Eu sabia que isto era apenas uma questão de paciência e análise dos dados. Já descobri porque o Governo usou o ano de 1996/97 para iniciar a sua série de dados sobre o insucesso.

Isto é apenas seguir o feeling e conhecer as criaturas em presença.

Lá fui eu em cata dos dados no livro do GIASE – atenção é publicação oficial – com os dados sobre o insucesso nos Ensinos Básico e Secundário desde 1994/95 até 2003/04.

Nada de espantar.

  • O insucesso global no Ensino Básico em 1994/95 era de 13,1%, subindo depois no início do guterrismo para 13,8% e 15,2% nos dois anos lectivos seguintes.

  • No Ensino Secundário o insucesso global era de 21,3% em 1994/95, disparando para 33,1% em 1995/96 e para 35,7% em 1996/97.

O que a máquina governamental fez foi escolher o ano do maior descalabro – já bem dentro da governação PS – e torná-lo o início da sua série maravilhosa e milagrosa.

Recuando mais dois anos seria possível perceber duas coisas fundamentais:

  • A paixão guterrista pela Educação foi um fracasso.
  • Os ganhos em matéria de combate ao insucesso são bem menores do que o anunciado se estendermos a série cronológica, com ganhos residuais no Secundário (pouco mais de 3%) e muito menores do que o anunciado para o Ensino Básico (apenas acima dos 5% e não uma queda para metade).

Isto é manipulação estatística pura.

Não há que recear usar as palavras adequadas.

Qual o problema no nosso país? O raio dos dados estão escondidos ou, no meu caso, alguém os arumou numa estante, o que é sempre o maior dos problemas.

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