O artigo é interessante, mas é nota-se a forma como o auto-elogio aflora, com escasso pudor, em quem agora se sente no lugar de cátedra.

Superprofessores contratados para ensinar alunos rebeldes

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“Não é uma ambição ao alcance de todos”, avisa Armandina Soares, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Vialonga, em Vila Franca de Xira. Só para os que conseguirem ser professores, mediadores culturais, directores de turma, formadores, assistentes sociais, psicólogos, gestores e administradores. Tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, não chega. Há também que dominar as novas tecnologias, participar em colóquios, seminários e conferências em Portugal ou no estrangeiro para as probabilidades aumentarem. Doutoramentos, mestrados, cursos de formação e reciclagem e ainda muita experiência em escolas problemáticas são as condições finais para garantir a selecção.
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Cursos, experiência profissional, habilitação académica, actividades extracurriculares ou cargos de gestão, tudo contou para conseguir entrar numa das 167 escolas incluídas nos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Cada valência é como um cromo de caderneta – quantos mais coleccionou, maiores foram as hipóteses de chegar à última etapa da selecção – a entrevista.

“Foi o momento determinante para convencer o júri”, defende Margarida Góis, presidente do conselho executivo do Agrupamento da Trafaria, em Almada. Foi a altura em que o júri avaliou se o candidato tem ou não perfil para dar aulas numa escola de risco: “A personalidade teve mais peso do que a habilitação profissional pois, à partida, todos os que percorreram o caminho até à entrevista são professores muito experientes.”

Para chegar à última etapa, os concorrentes jogaram todas as cartadas até ficarem em pé de igualdade. O desempate entre finalistas aconteceu olhos nos olhos. “Capacidade de comunicar ou de relacionar-se com os alunos e colegas são alguns dos principais aspectos que avaliámos durante a entrevista”, conta Margarida Góis.

Mas, enquanto o candidato esteve sentado frente aos cinco membros do júri outros imprevistos surgiram: “Colocámos cenários de indisciplina ou de apatia entre os alunos para o docente encontrar algumas soluções a médio e longo prazo.” Cada aspirante usou intuição e tudo aquilo que aprendeu nos cursos, nos mestrados, nos seminários ou em qualquer outro lado para provar aos jurados que não é apenas um professor. É sobretudo, um superprofessor.

Nota-se um certo prazer em exigir-se aos outros o que…

Já trabalhei em TEIP, tenho razoável experiência em lidar com este tipo de alunos, mas nunca conseguiria – como entrevistador ou entrevistado – achar que meia hora ou uma hora chegam para determinar a competência de alguém para trabalhar com sucesso nestes ambientes. Por muitos cromos que a caderneta tenha.