É uma espécie de derby, em que não se decide tudo, mas que pode dar uma vantagem, nem que seja anímica, a um dos contendores perante a situação de proximidade em que se encontram.

À chegada a este debate, Manuela Ferreira Leite e José Sócrates estão numa situação impensável há dois anos ou mesmo há um ano.

Até ao momento ambos têm tido desempenhos acima das expectativas, com Manuela Ferreira Leite a suportar sem grandes danos os três debates anteriores e José Sócrates a oscilar entre o evidente nervosismo do encontro com Paulo Portas que levou a antever o pior para o ciclo de debates e a razoável e inesperada calma com Loução.

Hoje os riscos são diferentes para cada um deles. Para Manuela Ferreira Leite, o deixar-se ultrapassar pelo discurso rápido e agressivo de Sócrates, que tentará recuperar a sua obsessão pelo défice. Para Sócrates o parecer deselegante, se voltar a usar de uma táctica demasiado agressiva como o fez com os outros candidatos. Afinal é uma senhora e já foi mais nova.

Uma coisa têm em comum: um ar de relativo desdém quando os interlocutores estão a falar.