Domingo, 20 de Dezembro, 2009


Todos, ou quase, conhecemos a prática de pequenas festas nos finais de período, ao atingir-se a centésima lição de alguma disciplina, no final do ano.

São pequenos rituais, regularmente repetidos a que nem sempre damos a devida atenção, mesmo quando participamos e nos envolvemos.

No entanto, nos últimos anos, esta prática começou a alargar-se cada vez mais e a outro tipo de datas. Este período, em especial numa das minhas turmas mais curtas começou a ser hábito a comemoração do aniversário dos alunos – para além da tradicional cantoria no final de uma aula –  envolvendo aquilo que é habitual: trazerem-se sumos, pequenos comes e bebes para uma meia hora de convívio numa aula em que o(a) docente prescinda de se preocupar com as formalidades programáticas.

Contrariando aquela ideia de que a escola é aborrecida e de que os alunos, em especial com historial de insucesso, se sentem incompreendidos pelos professores que com eles têm dificuldade de relacionamento num plano mais horizontal, os alunos desta turma fazem questão de querer o máximo de professores presentes, como aconteceu na passada 6ª feira em que vários alunos partiram em busca dos elementos do Conselho de Turma que ainda estavam a leccionar a meio da tarde.

Em outras ocasiões a ocorrência é mais modesta, como que apenas um pequeno momento de pausa e convívio. Há algumas semanas, lá fui convocado e apareci na sala de uma colega minha que tinha tido o cuidado de comprar bolo e velas para o aluno que fazia anos, já sabendo das suas dificuldades. A reacção do miúdo foi de espantado prazer, seguido de evidente emoção e indecisão: nunca tinha comido bolo de bolacha na vida (fazia 13 anos), nem sabia se o haveria de levar para casa para mostrar à família o que a professora lhe dera, tamanha considerava a dádiva surpreendente.

Como que ficou paralisado, após lhe cantarem os parabéns e ele ter soprado as velas. Colocou a fatia de bolo na mesa, para poder levá-la para casa, mas não parava de a olhar. Cedendo à tentação lá pediu para a comer, quando a aula já tinha sido retomada. Eu já lá não estava mas contaram-me que saiu um pouco da sala e comeu toda a fatia, enquanto uns colegas de passagem lhe pediam um pouco. Satisfeito, reenntrou dizendo que lhes tinha deixado uns pequenos restos que estavam na caixa do bolo.

Tanto no momento como agora, este é o tipo de história que nos deixa com um nó na garganta, sem saber se devemos sentir satisfação pela felicidade do aluno, se um incómodo embaraço por tudo o que revela das imensas carências, e não falo apenas das materiais, com que se debatem estas crianças e jovens com que trabalhamos todos os dias.

Congress Considers Cutting D.C. School Voucher Program

With more families choosing charter schools, the voucher option is losing political favor.

Não é uma questão de generalato para todos, é uma questão de equidade. Se é porque falta o dinheiro, demonstrem-nos que as poupanças feitas com os professores fazem parte de uma política de contenção séria da despesa pública e não de agendas eleitoralistas de reformas retóricas que desabam logo que o bloco central dos negócios se aflige.

Mais de 70 mil professores sem garantia de vaga

Governo quer introduzir barreiras no acesso aos escalões salariais que obrigam a maioria dos docentes a disputar as vagas disponíveis. “A proposta piora a actual situação”, avisam os sindicatos.

As limitações de vagas que o Governo quer introduzir no acesso ao 3.º, 5.º e 7.º escalões salariais significam que 70 909 professores – a grande maioria do actual quadro do Ministério da Educação – deixarão de ter garantida a progressão na carreira ao ritmo actual.

É isto que revela um balanço da distribuição dos docentes pelos diferentes escalões – realizado pelo Ministério da Educação a pedido dos sindicatos -, que permite concluir que apenas 44 061 docentes, de um total de 114 970 estão acima dos três “torniquetes”. Que irão consistir na “contingentação” de um número de vagas a definir anualmente pelo Ministério das Finanças. O documento, ao qual o DN teve acesso, mostra que só nos três escalões imediatamente inferiores a estas barreiras estão 42 487 professores: 18 865 no 2.º escalão, 14 317 no 4.º e 9305 no 5.º escalão.

A linha de água a partir da qual os professores deixam de depender de vagas para progredir será marcada pelo 7.º escalão. Um patamar onde não se encontra ninguém, já que foi criado para compensar os professores que não obtivessem lugar nos futuros concursos para a categoria de titular, que o Governo já prometeu extinguir.

Acima dessa linha estão ho- je 44 061 professores, dos quais 30 370 titulares e 13 691 não titulares. Estes últimos, por terem deixado de haver escalões reservados aos titulares, passam a ser os únicos professores claramente beneficiados com a mudança.

“Passa a haver três barreiras, todas anteriores à única que existia [no índice 340]. E acaba por surgir mais um degrau com o índice 272”, disse ao DN Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Por isso, para o dirigente sindical houve um retrocesso: “Olhando para a carreira como está actualmente, esta proposta do Ministério da Educação acaba por piorar a situação.”

Por estarmos a entrar em quadra natalícia, e em pleno período de reuniões de avaliação, é melhor não comentar muito este tema que tanta pirueta provoca nos finais de período, tanta ida à escola nos últimos dias da passada semana após três meses de absentismo, tanta lágrima de crocodilo, tanta parentalidade preocupada apenas com o número na pautae muito pouco em sequer olhar para dentro da mochila dos seus educandos.

Chegaram as férias escolares – o problema é se chegam também as notas negativas

O seu filho vai ter uma ou mais negativas? Se já sabe que sim, preocupe-se. Se não sabe responder, preocupe-se ainda mais. E, num caso ou noutro, actue, aconselham os especialistas.

Mas descansai, se neste período existirem muitas classificações negativas, entre a Páscoa e o estio quase todas elas derreterão em virtude do aquecimento sazonal de Junho-Julho.

Pois… o problema destes temas é que quem passa por eles demasiados anos a fio começa a sentir apenas o efeito de eco, sabendo que em termos substanciais pouco ou nada muda em muitas atitudes e quando muda nem sempre é no sentido “certo”.

Mas descansai que o que se anuncia ser, a curto ou médio prazo, um primeiro ciclo de escolaridade em que as famílias poderão estar cinco anos descansadas com a ausência de risco de reprovação.

Esperai, pois, senhoras e senhores, que o milagre do sucesso a 110% se anuncia, prenhe de descanso natalício, pascal e estival.

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