Jogar às utopias ou às catástrofes

“Tudo seus avessos tem” (Sá de Miranda)

O comentário (número 14)  “Sou titular com orgulho”, escrito no post “As propostas da plataforma sindical – 2. Formas de luta” (5.Maio.2009), trouxe, novamente, para a opinião pública uma temática longe de estar terminada porque sempre discutida, um tanto ou quanto, de forma superficial pelos seus opositores. E, provavelmente, vítima  daqueles  que se refugiam  no silêncio cauteloso  de uma opinião não formulada porque aprisionada  em amarras de indecisão.

Entretanto, em  oposição a uma sanha persecutória contra a criação de uma Ordem dos Professores,surge, como argumento de peso a seu favor, “um saber de experiência feito” que nos é  transmitido através da     mensagem chegada nesse comentário, qual grito de alma que merece ecoar na planície dos indecisos.

Reza a mensagem: “Não gosto de sindicatos…Lembram-me sempre operários e essas coisas. Felizmente, nós temos a Nossa Ordem”.Ora, não gostar de sindicatos é uma opinião como qualquer outra: como diz o povo, “gostos não se discutem”

Mas, em contrapartida, falar de cor, sem conhecimento de causa que permita avaliar  os prós e os contras em os professores assumirem em suas mãos o próprio destino, colhe as vantagens de um seguidismo  cómodo em não fazer ondas  para obedecer à voz do dono  em copiar o exemplo de um bafiento sindicalismo ruidoso que vem para a rua para se impor através de decibéis ou slogans que fizeram uma história que se quer repetida até à exaustão porque uma mentira mil vezes repetida se transforma numa verdade, como defendeu Goebbels, ministro da Propraganda hitleriana. Ora uma cópia, por mais que se esforce, nunca atinge a perfeição do original.

Falemos claro de uma vez por todas. A quem interessa a inexistência de uma Ordem dos Professores? Em  sequência arbitária, para além de outros possíveis sindicatos, essencialmente, à Fenprof (tida como o sindicato com maior número de associados) que veria o número de sócios descer vertiginosamente e, com isso, a sua influência política na sociedade portuguesa. Depois ao ministério da Educação que deixaria de poder continuar a ter a classe docente nas mãos como antigos escravos gregos ao serviço dos senhores de Roma. Finalmente, aos professores que se movimentam em águas turvas de quanto pior melhor para que a sua mediocridade não se veja reflectida em águas límpidas.Todos estes exemplos obedecem ao princípio de dividir para reinar, reinar até no sentido de transformar o sistema educativo numa verdadeiro circo. Palhaços já nós temos, só falta montar a tenda.

A contrario, a Ordem dos Professores servirá para unir os professores, todos os professores, dando-lhes o sentimento de constituirem uma classe profissional e, não, apenas um amontoado de gente que quer direitos e enjeita os deveres de um código de conduta. Será assim tão difícil compreender isto? Como o compreendeu e defendeu Raymond Polon: “Reivindicar direitos sem proclamar obrigações é querer o impossível, é jogar às utopias ou às catástrofes”.

Rui Baptista

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