… se perceberem bem, isto pode acabar num enorme barrete na cabeça daqueles directores que…

E quem diz elementos de avaliação… também diz um documento de auto-avaliação que em boa verdade nem é de auto-avaliação pois ninguém propõe uma classificação, apenas relata o que fez…

Ficha de auto-avaliação permitirá ser classificado

Isabel Alçada insiste na aplicação da lei, mas deixa aberta a porta a solução que inclua quem não entregou objectivos individuais. Mesmo quem não preencheu ficha de auto-avaliação pode, em teoria, fazê-lo ainda até ao final do ano.

O Ministério da Educação deverá viabilizar uma solução, para a avaliação de desempenho dos últimos dois anos, que permita às escolas classificarem todos os docentes que tenham  entregue, pelo menos, as fichas de auto-avaliação.
É esta, soube o DN, a interpretação que pode ser dada às declarações deste sábado de Isabel Alçada, quando afirmou que “os professores que entregaram elementos para a avaliação serão todos avaliados”.

Oficialmente, a ministra nunca se antecipará no anúncio de que os professores que não entregaram objectivos individuais poderão ser classificados e progredir na carreira. Até porque essa é uma questão que fará parte das negociações agora iniciadas com os sindicatos de professores.

Mas ao aceitar integrar na avaliação todos os que “entregaram elementos”, Isabel Alçada já está a deixar uma porta aberta aos professores que recusaram definir objectivos, mas não fizeram o mesmo em relação à auto-avaliação.

Uma janela de oportunidade para que quem não entregou a FAA (por opção ou imposição abusiva do órgão de gestão) o possa fazer, permitiria ao ME alargar o número de avaliados e declarar qualquer coisa gira em matéria de propaganda.

Mas por outro lado significaria que a batalha dos OI teria sido ganha pelos professores.

Quanto à guerra, o principal vai passar-se à mesa das negociações em torno do ECD e da divisão da carreira.

E este período disfarçadamente suplementar para a entrega da AA também possibilitaria clarificar de vez posições acerca de quem – com regras claras, agora – rejeita o modelo ao ponto de não querer qualquer avaliação e quem, declarando abertamente dele discordar, não pretende que dois anos da sua carreira passem como se não tivessem existido.

Os mais radicais podem dizer que é uma rendição tardia. Então não se rendam, que poderá haver ainda um último momento ou táctica para não ficarem para trás. Mas não existem certezas, é claro.

Só que, e como sempre, é bom que todos percebam o que está em jogo, as regras com que lidamos e que ajam com consciência do que fazem e das potenciais consequências.

Esta discussão já foi feita em dois momentos: por ocasião dos OI e da entrega da FAA. Pensei que na altura todas as posições tinham ficado clarificadas e as consequências ponderadas, incluindo os comportamentos diferentes dos órgãos de gestão perante situações similares.

Aliás, será essa disparidade de soluções uma via (até jurídica) de defesa de quem está a ser penalizado.

Mas é mesmo importante que cada um(a) saiba ao que anda. De uma vez por todas.

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