Sábado, 26 de Dezembro, 2009


Duffy, The First Cut is the Deepest

Sam Sparro, Black and Gold

Os habituais aqui do blogue saberão – ou não – que há coisas de uns seis meses fui eleito para o Conselho Municipal de Educação do concelho onde lecciono (Moita), após um processo eleitoral bastante renhido, visto ter sido candidato único e não estar garantido que ganhasse por mais de um voto à abstenção.

Aliás, nada tenho contra o sistema democrático desde que ele seja interpretado desta forma fidel-chaviana ou kim-il-qualquer-coisiana.

Adiante.

Fui eleito e tal, ficando impante com a importância da função, atendendo às longas e relevantes competências atribuídas ao órgão em causa.

Consultada a legislação relevante – decreto-lei 7/2003 de 15 de Janeiro – li no nº 1 do seu artigo 7º o seguinte trecho sobre o seu funcionamento:

Os conselhos municipais de educação reúnem, ordinariamente, no início do ano lectivo e no final de cada período escolar e, extraordinariamente, sempre que convocados pelo seu presidente.

Ora bem minhas caras e meus caros, nem ordinária, nem extraordinariamente o órgão reuniu ou teve uso, pensando eu se já não terá fenecido, ou caído de maduro, mesmo se o seu presidente é um ex-professor.

A verdade é que desde que o ano lectivo começou nem um pio se ouviu da parte da autarquia quanto a qualquer interesse, vago que fosse, em reunir o dito Conselho Municipal.

Por mim, que gosto pouco de reuniões irrelevantes e tiradas para a fotografia, tudo bem. Só que, por defeito manifesto de picuínhice, gosto sempre de confrontar aqueles que devem ser os primeiros a cumprir as leis que lhes interessam e pelas quais devem zelar com as suas obrigações.

Pelo que antevejo que – se por acaso houver reunião do CME da Moita – antes do meu mandato dar por findo, a reunião em que eu comparecer será certamente animada por alguma ironia, uma dose q.b. de sarcasmo, não descurando mesmo uma qualquer pilhéria mais ousada. O que pode dar para o bem ou pafra o mal, conforme esteja o vento de feição.

Porque se há coisa que eu desgosto é a municipalização da educação, em especial quando servida com má vontade e diminuto interesse. E tinha interesse em fazer ouvir esta opinião partilhada por muitos colegas em sede própria, sem ter de andar por aqui às indirectas mal disfarçadas.

Mais um pequeno lote dos postais recebidos. Do António Carvalhal, da Helena Cunha e do Jorge Lopes.

Educar as crianças como cães é um alívio para muitos pais

Especialistas dividem-se. Uns não misturam aprendizagem de seres irracionais e racionais. Outros defendem que há técnicas de psicologia canina que se podem aplicar. Com cuidado, para que as crianças não se tornem autómatos.

Muse, Undisclosed Desires

Retirada do arquivo pessoal para gozo público, esta é a foto da minha turma de 72/73 com alunos da 1ª e 2ª classe, uma espécie de manta de retalhos com alunos de zonas periféricas da minha terreola e aquilo que hoje chamaríamos miúdos problemáticos (não vou identificar o sorridente que dava 40 erros num ditado com 30 palavras, fruto do que agora se chamaria dislexia profunda, mas na altura ainda não tinha sido descoberta), a começar por aquele que fugiu da foto, mal se apercebeu que ninguém o conseguiria agarrar.

Afinal ninguém nos tinha avisado acerca do evento e, como se nota pelo porte e atitude da maior parte dos meus colegas, a coisa foi recebida com uma certa e determinada complacência e escassíssima preocupação.

Desastrado militante, nesse dia não levara bata, certamente encardida na véspera por muita brincadeira e ainda a secar na corda da roupa, ficando ali firme e hirto no meu casaco de malha verde escuro, o qual me deu para a posteridade aquele ar de pequeno Mao, ao lado de um Ernesto de mãos postas que não vejo há muitos anos. Na outra ponta tenho a impressão que encontro um recente candidato a autarca lá pela freguesia. Não sei como ainda consigo identificar o nome de 80% dos alunos daquela sala que, no ano seguinte, seria desmembrada com todos distribuídos pelas restantes classes da escola. Aliás, basta olhar para a foto que está na barra lateral do Umbigo para se constatar que deste ano para o seguinte perdi quase todos os meus colegas da 2ª classe.

A tal coisa da continuidade pedagógica ainda não tinha sido inventada, mas as directoras já, pelo que as turmas eram formadas assim como que a bel-prazer dos humores das ditas cujas, que faziam colheitas ocasionais para embelezarem os seus ramalhetes pessoais. No meu caso, animosidades estranhas e que me escapavam, fizeram que só na 3ª classe ascendesse ao Olimpo arrumadinho da sua classe de escol.

A Armanda enviou-me este pequeno volume com textos de professores da Escola Secundária de Felgueiras. Uma iniciativa que deveria acontecer um pouco mais pelo país, de modo a mostrar que há vida para além da docência, mas que tudo isso a enriquece.

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