Deloitte2

Confesso que tenho dificuldade em perceber a diferença entre um estudo de benchmark(ing) e um estudo comparativo normal, tirando o facto de ser escrito em inglês very technical.

O que o ME nos traz agora, embora com data de Abril (onde andou estes dois meses???), é o sumário executivo de um estudo que não conhecemos na sua totalidade (nem surge referenciado na página da Deloitte cá do burgo)  e que nesta versão curta deixa cair uma das principais (e mais polémicas) constatações, ou seja, que lá fora não há quotas para o acesso ao topo da carreira docente.

A coisa transpirou para a imprensa há uns dias, mas agora desaparece no éter ou algo parecido. Aliás, a apresentação no site do ME destes dois sumários executivos da Deloitte é uma peça fabulosa de spin.

Quanto ao que agora nos é dado de mão beijada, muitas reservas se levantam em matéria de metodologia.

  • Antes de mais é feito um estudo comparativo entre o SIADAP e o modelo de ADD que nele se inspirou que é mais ou menos o mesmo que comparar a Mona Lisa com a Gioconda. O que eu gostava mesmo era de ver um estudo comparativo, desculpem lá, um benchcoiso com os modelos de avaliação do desempenho de empresas privadas de sucesso (não estou a falar do BCP, obviamente…). Comparar as diferenças entre irmãos gémeos, mesmo se gémeos dizigóticos, não é o melhor método de comparar a diversidade humana.
  • Em seguida é escolhido um lote de países tidos como representativos das várias regiões da Europa, o que me parece irrelevante, sendo de muito mais interesse fazer a comparação com os países com melhores desempenhos em estudos comparativos internacionais. por exemplo, nos resultados do PISA 2006, Portugal encontrava-se em 37º lugar no desempenho na área das Ciências. A Deloitte usou os sistemas de avaliação de professores da Finlândia, Estónia, Coreia, Canadá, Hong-Kong ou Macau (!!!) que ocupam os primeiros lugares da tabela? Não, usou a Holanda (mesmo assim um 11º lugar), a Inglaterra (21º lugar), a Polónia (23º lugar) e a França (32º lugar). É impressão minha ou esta selecção de base geográfica faz pouco sentido? Não seria melhor estudar os que apresentam melhores resultados? É só uma ideia…
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