Por José Carlos Lopes no jornal O Interior (referência gentilmente enviada pelo Ludgero Brioa):

Sociedade Matrix

Nunca estivemos tão ligados e, no entanto, tão isolados. Perguntar a um jovem qual o meio que usaria para transmitir a outrem as suas ansiedades, medos, alegrias, frustrações, e outros estados de alma, teria como resposta mais que provável – o telemóvel ou a Internet.
(…)
Não há escola secundária neste país que não tenha jovens reunidos, nos intervalos, nas zonas de lazer agarrados a computadores e respectivos Messenger ou redes sociais da Internet. Em vez de comunicarem entre si, viram-se para o mundo exterior e estabelecem precárias e virtuais relações com “nicknames” sabe-se lá de onde. Sinal dos tempos. Estamos perante uma situação de patologia social grave que terá consequências funestas, pois criamos indivíduos que perante a fobia do contacto directo privilegiarão sempre um computador que, crêem eles, os liga ao mundo, mas, no entanto, os afasta de quem lhes é próximo. É o paradigma das sociedades futuras – jovens e adultos carregados de “gadgets” que lhes permitem o imediatismo relativamente a acontecimentos e pessoas do outro lado do mundo e, no entanto, profundamente solitários enfiados nas suas casas e/ou escritórios, tele-trabalhando, tele-divertindo-se, “tele-flirtando”, sem os prazeres proporcionados pelo contacto pessoal, com os abraços, os beijos, os risos, os choros e outras formas ancestrais de gregarismo. É o dealbar de uma sociedade Matrix onde tudo, mas mesmo tudo, será virtual.