Asergio

É curioso como a voz de António Sério nos acompanhava há cerca de 30 anos, permanecendo para além das modas da rádio e funcionando como voz de fundo para várias gerações de viciados em rádio e música dita alternativa.

Manda a verdade que diga que não esperava para ouvir o Rolls Rock e o Som da Frente com a expectativa com que esperava pelo Rock em Stock de Luís Filipe Barros. Sempre tive um orelhão não completamente imune a toadas mais mainstream. Oiço Nick Cave mas também Paul Simon. Joy Division mas também U2. Nunca fui um alternativo puro.

Talvez por isso não fosse daqueles que esperavam religiosamente pelos programas de António Sérgio.

Mas também manda a verdade que depois se seguiram o Grande Delta, o Lança-Chamas, A Hora do Lobo e até agora Viriato 25, sempre num tom alternativo que se soube transformar ao longo do tempo e era uma garantia de, por vezes discordando dos gostos e opções, nunca ouvir má música.

Comercial nos tempos áureos, XFM enquanto durou, Radar.

Morreu hoje.

Para a minha geração morreu alguém mais importante para a formação do nosso gosto e prazer do que 98% (99%?) das figuras públicas que nos enchem os olhos e ouvidos.

E ele é mesmo insubstituível.

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