Relembremos alguns factos: no fim de semana surgiram números sobre a avaliação dos funcionários da Administração Pública. No tratamento feito pela imprensa houve grande desencontro na forma de calcular os números da Educação. Horas depois chegavam-me os dados fornecidos à imprensa, os quais motivaram este post em que tentei desmontar a operação de manipulação estatística em curso.

No fundo a questão é simples: encaixando a avaliação do desempenho dos docentes no contexto da implementação do SIADAP parece que muita gente foi avaliada em 2008. Só que os profesores não foram avaliados em 2008 e em 2009 ainda não sabemos como as coisas estão a decorrer.

De qualquer modo, os dados para 2008 são objectivamente falsos. Tão falsos que até o próprio primeiro-ministro os desmentiu ontem na BlogCoisa de acordo com o relato feito n’O valor das ideias. Vamos abstrair-nos do meu indirecto papel acidental na discussão – assim como do deslize  ortográfico . para nos concentrarmos no que é dito por José Sócrates:

Sócrates contrapôes com dados de existência de 60000 professores em avaliação, 18000 já avaliados, e com uma diferenciação de resultados.

Se há apenas 60.000 docentes em avaliação (e os 18.000 do ano passado estão na esmagadora maioria incluídos também na avaliação deste ano), isto significa menos de 50% dos docentes e, igualmente interessante, menos de 50% daquilo que o gabinete do secretário de Estado da administração Interna mandou para os jornais.

Não sei em que termos o Tiago Moreira Ramalho colocou estas questões ao vivo, mas parece-me pelo que leio que o primeiro-ministro anda a receber os briefings trocados e a precisar que lhe acudam para o desenrascar de embaraços.

Aliás, basta confrontá-lo com as peças avulsas da propaganda governamental para se perceber que isto entrou em roda livre, com cada um a fabricar estatísticas para eleitor ver.

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