de textos que fui produzindo e deixando de lado ao longo dos anos.

Entre várias coisas que já tinha perdido a esperança de encontrar está o trabalho que fiz com a Maria João Pinto (acho que passou aqui há dias num comentário) há dez anos com a minha Direcção de Turma. Foi no meu ano de profissionalização e serviu como experiência quase extrema de trabalho com uma turma a priori muito problemática em termos de aprendizagens pelos casos de NEE que integrava, mas que acabou por correr muito bem.

Curiosamente ou não, a partir desse ano (1999/2000) passei a trabalhar quase sempre com turmas deste tipo, formal ou informalmente de currículos alternativos ou adaptados ou etc.

Este texto (TurmaDT), que não corresponde propriamente a um artigo mas mais a um relatório, serviu de base para algumas apresentações públicas durante oa no de 2000, uma delas no Instituto Piaget em Almada e outra em Peniche, numa iniciativa da CERCI local se não estou em erro.

Também com uma década, um estudo de Diane Elson sobre a relação entre o género e o desenvolvimento económico, numa perspectiva da necessidade de elevar a educação feminina e o promover o acesso das mulheres ao mundo do trabalho (qualificado) como medida essencial para o desenvolvimento dos países mais pobres.

G e n d e r   a n d   e c o n o m i c   d e v e l o p m e n t

Introduction: women and development
It is well known that women are generally worse off than men in most countries, especially in the Third World. In addition to their income-generating activities (in cash and in kind), women’s household duties include caring for the children, the sick and elderly, house
maintenance, preparing food, and fetching firewood and water. Yet because of women’s more limited access to education and other opportunities, their productivity relative to their potential (and to men’s productivity) remains low. Improving women’s productivity can contribute to both economic growth, efficiency, and poverty reduction.
Investing in women (with respect to education, health, family planning, access to land, etc.) therefore not only directly reduces poverty, but also leads to higher productivity and a more efficient use of resources. It often produces significant social gains: lower fertility, better
household nutrition, and reduced infant, child, and maternal mortality. This payoff notwithstanding, the gender gap remains substantial in many countries. Girls’ school enrolment rates lag behind those of boys. Women’s life expectancies are often lower than men’s due to discrimination in food intake, despite natural advantages at birth.
Parents in developing countries are less likely to send their daughters to school than their sons: educational costs are higher for girls than for boys, and the expected benefits are lower. As a result, women are at a disadvantage in the labour market, giving rise to a vicious circle of low earnings and low investment in schooling. Women in developing countries also often lack access to family planning services, which in combination with low education can be lethal, as high maternal mortality rates show.

Porque o tema suscitou algumas animadas discussões em posts recentes, irei deixar por aqui alguns materiais que usei num passado não muito recente (final dos anos 90 a meados desta década) na investigação para alguns trabalhos sobre a Educação e a Mulher. Começo por um estudo, já com uma década, de Deon Filmer para o Banco Mundial

The Structure of Social Disparities in Education: Gender and Wealth

Wealth gaps in educational outcomes are large in many developing countries. While many societies do not have a gender gap, it is large in some, particularly in Western and Central Africa, North Africa, and South Asia. In some countries with a female disadvantage, household wealth interacts with gender to create an especially large disadvantage among the poor.

Eis a lista que se pode encontrar na página 172 da obra So Much Reform, So Little Change de Charles M. Payne (Harvard Education Press, 2008):

  • Tendência para não contar com o contexto social e político.
  • Falta de tempo, incluindo para treinar, planear, reflectir e para as pessoas-chave trocarem informação de forma atempada; choque das necessidades de tempo para diferentes programas.
  • Ritmo e escala da mudança mal apropriados; tendência para fazer demasiado muito depressa.
  • Falta de liderança; tendência para tudo recair nos directores e nos seus fiéis.
  • Estreita base de apoio; falta de apropriação, falsa adesão.
  • Crença generalizada no falhanço do programa; tendência dos professores para se comprometerem o mínimo.
  • Falta de balanços apropriados e consequente inabilidade para fazer correcções a meio do percurso; tensão entre o desejo de não magoar os sentimentos das pessoas e um balanço honesto.
  • Ambiguidades nos papéis introduzidos pelo novo programa.
  • Falta de compreensão profunda das modificações por parte das lideranças; falta de conhecimento comparativo em relação às inovações.
  • Instabilidade do pessoal chave.
  • Interferência/Falta de apoio dos funcionários locais.
  • Falta de coerência do programa.
  • Falta de continuidade.

Sempre ficam aqui umas sugestões de leitura para colocar tudo em perspectiva histórica.

Entrega obrigatória de OI até 18 de Dezembro? Alargada até este mês?

Obrigatória?

Diz quem?

A liderança premiada? Com base em? Isto vai continuar assim?

Vão-me soltar de novo o Ferrer?

Quer ter o filho perfeito? Basta usar medo e manipulação

Elizabeth Beckwith defende que a melhor forma de educar uma criança é criar o hábito de falar mal dos outros.

Velho de mais para trabalhar e novo de mais para a reforma

Já não procura trabalho. “Para quê? Tenho 55 anos. Sou velho demais para trabalhar e demasiado novo para ir para a reforma”. É quase a primeira coisa que Joaquim Nogueira diz, mal se senta à mesa na sala de jantar de sua casa, numa rua de Matosinhos chamada do Baixio, uma boa descrição da maneira como o encarregado de obra, emigrado tantos anos pela Europa fora, encara o futuro.

No final da conversa, chama a mulher, Maria das Dores, que estava lá dentro a ver televisão. Foi o sorriso quem deu as boas-vindas, já que da sua boca não saiu uma palavra. Nem para o JN nem para os médicos da Junta convocada pela Previdência para ver se podia trabalhar, apesar do AVC que lhe tirou a fala, o uso da mão direita e todo o atractivo para quem dá emprego. “Como é que uma costureira assim pode trabalhar?”.

Naquela tarde, no centro de saúde, ficaram sentados, ela e o marido, enquanto os altifalantes repetiam o nome. “Eu não disse nada, não era por mim que chamavam, era por ela”. Maria das Dores não falou, claro, como podia?, e foi declarada inválida a troco de nem 300 euros por mês.

Joaquim estava algures na Europa quando soube do acidente cardiovascular. Tinha 46 ou 47 anos, não se lembra bem. A família resume-se a uma filha militar, prestes a embarcar para o Líbano, e um filho em Paris. E Maria das Dores, incapaz sequer de descascar uma batata. Voltou a Portugal, ainda teve um ou outro emprego, aleijou-se numa caldeira, foi trabalhar para a Guarda (“levei a minha mulher comigo”), o contrato acabou, não foi renovado, nunca mais arranjou outro.

Com um sorriso, mas de desalento, encadeia as cenas que o trouxeram até hoje. Trabalha desde os 16 anos, primeiro como servente e agora sem serventia. Recebe subsídio de desemprego e garante que “desistir é que não”. Mas nos seus olhos nem se adivinha luz ao fundo do túnel.

Antes que alguém dispare já, em termos profissionais passei – mesmo se não de forma muito alongada – pelo sector privado, fui durante muito tempo profissional liberal, só deixando de o ser quando me decidi dedicar praticamente em exlusivo à docência. Por isso, acho lamentável este tipo de carreiras feitas exclusivamente em aviário, com a fidelidade partidária a ser recompensada à custa do Estado. quando aparecem a criticar os profesores por serem pagos pelos impostos de todos, o que dirão desta camada de gente que muito menos fez, muito mais ganha, e é paga pelo erário público em troca de serviços prestados no âmbito das lutas partidárias?

Salvar o país deste Estado, e o Estado deste governo

Portugal gosta de viver à sombra do Estado, mas raras vezes um governo quis controlar tanto o Estado como o que temosOntem de manhã fui ao Portal do Governo, abri um por um os perfis profissionais de todos os membros do Governo, e confirmei uma suspeita: nenhum deles trabalhou a maior parte da vida no sector privado. A maioria nunca o fez. Alguns, poucos, exerceram vagamente a advocacia, mas há muito que não têm “escritório”.

Duas ministras terão ganho mais em direitos de autor do que com os proventos dos lugares que mantêm na administração pública. E até a “sindicalista” nunca trabalhou numa empresa, começou logo como funcionária da UGT. Considerando o conjunto dos ministros, o número total de anos passados no Parlamento ou em gabinetes ministeriais não deve ser muito diferente do acumulado a dar aulas em universidades públicas. Perguntar-se-á: mas porquê a minha suspeita? E será que podemos tirar alguma ilação desta constatação? Na verdade não há mal intrínseco em se ter feito toda a carreira no sector público. Nem de tal se pode tirar qualquer ilação, sobretudo se pensarmos nos que dão aulas nas universidades.

Contudo… Contudo estamos perante um sinal dos tempos: o melhor (?) que o país foi capaz de produzir para depois lhe entregar a responsabilidade de o governar foi um grupo de quadros que nunca correu os riscos associados à actividade privada e sempre cresceu no ambiente protegido – mesmo que nem sempre glorioso – da administração pública. Sucede com este Governo, como poderia suceder com um governo liderado pelo PSD, talvez com pequenas nuances, e não deve surpreender ninguém: o sonho da maioria dos portugueses é, há décadas, há séculos, acolher-se no regaço protector do Estado. De preferência como seu servidor, se necessário como seu subsidiado.

Hoje, no Público, sem link.

A minha petiza trouxe o papelinho para casa na primeira semana de Dezembro. Vá lá que os papás lhe podem colocar um dos portáteles domésticos – nenhum e-escolas, por questões de coerência – ao dispor para o que for preciso.

Arranca corrida ao e-escolinhas

Depois de vários atrasos, concurso público internacional deverá começar na próxima semana.

O ano lectivo começou há mais de três meses. E já foram ultrapassadas as duas primeiras datas previstas. Mas na próxima semana vai finalmente arrancar o concurso internacional para a compra de 250 mil portáteis na 2.ª fase do programa e-escolinhas, o mesmo que levou à distribuição de 400 mil Magalhães.

Segundo confirmou ao DN o Ministério da Educação, “as peças do concurso estão fechadas” pelo que, logo na segunda-feira, o aviso deverá seguir para o Jornal Oficial da União Europeia, prevendo-se a publicação ainda “na próxima semana” neste equivalente comunitário ao Diário da República.

Este será, apenas, o primeiro passo de um processo burocrático com muitos prazos, desde o período para a manifestação de interesse dos fabricantes à logística envolvida na entrega do substituto do Magalhães depois de ser escolhido o vencedor.

De resto, um gabinete jurídico contactado recentemente pelo DN estimou em “pelo menos quatro meses” o período necessário para que os portáteis comecem a chegar aos destinatários. O que equivale a dizer que isso só deverá acontecer por alturas da Páscoa.

Que me desculpem, mas isto não chega a ser notícia. Eu passo todos os dias por sítios onde até nas margens do Tejo isto se faz, à vista de todos, e perante a complacência das autoridades.

É, infelizmente, o país real. O Portugal profundo dos negócios de sucesso. Não conhecem?

Godinho extraiu areia ilegalmente e enterrou entulho nos buracos

Uma das empresas de Manuel José Godinho, o principal arguido do processo Face Oculta e o único em prisão preventiva, extraiu ilegalmente areia num terreno em Ovar, tendo enchido os buracos criados com “cargas de terra e entulho vindos de outros locais”.

Piet Mondrian, Árvore Vermelha (1908)

Como podem ver, o homem não pintou apenas riscos e quadrados com cores básicas…