Sábado, 12 de Dezembro, 2009


Stone Temple Pilots, Plush

Em desespero de causa, só mesmo para matar o vício, hoje comprei apenas A Gestão das Emoções na Sala de Aula por € 7,5.

Ainda no Expresso faz-se a contabilidade profissional dos deputados e conclui-se que os professores dominam. Um quarto dos deputados da Nação são docentes.

Quem diria?

O problema é que a designação professores acaba por ser ilusória, visto que, ao contrário de outras profissões, entre os profes há aqueles que são de distinta primeira – os do Ensino Superior – e os de segunda – que são os outros. E essa diferença é mais importante do que pode parecer porque há um distanciamento evidente entre aqueles que acham ensinar superiormente e os básicos ou mesmo secundários.

Nada de misturas, em termos profissionais. Contactos quase nulos (afinal uma diferença mínima no arranque da carreira acaba por colocar uns a dar aulas aos outros ao fim de uns tempos, como aconteceu tantas vezes nas profissionalizações) e solidariedade escassa.

Infelizmente.

E mesmo entre os superiores existem divisões (atenção que um professor do politécnico não é mesmo qu um vital coimbrão), assim como entre os básicos por vezes impera uma amnésia quase completa em relação às origens. Seria aqui penoso apontar os casos individuais aqueles que, sentindo-se erguidos acima do destino comum, subitament se tornaram críticos acérrimos dos seus anteriores colegas.

Daí, por exemplo, a imensa subserviência dos professores do ensino básico e secundário que faziam (e fazem) parte da bancada par(a)lamentar do PS quando foram discutidas questões relacionadas com uma carreira que deixaram de sentir como sua.

Portanto, acaba por ser irrelevante para a classe docente que entre os deputados existam muitos colegas (?) de profissão, pois – é capaz de ser pela formação – são daqueles que levam mais a sério a sua independência dos interesses corporativos.

A evolução do posicionamento de alguns opinadores e articulistas relativamente às questões da Educação, em geral, e carreira e avaliação dos docentes, em particular, tem por vezes contornos curiosos.

Um desses casos é o Fernando Madrinha no Expresso. Apoiante inicial das politicas do PS de que Maria de Lurdes Rodrigues foi testa-de-ferro, a sua opinião foi flutuando ao longo do tempo sem ter sempre um rumo definido que não fosse a estranha sensação de que ele estava do lado daqueles que se acham primus inter pares na docência. Alguns dias atrás tive a possível explicação para o facto, através de algumas informações facultadas por uma pessoa amiga.

Claro que isso não chega para fazer qualquer processo de intenções. Mas chega para compreender a crónica de hoje em que Fernando Madrinha atropela sem dó os factos para erigir uma defesa dos professores titulares em topo da carreira. Deixo em seguida o excerto em causa, para não dizerem que descontextualizo a análise.

Vamos lá agora por partes.

  • É absolutamente falso que os professores titulares sejam sacrificados na conversão da anterior carreira de titular/professorzeco numa carreira contínua, visto que mantêm o seu índice salarial inalterado (340 para o actual topo) e, pelo contrário, até ganham um novo escalão de progressão que antes não existia (índice 370).
  • É de uma enorme desonestidade intelectual afirmar que, por passar a existir um novo escalão acima do anterior topo, os docentes que estavam no anterior 10º escalão (na estrutura pré-2007) descem por agora passarem para o 9º escalão da nova carreira única. Se o opinador encartado fosse sério, seria obrigado a admitir que no ECD aprovado em 2007 a carreira tinha 4 escalões de professor e 3 de professor-titular e que após a revisão do último Verão ficou um emaranhado estranho com 7 escalões para os professores e 4 para os titulares, sendo que no 4º de professor titular ainda não se encontra ninguém. Isto significa qu fazer conversões directas entre o ECD de 1998 e a proposta ministerial de 2009 é algo que não pode ser feito com a ligeireza que Madrinha usa para defender os topos de carreira.
  • Em nenhum momento esta proposta, por si só, corresponde à compra da paz nas escolas. Mas se assim fosse, já não era pouco. Só que não é, porque é insuficiente. A nova proposta beneficia objectivamente quem já está como titular, porque as contingentações propostas para a progressão ficam todas abaixo desse patamar (actual índice 245), enquanto, em contrapartida, surge mais um escalão para a progressão. A proposta prejudica, objectivamente e muito, os professores em início de carreira e até cerca de metade da mesma devido à tentativa de criação de três garrotes na progressão. Por isso, a paz está longe.
  • Aquilo a que Fernando Madrinha dá voz, se ele o quisesse admitir, é ao interesse micro-corporativo de um grupo de professores que já estavam instalados no topo da carreira, sem necessidade de se esforçarem mais para nada, que o anterior ME considerou terem chegado a esse topo sem mérito, e que se sentiam já no direito de comandar e avaliar todos os outros como uma casta de acesso reservado. Agora aparece-lhes mais um escalão para progredirem, perdem o exclusico do poder de mando, e a vida subitamente perde aquele remanso em que já se sentiam. No fundo, Fernando madrinha apreenta-se como o porta-voz de uma facção dentro da classe docente, uma facção que nada tem a perder com a nova carreira única, mas que sentem terem-lhes beliscado o estatuto simbólico de mandantes.

Se Fernando Madrinha quisesse ser objectivo e rigoroso na sua análise faria uma declaração de interesses acerca do tipo de análise que elabora com alguma falta de rigor, não por desconhecimento de causa, mas exactamente pelo contrário.

Gangue sequestrava e torturava rapazes com fogo e facadas

Atacavam alunos no percurso entre a escola e as suas casas, levavam-nos para um ferro-velho abandonado e ali os submetiam a várias sevícias. Eram esfaqueados em várias partes do corpo e queimados com cigarros

Jovens estudantes e seus familiares andam aterrorizados desde há mais de dois meses, na freguesia de Agualva (Sintra), com a sucessão de casos em que alunos vão desaparecendo e, quando regressam à escola, apresentam uma série de ferimentos, como golpes de navalhas e queimaduras de cigarros. Sete elementos de um gangue que os atacava, sequestrava e torturava, foram interceptados pela Polícia Judiciária, que presume haver mais seis ou sete suspeitos de pertencerem ao mesmo grupo.

Vários alunos deixavam repentinamente de ir às aulas. Faltavam, porque estavam a recuperar dos ferimentos sofridos. Segundo a PJ, das 12 vítimas já detectadas, todas tiveram de receber tratamento hospitalar e depois passaram alguns dias em casa a recuperar até se sentirem em condições de voltar à escola. Os alunos torturados são todos do sexo masculino, têm entre 15 e 18 anos e frequentam escolas de Agualva, como a Secundária Matias Aires.

Inquérito ao ‘Magalhães’ na UE vai demorar anos

“Vai ser um processo longo, muito longo”, explicou ontem ao DN o porta-voz do comissário do Mercado Interno sobre a averiguação de responsabilidades do Estado português na compra de computadores sem concurso público. Neste caso, a Comissão Europeia (CE) quer saber “exactamente como é que o Estado membro lidou com toda a situação”.

O executivo comunitário enviou uma carta a Portugal a pedir explicações sobre o processo de compra dos computadores (compra em que estão incluídos os milhares de computadores Magalhães), na sequência de uma queixa feita à Comissão por parte da empresa Accer – que alega violação da directiva da livre concorrência.

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