Será que desta vez nos vão acusar de teremos comprado espaço para publicidade no Expresso?

Grupo de professores mantém recusa da avaliação

Docentes garantem que não se trata de um apelo à “desobediência civil” e dizem estar conscientes das possíveis consequências, como o congelamento da carreira por dois anos.

O esclarecimento vem logo ao início do texto: a declaração assinada por 13 professores e divulgada no passado fim-de-semana não é um “apelo a um qualquer movimento de desobediência civil, nem o seu contrário”, mas apenas a afirmação da sua recusa em entregar a ficha de auto-avaliação, de acordo com o modelo criado pelo Ministério da Educação (ME).

“Não é um apelo em busca de apoiantes, apenas uma declaração a fundamentar a nossa posição. Quem quiser aderir basta usá-la como parte da sua justificação para a não entrega da ficha de auto-avaliação”, explica Paulo Guinote, um dos subscritores do texto, amplamente reproduzido na blogosfera, garantindo já ter recebido o apoio de vários docentes. Sendo certo que quem não cumprir esta etapa da avaliação de desempenho arrisca-se a não progredir na carreira por um período de dois anos lectivos e ainda a ser alvo de um processo disciplinar.

Para Paulo Guinote, autor do “A Educação do meu Umbigo “, um dos blogues mais visitados, trata-se de não participar num processo baseado em legislação que os subscritores consideram inconstitucional. Mas, acima de tudo, representa uma posição “eminentemente ‘política'” de rejeição de um modelo de avaliação que “oscila entre uma falsa modalidade de reconhecimento de mérito e uma versão simplificada que é ainda menos exigente que o modelo anterior”.

Em vez de entregar a ficha de auto-avaliação, alguns dos subscritores do documento irão apresentar um documento a explicar a atitude tomada e ainda um relatório da actividade desenvolvida nos últimos dois anos, “mas não de acordo com os objectivos definidos a três meses do final deste período”, como aconteceu em muitas escolas.

A entrega da ficha de auto-avaliação está prevista para o final deste mês na maioria dos estabelecimentos de ensino mas o prazo pode ir até final de Agosto ou mais tarde.