Ao longo dos anos instalaram-se diversos mitos sobre a formação contínua de professores. Má qualidade, temas desajustados, irrelevância para a prática pedagógica, etc, etc.

E vão-se buscar uns casos anedóticos para demonstrar que a formação de professores foi uma rebaldaria.

Até foi. Em alguns casos. Mas sempre creditados pelo Ministério da Educação. Ninguém frequentou acções de formação clandestinas, organizadas às escondidas por núcleos de professores malandros, mais interessados em tapetes de Arraiolos e danças de salão do que em formação em áreas nucleares da sua actividade.

Claro que houve negociatas, nepotismo nas escolha de formadores, esquemas esquisitos, acções de formação que não correspondiam ao anunciado e muito mais. Tudo com o beneplácito do ME e das suas estruturas, que muitos formadores forneceu e aos quais muito jeito deu os generosos pagamentos via PRODEP.

A minha experiência está longe de ser essa, porque sempre tive cuidados higiénicos em evitar formação marada. Frequentei formação em TIC, em Educação Especial, fiz duas vezes a formação para correcção de provas de aferição e fui creditado pela participação com comunicação num congresso internacional de História.

Agora frequento uma acção na Área da História e Património Local que fiz pressão para que existisse junto do meu Centro de Foirmação, onde está grande parte do meu Departamento, exactamente pela falta de formação especializada na nossa área disciplinar.

Espero em breve que se inicie uma formação em torno dos novos programas de Língua Portuguesa, a nível de escola e agrupamento, como consequência da formação que está a ser dada a dois colegas pela DGIDC.

Portanto, não enfio o barrete das bocas da formação feita a metro.

Pelo contrário, compreendo o que um estudo recente declara, acerca da necessidade que os professores portugueses sentem de mais e melhor formação, pois essa é a minha experiência. A de querer formação relevante e só apanhar com aquilo que o ME acha prioritário, deixando para trás a formação em muitas áreas científicas.

Estudo da OCDE e Comissão Europeia em 23 países

Professores portugueses querem mais formação