É motivo de peças interessantes de Isabel Leiria no Expresso (sem link e eu com preguiça de digitalizar…)  e de Pedro Sousa Tavares no DN o efeito do fim do ciclo de avaliação dos docentes na progressão na carreira e respectivos ajustamentos de escalões e salários.

Não esqueçamos que durante todo o último mandato praticamente ninguém progrediu em virtude do congelamento, em primeiro lugar, e em seguida pelo facto de só ser possível progredir depois de concluir o ciclo de avaliação com classificação de Bom ou superior.

Isto correspondeu a 5 anos completos de quase total imobilidade, a acrescer aos anos que já antes tinham estado em cada escalão os professores. Em termos práticos – e para não estar a falar em termos hipotéticos – eu não tenho qualquer progressão na carreira ou salarial desde 2003, embora tenha concluído neste período um doutoramento iniciado em 2001, mas que de nada serviu porque decidiram aplicar medidas transitórias retroactivamente que, em termos práticos, tornaram irrelevante essa minha formação exactamente na área da Educação.

Mas como eu muitos outros.

Remontando pelo menos a 2003 ou 2002 estão muitas dezenas de milhar de professores sem qualquer progressão, em nome de uma contenção salarial que pagou o BPN e contratos sucateiros, para não falar em outras obscuridades que por aí andam.

Por isso, acho particularmente ridículo que uma mão cheia de heróicos resistentes do absurdo, surjam agora a clamar contra quem se lembrou que uma suspensão mal legislada da avaliação poderia prolongar este congelamento forçado ainda mais.

Em circunstâncias anteriores à última revisão do ECD eu teria progredido de escalão em Abril passado. Quando não entreguei OI e depois a ficha de auto-avaliação (ninguém me prometeu avaliar o documento que disse que entregaria, ao contrário daquelas insinuações que transparecem em alguns comentários…) arrisquei mais 2 anos de não progressão. E se isso acontecesse, tudo bem, não choraria sobre o leite derramado, nem gritaria contra ninguém. Tomei decisões de modo informado e sempre transmiti essa informação de modo claro e detalhado.

E antes de berrar, tentaria perceber se a minha situação não estaria a tentar ser acautelada por todos os meios possíveis. Ninguém se esqueceu de ninguém.

Neste momento, a questão dos OI está ultrapassada, legitimando (in)directamente o tal parecer elaborado pelo doutor Garcia Pereira, e garantida a avaliação de todos – ou praticamente todos, acreditando eu que a curto ou médio prazo serão mesmo todos – os docentes que, desta forma, poderão progredir ao fim de 6 ou 7 anos. Ao mesmo tempo o modelo integral de ADD do anterior Governo nunca foi aplicado e será substituído.

Há quem ache que o copo não está cheio.

Eu acho que está 3/4 cheio nesta matéria (que não em relação ao ECD).

E acho que é altura de todos inquirirmos os serviços de administração escolar sobre o momento em que temos direito a que nos paguem de volta uma pequena parte do que nos foi indevidamente retirado, retroactivos incluídos desde a data de efectiva mudança de escalão.

Materialismo?
Talvez. Chamem-lhe dialético se preferirem e se ficar melhor no currículo.

Calculismo?
Só se for de tudo o que ficou por pagar.

Incoerência, por termos sido avaliados?
Mas afinal quando se lutou contra os OI, foi em nome da não-avaliação?

Mas é assim, se alguém se incomoda muito pelo facto de se ter conseguido vencer a batalha dos OI e achar que não deveríamos ter direito a – por fim – progredir, eu dispenso-lhe a minha avaliação, que tive graças a uma directora consciente e justa, que teve a coragem de avaliar a ovelha tresmalhada que não entregou a FAA em todo o agrupamento.

Há quem pareça viver num mundo de faz de conta, regado a cantores de intervenção dos anos 70 e poesia mal repassada. Há que saber como se ganha uma guerra. E esta – claro que com as baixas de quem se aposentou de forma quase compulsiva – até deve terminar com o exército todo compacto. A menos que comecem agora a atirar uns sobre os outros, na falta de entretenimento mais consequente.

Olhem, façam mesmo amor e não a guerra.

Estou farto de pacifistas-guerreiros.

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