Segunda-feira, 14 de Dezembro, 2009


Prefab Sprout, Appetite

Absolutamente imperdível aquele bigode à Village People do Paddy MacAloon, um dos melhores escritores pop dos últimos 25 anos.

Já agora, se é para comprarem um cd neste Natal e forem teimosos e não quiserem comprar o best of dos Snow Patrol, não percam o álbum perdido de 1991 dos Prefab Sprout.

Tenho uma sina estranha. Muitas das minhas aulas têm mais alunos do que o número de elementos das turmas em causa. Na 6ª feira passada em vez dos 13 canónicos do PCA do dia, tinha 19 na aula de Introdução à Informática. O engraçado é que a alguns só os conheço dos corredores da escola, são amigos dos que têm o dever de me aturar.. Mais giro ainda é quando, a meio da aula, já na fase vocês podem-fazer-o-que-quiserem-desde-que-o-material-e-os-meus-ouvidos não-se-queixem, se dirigem a mim de forma muito cordata e perguntam se podem sair para ir à casa de banho ou mesmo para saírem simplesmente e irem à vida deles.

Hoje em Português ia nos 16. À tarde, a aluna que me faltou a semana passada a umas aulas da turma dela pediu para assistir à aula de outra turma e fazer a ficha de avaliação. Já aconteceu em outras alturas que os alunos que não puderam assistir a aulas no seu horário aparecessem – desde que não estejam em aulas de outras disciplinas – nas aulas de outras turmas para recuperarem conteúdos.

Não sei se isto é alguma forma de autonomia. A mim pelo menos parece-me uma certa forma de liberdade. Que me agrada.

Será este um post auto-complacente? Por supuesto que si…

Comecei a ronda, por vezes rotineira, das auto e heteroavaliações. Comecei bem porque, naquilo que mais interessa aos alunos e respectivas famílias, a taxa de acerto nas primeiras tornou desnecessárias as segundas.

Eu cá gosto quando não preciso de explicar uma classificação a um(a) aluno(a) por ele(a) se sentir injustiçado(a). Se o processo até ao momento da avaliação for claro e transparente – e isso não se confunde com certos preciosismos burocráticos como um que hoje li, espantado, num mail de uma DT de uma escola que não a minha – o produto é quase sempre inquestionável por quem esteja de boa vontade.

Mata-Avaliação

Um dos mais violentos e lúcidos textos que já li e que gostava de ter escrito. Se tivesse o tempo e a disponibilidade mental para traduzir em palavras o desgosto e a revolta que nos vai corroendo por dentro quando o palhaço se torna omnipresente e nos cerca por todos os lados. Espero que não tenha sido por falta de coragem, porque, isso sim, me desapontaria a mim mesmo.

O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

Mas acho que era uma apropriação abusiva de uma passagem do Génesis, que já de si se presta a equívocos.

Primeiro-ministro satisfeito com «êxito» das Novas Oportunidades

O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou hoje que, quatro anos depois, o programa Novas Oportunidades é «um êxito» e apontou a diversificação de oferta de formação como o caminho a seguir.

E esta, hein?!…

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