Sábado, 2 de Janeiro, 2010


ABC, When Smokey Sings

Schools chief attacks ‘prejudiced’ middle-class parents

One of the government’s key education advisers today attacks middle-class parents who refuse to send their children to the local secondary school because of “innate and uninformed” prejudices.

Professor David Woods, chief adviser for London schools, accused parents who attend “dinner parties in Islington” of writing off excellent comprehensives on their doorsteps, and challenged them to go and spend a day in a local school

In an interview with the Guardian, he condemned parents who automatically send their children from a state primary to a grammar or private secondary school, rather than to a comprehensive.

“Some parents, while perfectly prepared to buy into state primary education, have an innate prejudice against their local state secondary school,” said Woods, who has worked with education ministers since 1998 to shape government policy on underperforming comprehensives.

Já lá vai mais de uma dezena de anos que escrevi este estudo (QHOM2), de que nem sei se esta é a versão final, pois já dei cabo de 3 computadores e vários discos rígidos desde então. À época o objectivo era fazer parte de um volume de uma ambiciosa obra colectiva sobre a História do Quotidiano em Portugal que nunca chegou a ser publicada, mesmo se a editora em causa me pagou rigorosamente os artigos produzidos (num total de sete, de que nãoa cho rasto de alguns)

Sei que fiz uma revisão há coisa de uma mão-cheia de anos quando me deram a entender que talvez pudesse ser publicado como artigo numa revista de gender studies, mas como o tema da revista é principalmente feminino, nada se concretizou. Mais recentemente disponibilizei-o a uma jornalista que abordou o tema na revista dominical do Público.

Porque este blogue também era para isso aqui fica a introdução do artigo e o texto completo no link mais acima, onde estão disponíveis as referências bibliográficas que se notam restritas ao final da década de 90.

AS FACES DE ADÃO:

A Construção da Masculinidade Contemporânea em Portugal

O tema da masculinidade contemporânea, dos seus valores, das suas rotinas e dos seus atributos, tem vindo a estar afastado da investigação histórica e sociológica, permanecendo um quase exclusivo do domínio da Antropologia. Focando basicamente as comunidades humanas ditas “primitivas” e os seus rituais de iniciação e passagem à idade adulta, a antropologia anglo-saxónica produziu um amplo espectro de leituras que não teve, de forma alguma, equivalente comparável no campo da produção historiográfica. As razões para esta atitude radicaram na crença largamente espalhada, e longamente interiorizada como correcta, de que as definições e manifestações históricas da masculinidade constituem um dado adquirido, que tornaria redundante qualquer tipo de abordagem. A elaboração da História ao longo dos séculos seria uma longa descrição da construção/experiência da História no masculino que se pretendia passar como a história da Humanidade. A “voz dos homens” contra o “silêncio das mulheres” na História tem vindo a ser a teoria das enérgicas análises feministas que surgiriam em defesa da Mulher, enquanto sujeito invisível de um passado reconstituído de forma parcial e quase exclusivamente masculina. Assim, ao defender-se o direito à diferença para a vivência feminina da História, o Homem passou a ser definido pela negativa, como contraponto, esboçando-se a traço grosso os atributos dessa masculinidade repressora.

Os anos 70, em especial nos países anglo-saxónicos, experimentaram o nascimento e proliferação dos chamados Feminist Studies que, com a sua crescente aceitação académica procuraram apresentar-se de forma menos activista, se transmutaram gradualmente em Women’s Studies ou Gender Studies, e se foram divulgando pelas principais historiografias europeias. As últimas décadas permitiram a consolidação deste campo de investigação nas ciências sociais e humanas, a nível europeu e mundial, recuperando para a existência histórica e para a “visibilidade”, aquela grande minoria que é a população feminina. Desta forma, se procurou combater a injustiça que durante décadas ou mesmo séculos sacrificou o papel da Mulher na Sociedade e na História, apresentada como sujeito menor, discriminado na vivência quotidiana e no tratamento que sobre ele os investigadores sociais e historiadores dedicaram, reduzindo-a a estereótipos.

O avanço da investigação sobre a experiência histórica feminina (e já não tanto feminista), justificou, há já uma década, os primeiros esforços de história global (Anderson e Zinsser 1990 e Duby e Perrot 1992), e tem vindo a ocupar um número crescente de trabalhos e investigadores, em acelerado esforço de reabilitação de uma injustiça secular. Verificamos, contudo, que até há bem pouco, isso acarretou uma consequência negativa simétrica da anteriormente criticada. Ou seja, o sujeito dominador, opressor e responsável pela discriminação – o Homem -, passou ele próprio a ser objecto do tratamento que antes dispensava ao universo feminino: agora é ele que, em muitos estudos sobre a Mulher, surge definido pelo esboço, pela redução caricatural e arquetípica.

Recuperaram-se parcialmente, com diversos graus de aprofundamento e sistematização, as experiências femininas do acesso à educação, dos rituais envolvendo a sua juventude, de entrada no mercado de trabalho, da vida familiar e conjugal, da maternidade, do ciclo de vida biológico feminino, etc, etc; foi dado especial destaque à sua intervenção cívica e política e à sua participação em movimentos de carácter sindical e de contestação social, enquanto menor relevância mereciam outros temas como as expectativas sociais perante o nascimento de elementos do sexo feminino, o envelhecimento ou mesmo a preparação para a morte (áreas mais circunscritas ao domínio da Antropologia Social). Em falta ficaram os estudos simétricos para o caso masculino. Os exemplos em contrário constituem aquelas excepções que, pelo seu isolamento, acentuam ainda mais o seu desenquadramento das tendências dominantes do momento. É o caso de trabalhos percursores como algumas tentativas de história da  paternidade  em  França (Delumeau e Roche 1990) e nos E.U.A (Griswold 1993), resposta a esforço com uma década de avanço para a maternidade (Knibiehler e Fouquet 1980).

No entanto, a partir de meados dos anos 80, com um claro reforço na última década do século XX, começou a surgir uma vaga, com epicentro essencialmente nos E.U.A., de estudos sobre os fundamentos da masculinidade tradicional que, finalmente, pareceu começar a ser posta em causa, quer na sequência das críticas exteriores como de uma reformulação interna dos valores masculinos (vejam-se, entre outros, Cornell 1995, Horrocks 1994, McInnes 1998, Messner 1997 ou Segal 1990). Resultado de mutações visíveis em diversos campos da cultura, mais ou menos popular, como o cinema, as séries televisiva, a publicidade, em que a representação do Homem começa a adquirir contornos e atributos diversos dos tradicionalmente associados à masculinidade, de onde ressalta uma fragilização da sua imagem e, em simultâneo, uma sua abertura a valores e rotinas a que anteriormente se mostrava avesso e empurrava para o domínio exclusivo da Mulher. Ao ponto de alguém perguntar o que quererão os homens, na abertura de um pequeno estudo-guia em torno das leituras possíveis sobre a “crise de identidade masculina”  nos nossos dias (Shweder 1994).

As questões que se pretendem levantar nestas páginas são, em suma, as que se relacionam com o significado, no concreto, do “ser-se homem” (macho dominador, insensível, defensor acérrimo dos seus privilégios e ser intrinsecamente não igualitário, na visão mais radical do feminismo contemporâneo) no século XIX, na sociedade ocidental. Que atributos definiam a masculinidade?  As meras, embora estruturais, questões de ordem biológica, ou algo mais?  Que sinais exteriores definiam o modelo masculino dominante e como evoluíram até ao início do século XX?  Que espaços se podiam considerar característica e exclusivamente masculinos?  Quais os seus rituais específicos, como se entrava para o universo masculino adulto?  Quais as suas diversões, os seus hábitos de leitura? Como se deveria processar o seu relacionamento com o sexo oposto? Quais os valores que conscientemente assumiam em oposição, contraposição ou sobreposição aos do universo feminino? Que ameaças sentiram à sua identidade?

Curiosamente, apesar das aparências, tudo isto continua por responder.

Este tema é-me especialmente caro porque nos ptimeiros tempos em que tentei abordar isto por cá não fiquei muito bem visto em alguns círculos mais preconceituosos, por me acharem preconceituoso. O que é algo a que já vou estando habituado.

Closing the education gap

Educationalists have long worried about the achievement and development gap that matches the gender gap among children. Such concerns lie behind the Government’s decision to urge nurseries and childminders to get small boys writing more, and writing earlier.

It is deeply depressing that, according to official data, more than one in six boys cannot write their own name, or spell words like “dad” or “cat”, after a year in school – and that this is double the proportion of girls similarly held back.

‘Bureaucracy’ is driving talented teachers out of schools, Tories claim

Hundreds of thousands of qualified teachers have left state schools or never even taught a lesson, the Tories claim today.

More than 400,000 teachers are working in other professions, at independent schools, are unemployed or have taken early retirement.

About 25,000 people who qualified as teachers in the past ten years never entered the classroom, according to figures released by the Conservatives. They claim that bureaucracy is driving talented teachers out of schools.

… se os seus prazeres têm este tipo de prioridades:

Jeans é melhor que sexo

Um estudo mostra que 29,1% das mulheres britânicas acreditam que se voltassem a caber num velho par de calças de ganga, sentiram mais prazer do que se tivessem sexo, avançou hoje a BBC.

Na sondagem online organizada por uma marca multinacional de cereais, 2,2 mil entrevistadas foram incitadas a comparar a sensação de constatar uma perda de peso a outras felizes acontecimentos da vida. Além do resultado acima referido, 28,9% pensam que caber numas calças velhas seria melhor do que ser promovida e 11,1% disseram que seria melhor do que ser pedida em casamento.

A maioria das entrevistadas confessou ainda que guarda no fundo do armário uma calça velha que sonham voltar a vestir.

Cavaco promete aos portugueses não ficar calado

O problema é a qualidade da conversa. Ou os efeitos práticos. Ou os tiros nos pés.

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