José Manuel Fernandes queixa-se hoje, e com razão, da forma como o ME e o Governo trabalham e fazem divulgar as estatísticas oficiais e  não apenas da Educação.

A manobra mediática de ontem foi sintomática a este respeito.

Aparentemente, o JN e o DN tiveram direito em primeira mão aos dados, antes da sua apresentação pública. Os artigos produzidos ontem reproduziram as estatísticas oficiais, sem possibilidade e/ou capacidade de desmontagem de alguns dos indicadores, de estabelecimento de séries temporais próprias ou a desagregação de alguns indicadores.

Ao que parece também, o Público solicitou dados adicionais para serem trabalhados, o que foi recusado.

O que é estranho, pelo menos até ao ano lectivo de 2007/08, pois tudo está mais do que armazenado, guardado e trabalhável a partir dos dados que as escolas e agrupamentos estão constantemente a descarregar para o Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do ME, mais especificamente para a base MISI@.

  • Por exemplo, porque não fornecer os dados sobre a evolução das coortes de alunos ao longo dos anos e divulgar apenas as matrículas e resultados finais do 9º ano?
  • Porque não apresentar o número de alunos matriculados no 1º ano e calcular quantos chegaram ao 9º sem repetências e com um percurso escolar limpo? Ou, em alternativa, nas conclusões do 9º ano, desdobrar os dados por anos de entrada no ensino básico?

Este tipo de dados – e não apenas as taxas finais de sucesso no 9º ano –  é que permite analisar como evolui o desempenho dos alunos ao longo do seu percurso escolar. O que o Governo nos dá é como que  uma fotografia do estado do tempo num dado minuto, não a sua evolução ao longo do dia.

Já vi as imensas tabelas sobre tudo e mais alguma coisa que são enviadas para o ME e não há aspecto quantificável da vida das escolas que não esteja disponível, nas suas unidades minimais. Que depois os dados sejam seleccionados e trabalhados a gosto pelos Gabinetes de Comunicação é outra coisa e não significa que não existam todas as variáveis que permitiram criar os indicadores globais apresentados para consumo público.

É quase ridículo lembrarmo-nos do alarido feito pelo PS e por Jorge Sampaio quando, de forma desastrada, o governo Santana/Portas aflorou a hipótese de criar uma central de comunicação. Se algo há a considerar é que esses eram amadores perante a forma oleada e mecânica como agora funciona o actual Governo nesta matéria, herdeiro directo das técnicas de gestão da relação com a comunicação social dos trabalhistas de Blair nos anos 90 e durante o auge de Alastair Campbell.

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