Terça-feira, 29 de Dezembro, 2009


Espero que o post entre a horas, que o programa esteja a decorrer normalmente e que eu não me tenha perdido no caminho.

Mais logo, devo estar – caso não me perca no caminho – no Diário da Noite da TVI24, a partir das 22 horas, em conjunto com o João Dias da Silva e o Mário Nogueira.

Não sendo obviamente pela imensa fotogenia que transmito – que existe e me é naturalmente natural –  nem pela representação de mais do que a posição individual de quem anda na escola a dar aulas como um comum zeco, julgo que lá estarei para, no tempo que me seja dado, dizer alguma coisa que valha a pena para ajudar a esclarecer a opinião televisiva sobre esta imensa confusão que se está de novo a avizinhar em matéria de Educação.

Portantosssss…. façam lá o favor de dar sugestões até mais ao meio da tarde, que óspois eu vou-me andando e só deixo um post para quem consiga acompanhar a transmissão (que não eu, porque o meu serviço de televisão não tem o dito cujo canal) dar a sua opinião.

De acordo com o WordPress foram cerca de 16.000 olhares e de acordo com o Sitemeter já perto dos 5000 visitantes individuais. São números acima dos dias da última manifestação em Lisboa (14.500 page-views para o WP), mas ainda abaixo dos dias da manifestação dos 100.000 (20.ooo page-views).

Vale o que vale, mas estamos em época natalícia e isto é capaz de significar algo em termos de fermentação do descontentamento. A ter em atenção por quem de direito, nestes dias de negociações.

Esmiuçando as quotas

Agora acerca da avaliação dos professores…

O editorial do DN de hoje retorna àquele modo de tratar o diferente docentes (agora chamados professores não-universitários) e ME que se filia num equívoco que, ao fim deste tempo, só permanece em algumas cabeças por incapacidade para entender o óbvio ou por não querer mesmo entendê-lo.

Vamos lá ver se nos entedemos: na profissão docente não há topo de carreira, no sentido hierárquico do termo. O professor mais velho ou num escalão mais avançado não manda em quem está num escalão inferior.

Num agrupamento ou escola há apenas 5 ou 7 docentes com funções que se podem considerar hierárquicas (o Director e os Coordenadores de Departamento). O resto faz tudo o mesmo ou devia fazer: dar aulas e os deveres que lhe estão associados.

Não há soldados, sargentos, tenentes, coronéis ou generais.

Há pessoas que progridem por cumprirem as suas obrigações profissionais e legais, também devido à antiguidade como acontecia na fábrica do meu pai onde, apesar de manter a mesma função, ele ganhava mais de tempos a tempos, em virtude das chamadas diuturnidades.

E uso este paralelismo não porque as escolas sejam fábricas, mas porque estou farto das metáforas militaristas e fabris aplicadas à docência.

O que está em causa para o ME e para o Min. Finanças não é reconhecer ou recompensar o mérito dos bons profissionais e fazê-los chegar a funções de maior responsabilidade – para isso poderiam existir prémios pecuniários, por exemplo – mas sim impedir que a maior parte dos docentes atinja o topo salarial da sua profissão, mesmo que cumpra com zelo, competência, dedicação e dignidade as suas funções.

Vamos ser claros: não é o mérito ou o topo da carreira que estão em causa. É apenas o tostão e o topo salarial. O resto é treta. E já todos o percebemos, sendo inútil quem ainda labore na argumentação ilusória do mandato anterior em que ninguém já acredita.

Até por ser do agrupamento de escolas da freguesia onde vivi até à idade em que Cristo também se cansou da terra.

O GINJA PARTIU!

O João, o Ginja, o Saraiva, o João Ginja, o “Ginjer Ale”, vários nomes para um homem. Um Homem Bom, um Professor Grande.

Para sermos honestos e para a homenagem ser maior, temos de afirmar que o Ginja não gostava de papéis. Era um homem de ferramentas, exímio com elas. Professor de Educação Tecnológica, no Agrupamento de Escolas José Afonso – Alhos Vedros, era um pronto-socorro para as avarias eléctricas na escola e outras manutenções necessárias, pondo os alunos a trabalhar com ele. Com o seu exemplo, com a sua arte, com o seu engenho os alunos aprendiam a saber fazer.

O Ginja era um homem simples, sem grandes ambições. Gostava de fazer aquilo que fazia, leccionar e, porque professor de uma disciplina técnica, fazia-o, sempre, com as ferramentas específicas da sua disciplina. Os alunos olhavam-no com um sorriso tranquilo e gostavam de o imitar. Facilmente o Ginja escolhia um aluno para o ajudar numa reparação eléctrica ou outra qualquer. A prática juntava-se assim à teoria. Nem sempre lhe era possível responder prontamente a essas solicitações mas a verdade é que, dois ou três dias depois, e se material houvesse, em silêncio, essas reparações estavam consumadas e todos sabiam que tinha sido o Ginja. Uma disponibilidade grande e gratuita!

O Ginja resolveu partir no dia 22 de Dezembro de 2009, tinha, imagine-se, os seus instrumentos de trabalho nas mãos e estava com alunos. Deixa-nos uma dor imensa! Durante muito tempo teremos a tentação de perguntar pelo Ginja. Custa-nos acreditar que ele nos tenha feito esta partida, custa-nos crer que na sua máquina, algo tenha deixado de funcionar. O nosso agrupamento de escolas fica mais pobre, a equipa de delegados de segurança fica debilitada e o Secretariado de Exames coxo; funcionários, alunos e professores perdem um amigo, porém nas horas da ronda de segurança e em todos os exercícios de evacuação, todos nós saberemos que ele estará por ali.

Enviado pelo Pedro Nunes em nome dos colegas do Agrupamento de Escolas José Afonso (Alhos Vedros)

Página seguinte »