Ai temos o inefável presidente da Confap a validar, do alto da sabedoria de quem colocou a descendência fora do ensino público, a versão oficial do Governo sobre os ganhos em matéria de sucesso.

Há passagens especialmente divertidas e sintomáticas de um certo modo de estar e pensar visivelmente cosmopolita e pós-moderno.

Vejamos:

Segundo o presidente da CONFAP, a cultura dos estabelecimentos de ensino tem assentado em mais trabalho e no desenvolvimento de três eixos que a confederação defende: autonomia das escolas e capacidade de proporem estratégias de combate ao abandono, possibilidade de constituírem bolsas de professores para trabalharem mais as dificuldades dos alunos e melhoria da formação de docentes, nomeadamente em áreas específicas e habitualmente com piores resultados, como a Matemática.

«São vectores fundamentais a aprofundar no futuro. O país tem necessidade de não dispensar dinheiro com retenções de alunos», declarou.

O responsável da CONFAP defende ainda a necessidade de rever o currículo do 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) por ter muitas disciplinas, alegando que algumas «não têm interesse nenhum» e acabam por dispersar os alunos.

Comparativamente a outros países, Albino Almeida indicou que no Canadá e na Dinamarca «o sistema educativo não permite insucesso, define à partida conhecimentos e competências que os alunos têm de ter».

«O insucesso deve-se muitas vezes ao dispersar por muitas disciplinas e não ao trabalho das escolas», disse.

Para Albino Almeida, «as vozes que falam de facilitismo estão desfasadas» e o sistema de ensino «deve ter várias vias».

«Há alunos com três e quatro negativas em algumas áreas e quando vão para outros cursos têm bons resultados», adiantou.

Gosto da crítica à organização curricular do 3º ciclo, acho especialmente deliciosa a parte em que considera que alunos com 3 ou 4 negativas a determinadas disciplinas (por exemplo, Português, Matemática, Ciências, História, diria eu…) podem ser uns ases em outras (que tal Consultoria Virtual, Engenharia da Retórica Bacoca, Seguidismo Galopante e Invertebralidade Congénita?).

Também aprecio a preocupação orçamental com o custo das retenções e o conhecimento que me parece aprofundado do sistema de ensino de países como a Dinamarca e o Canadá.

Claro que tudo isto poderia ser dito por um assessor de comunicação do ME, mas dá sempre outro estilo ser um representante dos pais sem educandos no ensino público.