Domingo, 6 de Dezembro, 2009


Jay-Z e Alicia Keys, Empire State of Mind

Confesso que gosto, apesar da Alicia ter levado o piano e aquele penteado.

Oxalá pudéssemos anunciar esta campanha nas paragens de autocarro, mas, como não podemos, teremos que divulgá-la nós próprios, através de mails, boa a boca, da nossa página en facebook, de twitter…

colaborem!!!

http://www.librovirtual.org/librosolidario.php

http://terrasmuialtas.blogspot.com/

Boas Festas

Alexandrina Pinto

Troquemos a TV por livros e acrescentemos um pouco de comida e voilá…

George Michael: ‘All I really need is music, sex and TV’

‘Fourteen days to seal history’s judgment on this generation’

Tomorrow 56 newspapers in 45 countries take the unprecedented step of speaking with one voice through a common editorial. We do so because humanity faces a profound emergency.

Unless we combine to take decisive action, climate change will ravage our planet, and with it our prosperity and security. The dangers have been becoming apparent for a generation. Now the facts have started to speak: 11 of the past 14 years have been the warmest on record, the Arctic ice-cap is melting and last year’s inflamed oil and food prices provide a foretaste of future havoc. In scientific journals the question is no longer whether humans are to blame, but how little time we have got left to limit the damage. Yet so far the world’s response has been feeble and half-hearted.

ZZ Top, Sharp Dressed Man

Um antidepressivo sem efeitos secundários.

Comprei ontem este livrinho por um euro nos saldos da Bucholz. É uma publicação de 1977 e simboliza muito do que foi um movimento pedagógico típico dos anos 70 que, depois das denúncias da década anterior (Bourdieu, Althusser e não só) acerca do papel da educação formal e da escola na reprodução das desigualdades e da ordem social, económica e política do capitalismo, avançaria de forma destemida em defesa de pedagogias de carácter emancipatório contra os aparelhos ideológicos do estado liberal, burguês e – obviamente – capitalista e ainda algo colonialista.

Sou sincero: ler Illich e Freire é sempre algo que, mesmo para os não crentes, lava a alma pelo seu vigor, pela dignidade dos objectivos, pela grandiosidade de algumas passagens e – confessemo-lo – pelo carácter inovador destas abordagens naquele contexto histórico.

E é aqui que radica parte do problema. Em especial em relação a Freire há uma parte da sua teorização que mantém sempre alguma actualidade e outra que é muito o fruto de um contexto histórico, cultural e mesmo geográfico localizado.

É uma pedagogia claramente virada para países terceiro-mundistas e para classes sociais oprimidas, afastadas do acesso a qualquer tipo de cultura mais erudita em tempo real, com défice de informação e muitos outros handicaps.

O problema é que a validade de parte destas abordagens caiu em larga escala com a evolução tecnológica e cultural vivida nas últimas duas décadas. Actualmente, ao contrário de quem afirma que há uma homogeneização cultural opressora, o que se constata é que graças às novas tecnologias, nunca foi tão fácil manter ou (re)criar culturas minoritárias de resistência.

Se ainda há zonas do mundo e bolsas sociais desfavorecidas nos países mais avançados onde esta pedagogia da emancipação e exaltação do self-empowerment faz algum sentido, como teorização pedagógica para consumo global o freirismo acaba por transforma-se ou num multiculturalismo vulnerável a muitos equívocos ou numa das modalidades mais daninhas do eduquês, quando não mistura tudo num caldinho de cultura herdado do é proibido proibir e daquelas experiências teóricas algo psicadélicas (com grande popularidade naqueles Fóruns Sociais Mundiais em que o nosso B. S. Santos é um dos maiores gurus) em que a mezinha do indígena da Amazónia vale tanto como a penicilina.

E o seu maior perigo foi a instrumentalização a que foram submetidas as suas abordagens, algo que foi feito de modo muito consciente a partir de meados dos anos 70, como os autores explicitamente admitem:

Para lá deFreire e Illich , o que nos interessa é a elaboração de uma pedagogia política. As críticas que formulámos não significam que tenhamos, em relação a eles, opções ou um quadro teórico mais bem definidos. O que pretendemos simplesmente sublinhar é que, graças a Freire e a Illich, a pedagogia não pode continuar a fechar-se dentro da escola. É chamada a revelar as suas opções políticas, isto é, a definir-se em relação às forças produtivas, ao poder político e à ideologia dominante. (pp. 55-56)

Esta forma de combater a instrumentalização da pedagogia com mais instrumentalização da pedagogia tem dado resultados muito nefastos. A apropriação da pedagogia pela política, seja pelo chamado neoliberalismo, seja pelo neomarxismo, tem sempre efeitos perversos e não é nada de espantar que um Sócrates e um Chávez confluam em torno do Magalhães, esse pequeno aparato democratizador que Freire – como um Bono antes do tempo – não hesitaria em considerar uma ferramenta emancipatória poderosa.

Aliás, se olharmos sem sequer ser necessário muito de perto, o entusiasmo que transborda de uma prosa de Carlos Zorrinho ou outro apologista do novo tecno-mundo não difere muito desse outro entusiasmo que animou tantos dos nossos eduqueses (Benavente, Stoer, Magalhães, Pacheco) da geração de 70.

Desenganem-se aqueles que olharem para as actuais políticas educativas e nelas só encontrarem traços de Direita. De uma forma enviesada, mas nem sempre assim tanto, neste esforço nivelador que é transversal às políticas educativas das últimas décadas, de promoção do sucesso a todo o custo, do discurso virado para a escola para todos e a tempo inteiro, é fácil encontrar o fruto desta sementes de uma Esquerda bem-pensante que, cheia de boas intenções, tornou a escola, em algumas situações, uma antecâmara do inferno (salvo as devidas proporções para o de Dante).

POSTAL AO PAI NATAL

(De um funcionário público)

Caro Pai Natal,

Começo por pedir desculpa por não te tratar por “Querido..”. Sucede que, infelizmente, já não sou nenhuma criança ( digo “infelizmente porque agora, como sou adulto, e sou funcionário público, já não vivo à custa de outros… os outros é que vivem à custa de mim…). Além disso, não pertenço àquele movimento dos…daquele grupo que…, bem, adiante…

Como és a única personalidade no mundo em quem eu ainda acredito,( vá lá, há mais duas – Obama e o Papa – a quem ainda  dou o benefício da dúvida ),  queria fazer-te três pedidos, correspondentes aos três presentes que espero receber este ano de Ti. ( Por favor, não digas que é demais… Jesus não era “corrupto” e recebeu, pelo menos, os mesmos três…).

Então, esses presentes eram  os seguintes:

O PRIMEIRO ( vai ser difícil… eu sei… mas não deixa de ser o mais fácil de conseguires, entre os três) são sete mil e quinhentos euros para comprar um carro ( em segunda mão, por causa da crise…). Bem sei que não usas carteira, nem tens dinheiro no banco ( por isso é que és tão boa pessoa, ó Pai Natal…). Mas há solução:  se não te importasses, quando chegasses da Lapónia, via Lisboa, passavas pela casa “daquele Senhor” que “congelou” ( vê bem, Pai Natal, “congelou”!… Quando, pela lógica, só tu, que vives no Pólo Norte, é que podias congelar…) o meu salário ( há quatro anos!…). Entravas ( sem ser pela chaminé…) e pedias-lhe “o dinheiro que me está a dever” ( e olha que ele deve-me pelo menos tanto, como o que te peço…). Um aviso de amigo, Pai Natal: Não te deixes enganar! Ele é capaz de cobrar uma percentagem por o ter “guardado”, durante quatro anos, alegando que os seus amigos banqueiros fazem o mesmo, e que é legal…( Nota que ele tem a mania de invocar a lei pra tudo e pra nada …Para ele a Lei está primeiro, e a Justiça, depois…).

O SEGUNDO PEDIDO consiste em aproveitares essa visita para sugerires a “esse Senhor”, que o stress é capaz de lhe estar a fazer mal à saúde, e que lhe estão a fazer falta umas férias…( dir-lhe-ás que o Carnaval seria a altura ideal para o respectivo descanso. Até lhe podias indicar uma ida ao Brasil… Podia ser que gostasse daquele calor – e do samba!… caramba! – e prolongasse as férias “sine die”…pelo menos até ser dado como desaparecido….).

O TERCEIRO PEDIDO é bem mais difícil de o conseguires realizar. Mas mesmo assim vou-te pedir que faças tudo para o consumares. Pedia-te, pois, que, caso o segundo pedido não tenha sucesso, que passasses por Belém ( aproveitavas para ver “o menino”…) e apelavas ao “Chefe da casa…” para imitar um ex-Colega, que ele conhece bem, e desalojasse de vez o tal Senhor de que já te falei, a ver se, ele próprio, começava a dormir mais sossegado …

É tudo, por este ano,

Um abraço da única pessoa adulta que ainda pensa que existes…

Cunha Ribeiro

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