Por enquanto fica apenas aqui uma pista para posterior exploração que se relaciona com um dos temas em que mais me afasto das teorias ditas de “esquerda”, herdeiras das pedagogias críticas e da emancipação, que tiveram o seu tempo, o seu papel muito importante (em especial no Terceiro Mundo, onde em parte permanecem válidas), mas que tenho dificuldade em enquadrar em sociedade mais desenvolvidas, a caminho das quais nós deveríamos ir.

Até que ponto estamos dispostos a aceitar como princípio orientador fundamental e condicionador das nossas práticas o desejo de uma forma pouco disfarçada de igualitarismo nas várias dimensões da Educação, desde a produção de sucesso dos alunos até aos modelos de carreira dos professores, passando pela questão da gestão escolar?

Até que ponto o igualitarismo e a homogeneização das fórmulas é, ou não o caminho certo para a construção de uma Escola (pública ou não) de qualidade.

A minha resposta não é simples, nem unívoca, pois quem critica os modelos únicos não pode ter um modelo único, fechado.

Há que saber combinar princípios básicos comuns – para isso serviria uma revisão da Lei de Bases, por exemplo – com as adaptações e autonomias indispensáveis a cada área da educação e a cada tipo de situações.

Se pretendemos um modelo de Escola em que a liberdade individual, a equidade de tratamento e a autonomia são valores a defender e promover, é importante perceber que não se podem impor modelos únicos e igualdades forçadas, sejam de matriz dita esquerdista, sejam de matriz dita neo-liberal, pois ambas as tendências, sendo divergentes nas soluções, são similares na lógica uniformizadora.

Claro que não defendo uma manta de retalhos, com soluções ad hoc e ao sabor de cada cliente.

Por isso mesmo há que tentar marcar com clareza o terreno relativamente ao que se considera aceitável ou não.

  • Sucesso garantido para todos os alunos, independentemente do esforço?
  • Modelo único de gestão escolar, traindo o discurso da autonomia?
  • Carreira docente indiferenciada com progressão automática, sem qualquer tipo de prestação de provas?

Muito há por discutir, pois o que parece é que tudo é discutido de forma parcelar, não integrada, seguindo interesses exteriores ao da Educação e visando cumprir objectivos políticos.

Como já diosse, eu sou algo híbrido. Acho que, com uma base uniformizada que garanta a equidade no tratamento a todos, devem ser encontradas soluções que acautelem, ao mesmo tempo, a adptabilidade dos modelos a cada realidade, dentro de um leque de opções possíveis.

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