O que se percebe é que neste momento o modelo de avaliação do desempenho dos docentes deixou de ser um problema político para se transformar numa questão de ordem pessoal do primeiro-ministro, incapaz de antever a sua derrota nesta matéria. O que se passa é que um problema de interesse nacional se tornou o subproduto de uma birra particular de José Sócrates. E os outros que aturem o seu espernear. Patético. Infantil.

Governo prevê bloqueio na avaliação de docentes

José Sócrates já traçou a sua linha vermelha: não pactuará com qualquer suspensão do regime de avaliação dos professores. Ontem, foi Jorge Lacão a avisar que o Governo se recusa a fazer “tábua rasa de tudo o que foi alcançado”. Os sindicatos pedem negociações urgentes e avisam que nas escolas a impaciência aumenta. Hoje, na Assembleia, Sócrates tem a palavra

Mais do que um impasse, o Governo antevê já um bloqueio dos partidos da oposição na avaliação de professores e na revisão do estatuto da carreira docente.

Com a pressão a subir para que os socialistas reabram os dois dossiês, foi a iniciativa de ontem do PSD que mais irritou o núcleo duro socialista. Quando se pedia “responsabilidade” e “abertura” do maior partido da oposição, os socialistas viram na discussão pública com sindicalistas e críticos da actual legislação uma “mera intenção de suspender o processo” – arriscando pôr em causa a existência da própria avaliação dos docentes.

E essa é a linha vermelha para José Sócrates: se o primeiro-ministro admite uma revisão da lei, não aceita que o processo pare. Sobretudo porque a crença num acordo com os sindicatos (sobretudo com a Fenprof) é quase inexistente. Ontem à noite, foi Jorge Lacão quem o deixou claro: “não podemos fazer fazer tábua rasa de tudo o que já foi feito”, disse na SIC-Notícias.