O Pedro deixou um comentário, já depois das 3 da matina, que merece ser divulgado em post para discussão mais alargada:

A minha proposta de ADD ligeiramente modificada da anterior que aqui há cerca de um ano apresentei.

“Quem avalia?
O que se avalia?
Quando se avalia?

1)A avaliação do professor no contexto da sala de aula deverá ser exercido por um professor avaliador da mesma especialidade do avaliado. O avaliador científico-pedagógico deverá ser um professor que tenha prestígio entre os seus pares. Para isso tem de ser alguém reconhecido na comunidade educativa, dotado de bom-senso, que compartilhe saberes entre os seus colegas, prestando-se a dar o exemplo abrindo a sua sala de aula para repartir com os outros as suas experiências lectivas. Caberá ao Director avaliar: a assiduidade, a formação contínua e acrescida adquirida e a participação do professor nas actividades e cargos distribuídos ao longo do ano lectivo.

2)A avaliação deverá centrar-se em duas componentes:
a)uma de maior peso (70%) centrada na sala de aula, através de uma observação sistemática do avaliador, a ocorrer no último ano do módulo de tempo de serviço à subida de escalão, à forma como o professor interage com os seus alunos: a postura na sala de aula, a disponibilidade para ajudar os alunos que se atrasam nas aprendizagens, a diversificação das estratégias para os diferentes alunos, o rigor científico na leccionação dos conteúdos e a forma rigorosa e equilibrada como avalia os alunos.
b) Fora do contexto da sala de aula: a assiduidade, a formação contínua e acrescida adquirida e o desempenho no serviço distribuído por cada ano lectivo.

3) A avaliação tem como quadro de referência o módulo de tempo de serviço necessário à subida de escalão, pelo que a assiduidade, a formação contínua e/ou acrescida adquirida, a participação na vida escolar sejam apreciadas no final de cada ano lectivo, uma vez que são evidências facilmente observáveis. Somente no último ano de permanência de cada escalão é que teria lugar a avaliação científico-pedagógica através da observação de aulas. A anotação a atribuir, no fim de cada escalão, ao professor em causa seria igual à média ponderada das notações atribuídas pelo professor avaliador e pelo director.

NOTA: SERIA PREFERÍVEL QUE A AVALIAÇÃO CIENTÍFICO-PEDAGÓGICA FOSSE ATRIBUÍDA A UM INSPECTOR EXTERNO DA MESMA ÁREA DE FORMAÇÃO DO AVALIADO, MAS DADO O NÚMERO DE INSPECTORES DISPONÍVEIS TORNA-SE IMPRATICÁVEL ESTA FORMA DE AVALIAÇÃO. A PREFERÊNCIA DE UM INSPECTOR DECORRE UNICAMENTE DE UM FACTOR CULTURAL: A SUSPEIÇÃO QUE LEVANTA UMA AVALIAÇÃO FEITA ENTRE PESSOAS QUE CONVIVEM NO DIA-A-DIA.

Assim na avaliação “fora do contexto sala de aula” entrariam 3 ou 4 factores relevantes cuja avaliação não é nada complexa. A avaliação no contexto “sala de aula” consistiria na observação de aulas a decorrer num único ano lectivo, procurando que o professor não “trabalhe” constantemente para a avaliação.

A avaliação atribuída no final de cada escalão somente poderiam ser anotadas com as classificações de Insuficiente, Regular, Bom e Muito Bom.

Somente teriam acesso à classificação de Excelente os professores que fossem anotados de Muito Bom e que desenvolvessem na escola uma trabalho de investigação a ser avaliado por um júri composto pelo docente avaliador da componente científico-pedagógica e um ou dois professores universitários da área desenvolvida no trabalho de investigação.

Consequências da avaliação:
Insuficiente – o tempo permanecido nesse escalão é descontado na íntegra havendo lugar a que o docente em questão seja alvo de acompanhamento durante um período de tempo igual a dois anos. No final desse acompanhamento, seria alvo de uma notação: Apto ou Não Apto com as devidas consequências. O tempo a contar para progressão ao escalão seguinte seria igual ao módulo de tempo de serviço no escalão onde esse docente se encontra subtraído por dois (tempo de acompanhamento).
Regular – permanência no mesmo escalão por mais dois anos.
Bom – progressão automática ao fim do módulo de tempo de serviço de cada escalão.
Muito Bom – diminuição de 2 anos na permanência no escalão seguinte da carreira, até ao limite máximo de 2 escalões.
Excelente – o tempo de permanência no módulo de tempo do escalão seguinte seria contado de imediato na íntegra + 2 anos do escalão subsequente. Este bónus somente poderia ocorrer uma única vez.

Chegado ao topo de carreira o docente deixaria de ser somente avaliado na componente técnico-pedagógica.
As fichas de avaliação seriam preenchidas integralmente pelos avaliadores na presença dos avaliados, dispensando-se documentos comprovativos (portfólios, materiais de ensino, etc), excepto nos comprovativos de acções de formação concluídas ou certificados de formações acrescidas.

Nota: A exclusão dos portefólios e dos materiais didácticos como documentos de evidências tem como fim evitar que os do costume inventem, copiem, etc, etc, materiais que nunca foram utilizados nas respectivas aulas. NÃO PODEMOS PERMITIR QUE A AVALIAÇÃO SE TRANSFORME NUMA FARSA, MOSTRANDO-SE MUITAS VEZES AQUILO QUE NÃO SE FAZ, OU SEJA, PARA INGLÊS VER.”

Pedro Castro