A imersão num dos períodos áureos do emaranhado burocrático da Educação – vulgo período da avaliação de final de ano lectivo – deixa-me sempre como que incapacitado para escrever qualquer coisa com nexo. É que se me embota  espírito de tanta papeleta, grelha disto, plano daquilo, registo biográfico, ficha de coiso, relatório e tal.

Ainda bem que ontem despachei alguma prosa encomendada, pena que outra tenha ficado para hoje e não consiga sair de modo nenhum.

Isto vai-me durar quase toda a semana, já sei, a duração de oito reuniões de avaliação, mais revisão e verificação de materiais, mais reuniões para aplicação da prima do Harpic a uns alunos que disso necessitam como de pão para a boca se queremos que eles tenham alguma hipótese do chamado sucesso.

De tanta prosa arrepanhada para preencher os quesitos e requisitos da maquinaria robotizada que o ME obriga os professores a cumprir para justificarem a atribuição de uma classificação no final de um ano de trabalho, um tipo fica assim como que com peneiras de bloqueio de escritor.

Esperemos que quando a sexta-feira amanhecer isto já me esteja a desintupir mais. Até lá, é esperar que a força da transpiração oculte a manifesta falta de inspiração.

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